Mães pedem socorro ! ! !
As mães de hoje avisam: precisam de ajuda
Edison Veiga e
Paula Felix
Pesquisa mostra que, exaustas, muitas já até esqueceram
o filho em loja ou na escola
A SOMA DE CUIDAR DOS FILHOS, CUIDAR DA CASA E, ALGUMAS VEZES, TRABALHAR FORA SOBRECARREGA DEMAIS AS MÃES! |
As
mães precisam de ajuda e nem todo mundo percebe isso. A rotina é tão cansativa e diferente da mostrada em propagandas que
algumas chegam a esquecer os filhos em locais públicos ou permitem que eles
durmam em suas camas por falta de energia para fazê-los dormir sozinhos.
Elas não querem o rótulo de “mães perfeitas”, que têm dedicação exclusiva às
crianças: a mãe brasileira se define
como alguém que “ama seus filhos, mas também ama o seu trabalho, seu parceiro e
tem outros objetivos na vida”.
O
perfil foi traçado pela pesquisa A Nova
Mãe Brasileira, feita pelo Instituto
Qualibest e pelo site Mulheres
Incríveis. Foram ouvidas 1.317 mil mães, todas com mais de 18 anos – 81%
delas têm de um a dois filhos.
Dois terços das mães
brasileiras consideram a rotina difícil, exaustiva ou impossível. Apenas 9% dizem se
identificar com a imagem da mãe que aparece na mídia e 70% também afirmaram que se sentem julgadas ou cobradas.
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SE O MARIDO E OS FILHOS AJUDAREM NAS TAREFAS DE CASA, A VIDA DAS MÃES TORNA-SE MAIS LEVE! |
“Chamou-nos
a atenção que, quando solicitamos às entrevistadas que fizessem um pedido, 40% disseram
querer ajuda nas atividades domésticas”, afirma a jornalista Brenda
Fucuta, idealizadora da pesquisa. “Ela quer mais ajuda para cuidar da casa do
que dos filhos: isso mostra que ser mãe é difícil, mas a grande questão é resolver a administração da casa.” O desafio
atual da mãe brasileira parece ser envolver
o cônjuge e as crianças nas tarefas domésticas.
Atitudes
A
pesquisa perguntou às mães se elas já
tomaram alguma atitude com os filhos que consideram constrangedora ou
vergonhosa:
* “Dei umas palmadas”,
responderam 33%.
* “Deixei ele ficar
assistindo TV ou vídeos na internet para eu poder descansar, dormir ou fazer
alguma outra atividade do meu interesse” (28%),
* “Ofereci comida
industrializada” (21%),
* “Já ameacei ir embora de
casa e deixá-lo para outros cuidarem” (15%),
* “Já dei uma surra” (10%),
* “Já dei remédio para que
ele se acalmasse” (3%),
* “Deixei-o trancado sozinho
em casa” (2%),
* “Esqueci-o numa loja ou na
escola” (2%).
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LUCIANA CATTONY (e Henrique, seu filho) criou o site "Maternidade Real" |
De
certa forma, os dados da pesquisa mostram que há uma discrepância entre o discurso-padrão da maternidade sonhada com
a vida real enfrentada pelas mães, em que dificuldades se somam aos
prazeres. Foi por vivenciar isso na pele que a publicitária Luciana Cattony, de 38 anos, decidiu
criar o site Maternidade Real.
Ela é mãe de Henrique, de 5 anos. “Quero
dar leveza e alegria para as mães, mas ninguém fala sobre o lado difícil da
maternidade. Isso também é importante.”
Desde
maio, a cineasta Helen Ramos, de 29
anos, “desromantiza” a maternidade em seu canal Hel Mother,
no YouTube. As experiências com o filho Caetano, de 2 anos, estão entre os
temas abordados. “Ninguém chegava antigamente e até recentemente para falar que
a amamentação será difícil, todo mundo só falava que é o maior amor do mundo.
Depois que eu tive filho, percebi como foi importante saber a verdade.” Helen diz que é fundamental que mais
mulheres falem sobre suas dificuldades e consigam pedir ajuda para as pessoas
que estão ao seu redor.
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HELEN RAMOS criou um canal para mães no YouTube: "Hel Mother" |
A
designer e ilustradora Thaiz Leão,
de 26 anos, mãe de Vicente, de 2, chegou à maternidade com as referências de
“mãe ideal” passadas por filmes e propagandas, e se deparou com uma situação
completamente diferente. “Eles mentiram para mim, pelo menos em parte. Eu não sabia que iria dormir tão pouco, eu
não sabia que um bebê tinha tantas necessidades e que, para algumas delas, eu
seria impotente. Eu achava que estaria no controle, mas esquece, não havia
controle algum.” Foi assim que ela resolveu fazer ilustrações sobre o tema e
criou a página Mãe Solo.
Realidade
“As
famílias que aparecem na mídia para vender margarina trabalham com a imagem da
família e mães ideais. Mas a família real não é assim o tempo todo. Existem
conflitos, separações e todos os outros sentimentos, porque são seres humanos. Se o meu real está muito longe disso, gera
um conflito com consequências diferentes para as diferentes pessoas”,
avalia a psicóloga Ceneide Maria de
Oliveira Cerveny, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e
autora do livro A Família como Modelo
[Ed. Livro Pleno].
Gabriela Malzyner, professora do curso de
formação em psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP/SP), diz que
as mães não precisam buscar uma fórmula para exercer a maternidade. “A mãe tem
de trabalhar, sair com o marido e com os amigos. Essas trocas são importantes,
porque o bebê tem de entender que ele
não é o único interesse da mãe, isso pode ser nocivo para ambos.”
“Não conheço nenhuma mãe que não ame seu
filho acima de qualquer coisa, mas todas têm algo para desabafar.”
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