O “amor” vem pela internet!
Tinder só para maiores
Jairo Bouer
Menores frequentam sites de relacionamento,
proibir seria a solução?
TINDER é o mais famoso aplicativo para promover encontros entre pessoas, mas... |
A
partir da semana que vem, o aplicativo
de encontros Tinder só poderá ser
usado por quem tem mais de 18 anos. A empresa anunciou a medida como forma de
proteger os mais novos.
Para
quem não conhece, a plataforma é a maior
do gênero e permite que as pessoas encontrem pares românticos nas proximidades
de onde estão, graças ao sistema de localização dos celulares. Para um “match” (encontro), os dois têm de se
curtir. A partir daí, podem trocar mensagens e, eventualmente, marcar um
momento “real”. Segundo informações do site Olhar
Digital, mais de 11 bilhões de
conexões já foram feitas no mundo por pessoas que usam o aplicativo.
Os adolescentes de 13 a 17
anos podiam ter perfis no Tinder, mas ele só autorizava troca de mensagens com
jovens da mesma faixa de idade. Agora isso não será mais permitido. Esses jovens representam apenas 3% do
público que usa o aplicativo.
No
último ano, tanto o Tinder como
outros aplicativos de encontro estiveram na mira de especialistas em saúde
pública e comportamento nos Estados Unidos e na Europa por, de alguma forma,
estarem sendo associados a um aumento do
número de doenças transmitidas pelo sexo (incluindo HIV), principalmente entre
os mais jovens. Na Califórnia, por exemplo, outdoors foram espalhados pelas
ruas alertando sobre o maior risco de contaminação por gonorreia para as
meninas que utilizavam o aplicativo.
O
motivo, segundo os especialistas, é que ao
marcar encontros imediatos e agindo, muitas vezes, por impulso, as pessoas
tenderiam a se proteger menos na hora do sexo. Além disso, conhecer alguém
pelo aplicativo poderia criar uma falsa sensação de intimidade e segurança, o
que também faria com que as pessoas baixassem a guarda na hora de usar camisinha.
A
nova medida anunciada pode ser inócua se for feita isoladamente. Uma das
questões é que o aplicativo usa dados de
outras redes sociais, como o Facebook, onde informações sobre a idade podem ser
alteradas e até mesmo perfis falsos podem ser criados pelos usuários.
Como
com qualquer tipo de proibição ou restrição total de acesso na internet, o
alcance da medida pode ser muito limitado. É
muito mais produtivo, nesse sentido, que os mais novos sejam educados para o
uso da tecnologia e pais e professores possam se capacitar para perceber
eventuais mudanças de comportamento e, então, discutir com os jovens os
impactos das suas atitudes. Bom lembrar que em prevenção, conversar e negociar é sempre melhor do que proibir e impedir.
PUBERDADE PRECOCE OU TARDIA PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS À SAÚDE, REVELA PESQUISA |
Puberdade
e saúde sexual
Um
novo estudo no campo da saúde reprodutiva dos jovens, divulgado na última
semana, sugere que o início mais precoce
ou mais tardio dos sinais da puberdade nos garotos (pelos pubianos, voz
mais grossa, crescimento dos órgãos genitais) pode ter impacto em sua vida sexual e em sua saúde em geral.
Cerca
de 1 mil jovens dinamarqueses de 19 anos que estavam se alistando no serviço
militar do País entre 2008 e 2012 responderam um questionário sobre o início de
sua puberdade (que acontece entre 9 e 14 anos) e tiveram amostras colhidas de
sangue e sêmen. Os resultados foram publicados no periódico Human Reproduction e divulgados pelo
site Medical News Today.
Aqueles que iniciaram a
puberdade mais tarde tinham pior qualidade do esperma (número, morfologia e motilidade
dos espermatozoides), menor tamanho dos
testículos e taxas mais baixas de testosterona (hormônio sexual masculino),
o que, em teoria, poderia comprometer sua fertilidade. Segundo os
pesquisadores, uma ressalva é que parte
deles ainda poderia estar em processo de maturação sexual.
Aqueles que iniciaram as
transformações corporais mais cedo eram mais baixos, tinham maior IMC (índice de massa corpórea, que indica sobrepeso e obesidade), maior chance de terem sido expostos ao
tabaco na gestação, maior risco de serem fumantes e taxas mais elevadas de DSTs
(doenças transmitidas pelo sexo).
Se
os dados do trabalho forem confirmados por outros estudos, eles podem indicar
que o início da puberdade deve merecer
atenção especial dos pais e médicos quando for muito precoce ou muito tardio.
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