Quanto dinheiro público desperdiçado ! ! !
Brasil tem cerca de 5 mil obras paradas
Renée Pereira
Avaliados em R$ 15 bilhões e sem perspectivas de serem
retomados,
projetos abrangem de construção de ferrovias a obras de
saneamento
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MUSEU DE HISTÓRIA DE SÃO PAULO Esta obra foi paralisada há mais de seis meses, com 80% da construção concluída Foto: Hélvio Romero / Estadão |
De Norte a Sul do Brasil,
milhares de empreendimentos iniciados com o dinheiro público estão parados, sem perspectiva de
retomada. Um levantamento feito pelo jornal O
Estado de S. Paulo mostra que há, pelo menos, 5 mil obras paralisadas no
País inteiro, num total de investimentos
de mais de R$ 15 bilhões. Os projetos estão espalhados por vários setores e
incluem restauração e pavimentação de rodovias, expansão de ferrovias, escolas,
construção de prédios públicos e saneamento básico.
O trabalho foi elaborado com
base em informações dos tribunais de contas dos Estados (TCEs), programas online de acompanhamento de obras
e levantamento dos Ministérios de
Cidades, Integração Nacional e Transportes a pedido da reportagem. Embora
seja alarmante, o resultado pode ser considerado conservador: de todos os TCEs
consultados, dez tinham acompanhamento dos projetos (municipais e estaduais),
como o tribunal do Paraná, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
[Isso quer dizer que o total de obras paralisadas e
de dinheiro do povo jogado fora deve ser maior!]
Os prejuízos causados pela
paralisação de obras são incalculáveis, afirmam especialistas. Além do transtorno para a
população, que não contará com os benefícios dos projetos, a situação representa um grande prejuízo para os cofres públicos, com o
inevitável aumento dos custos numa retomada da obra. Outro reflexo está
estampado no crescente avanço do desemprego no País.
Importante
indutor de emprego e renda, o setor da
construção já demitiu mais de 700 mil pessoas com carteira assinada de novembro
de 2014 para cá. “A situação piorou muito no último ano. As obras que não
pararam estão com ritmo bastante lento”, afirma o presidente da Confederação
Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins.
Com
o País afundado numa das piores crises da história, falta dinheiro para quase tudo, especialmente para a continuidade dos
investimentos. O problema é que a deterioração das contas do governo
federal tem um efeito cascata nas finanças de Estados e municípios, que hoje
não têm dinheiro nem para pagar os funcionários públicos. Com as contas no vermelho, a medida mais fácil – e mais perversa – é
cortar investimentos. “Boa parte das
obras dos governos estaduais e municipais é feita com recursos de convênios do
governo federal. Eles não têm recursos para tocar os projetos”, afirma
Martins.
O
enfraquecimento da economia brasileira, no entanto, é apenas um dos motivos da
paralisia generalizada de obras Brasil afora. Há questões crônicas como projetos malfeitos, burocracia, entraves
ambientais e falta de planejamento. Na pressa para começar a construção,
muitas obras começam sem ter um projeto executivo adequado – medida que atrasa
os empreendimentos e dá margem à corrupção.
“A falta de planejamento é
muito presente nas obras públicas”, afirma o auditor Alfredo Montezuma, do Núcleo de
Engenharia do TCE de Pernambuco. Ele afirma que o Estado tem hoje 514 obras
paradas, no valor de R$ 3,7 bilhões. Outros 913 projetos, cujos contratos somam
R$ 3,08 bilhões, estão em fase de análise e têm indícios de paralisação.
[...]
Enquanto isso, o Brasil
sofre com uma infraestrutura precária e com baixas taxas de investimentos, que
neste ano recuaram para em 16,9%. Mas, nem mesmo nos tempos de bonança, o País
conseguiu superar 21%, taxa considerada mínima para uma nação em desenvolvimento.
Um dos motivos é a dificuldade de levar
adiante os empreendimentos, seja em qual for a esfera pública, se federal,
estadual ou municipal. [Nós temos, no Brasil,
uma quantidade enorme de leis e normas que entravam a elaboração, contratação
e execução
de projetos públicos! Mas, por outro lado, essa ineficiente burocracia não
impede – quem sabe, até ajude – a corrupção e desvio de verbas públicas!]
OBRAS IMPORTANTES NA ÁREA DA SAÚDE ESTÃO PARADAS É o caso desta UBS em Alto Alegre (Roraima) |
PROJETOS
* No Paraná, por exemplo, um
total de 314 municípios estão com 2.081 obras paradas;
* em Minas Gerais, 224 [obras paralisadas];
* Rio Grande do Sul, 345; e
* Santa Catarina, 154 projetos.
No governo federal:
* o Ministério de Cidades informou que tem 311 empreendimentos parados no Minha
Casa Minha Vida e no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
* Já a carteira do Ministério de Integração Nacional está
com 35% das obras paralisadas e 24,5% em
ritmo lento.
