Preocupante: Zika fez crescer pedido de pílulas abortivas!
Fábio de Castro
Brasil é destaque, com 1.210
solicitações, 108% mais do que o
esperado por ONG que fornece
medicamento
A preocupação com as complicações na gravidez
relacionadas ao vírus zika aumentou a demanda por abortos em países da América
Latina - com destaque para o Brasil -, de acordo com um novo estudo publicado
na quarta-feira pela revista científica New
England Journal of Medicine.
Os cientistas avaliaram os pedidos feitos pela
internet à ONG holandesa Women on Web (WoW). A
organização fornece acesso gratuito a medicamentos abortivos em países onde
o aborto seguro não está universalmente disponível, por ser ilegal ou aceito
com restrições.
De acordo com os cientistas, em quase todos os
países onde há epidemia de zika e restrições legais ao aborto, o número de
pedidos para o auxílio ao procedimento foi bem maior que o esperado. No Brasil, no Equador e na Venezuela, os
pedidos à ONG somam o dobro da expectativa.
Os pesquisadores analisaram os pedidos feitos à ONG
entre 17 de novembro de 2015, quando a Organização Pan-Americana de Saúde
(Opas) declarou alerta epidemiológico para a zika no continente, e o dia 2 de
março de 2016.
Segundo o estudo, antes do alerta da Opas, a
expectativa da ONG era de 581 pedidos de brasileiras nesse período. Mas, depois
do alerta, foram feitos 1.210 pedidos - uma diferença de 108%.
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ABIGAIL AIKEN - Universidade do Texas |
Nos países onde não houve alertas de saúde
relacionados à zika, as diferenças entre o número esperado e o número real de
pedidos de aborto no período foram estatisticamente irrelevantes, segundo o
estudo.
"É
difícil obter dados confiáveis sobre as escolhas das mulheres grávidas na América
Latina. Portanto, nossa abordagem pode estar subestimando o impacto do
alerta de saúde pública sobre os pedidos de aborto, já que muitas mulheres podem ter utilizado métodos inseguros ou podem
ter recorrido a fornecedores clandestinos", disse uma das autoras do
estudo, Abigail Aiken, da
Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos.
Outra autora, Catherine
Aiken, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), destacou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê
4 milhões de casos de zika nas Américas, o que fará com que o vírus
inevitavelmente se alastre para novos países.
Fonte:
O Estado de S. Paulo – Saúde – Quinta-feira, 23 de
junho de 2016 – Pág. A21 – Internet: clique aqui.
Brasil tem 1.616 casos
confirmados de microcefalia
Agência Estado e Agências Internacionais
Número de mortes suspeitas
de má-formação chega a 324;
com medo de zika, atleta
irlandês desiste de Olimpíada
O Ministério
da Saúde informou nesta quarta-feira, 22 de junho, que o Brasil tem 1.616 casos confirmados de microcefalia – destes, 233
foram causados por infecção pelo vírus da zika, detectado em exames
laboratoriais.
Os casos
confirmados de microcefalia ocorrem em 576 municípios brasileiros, em todas
os Estados do País e no Distrito Federal. O
Ministério ainda investiga outros 3.007 casos da má-formação.
Desde outubro do ano passado, início do surto de
zika, foram registradas 324 mortes
suspeitas de microcefalia ou alteração no sistema nervoso central. Os
óbitos ocorreram após o parto ou durante a gestação.
O Estado de
Pernambuco é o que registra o maior
número de casos confirmados de microcefalia (366), seguido da Bahia (263) e da Paraíba (143).
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RORY McILROY - jogador de golfe irlandês |
Olimpíada
Por causa do surto de zika, o atleta irlandês Rory McIlroy, um dos maiores jogadores de golfe
da atualidade, disse nesta quarta-feira, 22, que não vai participar dos Jogos Olímpicos. A competição começará em
agosto, no Rio.
“Minha saúde
e a saúde minha família vêm antes de qualquer coisa", disse McIlroy em
um comunicado. "Apesar do risco de
infecção por zika ser considerado baixo, ainda assim é um risco que eu não
estou disposto a correr".
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