Os governos não sabem lidar com os pobres!
Em São Paulo, doações enchem ruas do centro
de cobertores
Bruno
Ribeiro e Paula Felix
Peças para população de rua se amontoam; Prefeitura
fará coleta,
mas padre destaca que sem-teto não tem onde deixar
cobertas
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PILHAS DE COBERTORES QUE FORAM DOADOS E USADOS POR MORADORES DE RUA AMONTOADOS EM FRENTE À IGREJA DO PÁTEO DO COLÉGIO - REGIÃO CENTRAL DE SÃO PAULO |
Depois
de um fim de semana inteiro de doações feitas por organizações e grupos de
amigos às pessoas em situação de rua do centro de São Paulo, a capital paulista começou a semana com
pilhas de cobertores forrando as calçadas, deixados nas sarjetas após a noite
de uso.
Os
cobertores se amontoaram no corredor que começa na Praça da Sé, segue pelo
Pátio do Colégio, avança pela Rua Boa Vista e termina na Praça do Patriarca.
Conforme o jornal O Estado de S. Paulo
mostrou nesta segunda-feira, 20 de junho, no
fim de semana moradores de rua chegaram a se agredir para receber as doações,
que vieram às centenas, motivadas pela onda de frio e pelas notícias de
mortes supostamente ligadas à baixa temperatura.
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PADRE JULIO LANCELLOTTI da Pastoral do Povo da Rua - Arquidiocese de São Paulo |
As
montanhas de cobertor surgem depois de a Prefeitura ser criticada por recolher
objetos pessoais dos moradores de rua, ação revelada pelo O Estado de S. Paulo. Para o padre
Julio Lancellotti, da Pastoral do
Povo da Rua, um dos principais críticos da política da Prefeitura para
moradores de rua, a ação da gestão
Fernando Haddad (PT) em deixar os cobertores no chão “é colocar como réu quem é
a vítima”. “O meu cobertor eu deixo na minha cama. A cama deles é a calçada. Eles não têm como carregar os cobertores
consigo durante todo o dia”, afirmou.
A
Prefeitura argumenta que está providenciando a coleta do material. A retirada de colchões e papelões das
pessoas em situação de rua pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi duramente
criticada e resultou na edição de um decreto impedindo agentes públicos de
tomar bens dessa população. “Em função da
grande quantidade de cobertores distribuídos de forma voluntária e extemporânea
nos últimos dias, o material foi tratado como descartável pelos eventuais
usuários”, informou a Prefeitura, em nota, ao comentar o material
acumulado.
O
abandono do material no centro foi justificado com a afirmação de que “as
equipes da Guarda e da zeladoria, depois de serem acusadas de ter concorrido
para os óbitos da semana passada, estão receosas de novas acusações
infundadas”. Ainda segundo a nota oficial, a
Prefeitura tomou providências “no sentido de tranquilizar servidores, temerosos
com o uso político que tem se adotado sobre as ações regulares de zeladoria”,
encerra o texto.
Um
servidor público de 30 anos, que organiza doações com amigos e pediu para não
ter o nome divulgado, afirmou que a
imagem dos cobertores largados deve motivar as pessoas a diversificar o
material a ser doado. [...]
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