* Nos
Transportes, são 43 projetos.
Na
opinião do economista Cláudio Frischtak,
da consultoria Inter.B., os governos
terão de priorizar empreendimentos para tentar mudar esse quadro. “É preciso definir o que dá para tocar
adiante e o que pode ser transferido para a iniciativa privada.”
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Economia –
Domingo, 3 de julho de 2016 – Pág. B7 – Internet: clique aqui.
E... quando
obras são concluídas, ficam ociosas!
Nos trilhos, um retrato do desperdício
André Borges
Inoperância do governo deixa trecho de 855 km já
concluído da
Ferrovia Norte-Sul sem utilização há mais de dois anos
PÁTIO DE ANÁPOLIS (GOIÁS) DA FERROVIA NORTE-SUL subutilizado, está aguardando, até hoje, a chegada dos trens!!! Foto: Dida Sampaio / Estadão |
Com
um atraso secular em suas metas de expansão e de investimentos em ferrovias, há mais de dois anos o Brasil se dá ao luxo
de simplesmente abrir mão do uso de uma ferrovia pronta e moderna, uma
estrutura que já custou mais de R$ 4,2 bilhões aos cofres públicos e que
poderia ter iniciado uma revolução no mapa logístico nacional. [Isso mesmo! Uma obra que, até agora, custou mais de 4
bilhões sem utilização! Mais um exemplo da “eficiência”
petista de Dilma Rousseff!]
A
revolução não veio. No lugar dela, o que se vê no trecho de 855 km da Ferrovia Norte-Sul, entre Palmas (TO) e Anápolis
(GO) é o retrato do desperdício e da irresponsabilidade com o bem público.
Na
manhã de 22 de maio de 2014, a conclusão desse trecho da Norte-Sul foi motivo
de comemoração e ato eleitoral. Na ocasião, a presidente afastada Dilma Rousseff esteve em Anápolis,
passeou numa locomotiva e inaugurou o eixo central da “coluna vertebral” do
Brasil, empreendimento que reduziria os
custos de frete em pelo menos 30% e poderia gerar negócios da ordem de US$ 12
bilhões por ano, ao mudar a cara do transporte de carga e impulsionar a
arrecadação de impostos.
Desde então, nem meia dúzia
de comboios de carga passou pelo trecho. No fim do ano passado, alguns vagões carregados de
21 mil toneladas de farelo de soja subiram por ali. Outras 18 locomotivas da
empresa de logística VLI, que pertence à mineradora Vale, usaram o traçado para
acessar a parte superior da Norte-Sul onde a VLI já atua há quase dez anos,
entre Palmas e Açailândia (MA). Trata-se
de um nada, se comparado ao potencial efetivo da malha.
Para
se ter uma ideia, só os novos terminais
que a VLI acaba de erguer na Norte-Sul, no município de Porto Nacional (TO),
têm capacidade de movimentar 2,6 milhões de toneladas por ano. Em Anápolis,
um parque logístico já está ocupado por dezenas de grandes empresas que
aportaram bilhões de reais no polo, mas ainda espera-se o dia em que a
circulação dos trens passará a ser rotina sobre os seis ramais do pátio da
Norte-Sul, preparado para o transbordo da carga. [...]
GERALDO GOMES PINTO é agricultor do município de Santa Isabel (Goiás) e aguarda até hoje o progresso anunciado quando o presidente da Valec, o renomado e processado "Juquinha", desceu de helicóptero em seu quintal no dia 23 de outubro de 2010 e anunciou a "melhoria da vida de todos naquele lugar"! Foto: Dida Sampaio / Estadão |
ESTOURO
O
martírio dos projetos ferroviários não se limita a trechos prontos que seguem
subutilizados. Na Norte-Sul e na
Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, os escândalos
financeiros circulam em alta velocidade sobre o traçado de obras sem
data para serem entregues.
O jornal
O Estado de S. Paulo teve acesso a um
levantamento detalhado de cada contrato e seus respectivos termos aditivos
firmados com as empreiteiras que atuam
na Norte-Sul – no trecho de 682 km entre Ouro Verde (GO) e Estrela D’Oeste (SP)
– e também nos 1.527 km projetados para
a Fiol, malha que vai cortar a Bahia de leste a oeste, até chegar a Ilhéus,
no litoral.
Um
olhar sobre as contas e contratos que forjaram cada metro de trilho lançado
nesses dois projetos pela Valec ajuda a enxergar a dimensão do abismo
financeiro em que se converteram essas obras. Os dados da Valec, estatal
responsável pelas ferrovias, apontam que essas duas obras já acumulam um total
de 123 termos aditivos até agora. [Os aditivos ou adicionais que são uma
rotina nos contratos de obras públicas no Brasil, é uma das principais maneiras
das empreiteiras ganharem mais do que prometeram cobrar pelas obras, bem como,
de haver mais propinas aos políticos e funcionários públicos envolvidos!]
Somados, os dois projetos já
tiveram seus orçamentos ampliados em mais de R$ 4,8 bilhões, entre reajustes
contratuais, correções de projetos de engenharia, constantes paralisações e
esquemas de corrupção. É dinheiro mais
do que suficiente para construir do zero outro trecho da Norte-Sul. [É por isso que não há dinheiro que baste para melhorar a infraestrutura
de um País tão carente nessa área como o Brasil!]
Na
última semana, as duas ferrovias foram alvo da Operação Tabela Periódica, da Polícia Federal. Com apoio de mais de
250 agentes policiais e outros servidores, a
operação desbaratou um cartel de empreiteiras que há anos atua nos
empreendimentos.
O trecho sul da Norte-Sul, que teve as obras
anunciadas em meados de 2007, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), viu seu preço saltar
de R$ 2,7 bilhões para R$ 5,1 bilhões, segundo a estimativa mais recente.
Previsto para ser entregue em dezembro de 2012, o trecho teve sua conclusão
prorrogada novamente, dessa vez para julho de 2017.
Na Fiol, as obras da malha de 1 mil km entre os municípios de Barreiras e
Ilhéus, inicialmente avaliadas em R$ 4,2 bilhões, agora chegam em R$ 6,4
bilhões. Ignorada no plano de concessões do governo, a Fiol tem sido
encarada como uma “dor de cabeça” quando o assunto é discussão sobre
investimentos, apesar de o projeto já
ter dragado R$ 3 bilhões em recursos públicos. [E
durante os governos Lula e Dilma, não é mesmo PT?]
Sobre
os 500 km restantes que ligariam a ferrovia à Norte-Sul, em Figueirópolis (TO),
o que existe até hoje são pilhas de papéis, nada mais.
REAJUSTE
O
rombo financeiro nos projetos não assusta o atual presidente da Valec, Mário Rodrigues Júnior. “Não é valor
adicional, é reajuste. Se minha obra demorar cinco anos, ela vai ter cinco
reajustes”, justifica Rodrigues. Questionado se um estouro de R$ 4,8 bilhões no
orçamento lhe parece razoável, Rodrigues reage com certa naturalidade: “Eu acho
que sim”. [É porque o dinheiro não sai nem sairá do
bolso dele!]
Lançada pelo então
presidente José Sarney, no anos 80, a Norte-Sul atravessou duas décadas de abandono e
passou por dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tendo
avançado apenas 215 km. Sua retomada
ocorreu em 2007, quando Lula reativou a Valec e trouxe para seu comando José
Francisco das Neves, mais conhecido como Juquinha. Em 2011, Juquinha chegou
a ser preso pela Polícia Federal em decorrência de investigações que apuravam
desvio de recursos e superfaturamento nas ferrovias. No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) em Brasília pediu a
condenação de Juquinha e de Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo, outro
ex-presidente da estatal. Mais seis pessoas também foram alvos da denúncia,
por causa de desvios de R$ 23,1 milhões dos cofres da empresa.
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É TUDO UM ABSURDO ! ! ! LEIA COM ATENÇÃO AS INFORMAÇÕES ACIMA. |
CAUSA DESSE ABANDONO!
Anos
de planejamento, sem definição
O
que levou a Ferrovia Norte-Sul a ter um trecho de 855 km de extensão pronto há
mais de dois anos, mas praticamente sem uso até hoje, está diretamente
relacionado às indefinições sobre qual
modelo de concessão será finalmente utilizado pelo governo para conceder o
trecho.
Foram gastos mais de quatro
anos em estudos e contratações de consultorias especializadas para montar um
modelo aberto e concorrencial do uso da malha. O modelo conhecido como “open access” era defendido ferrenhamente
por técnicos da Valec e pela presidente afastada Dilma Rousseff, porque
prometia quebrar o monopólio nas antigas outorgas de ferrovias, levando mais
competição para o setor.
A ideia, basicamente, era
abrir a ferrovia para várias empresas de logística, que comprariam da Valec a
capacidade de transporte da malha, prestando serviço para quem quisesse
transportar suas cargas. A estratégia chegou a atrair interessados, mas o governo, pressionado
pela necessidade de fazer caixa, resolveu rasgar o que passou anos planejando
para voltar ao tradicional modelo já explorado pelos ex-presidentes Fernando
Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: a oferta para um único operador, que paga um valor de outorga em leilão
para ser o dono do trecho.
Foi
o que Lula fez em 2007, por exemplo, com a mineradora
Vale, que desembolsou R$ 1,4 bilhão
para ter exclusividade na operação de um trecho de 719 km da Norte-Sul, entre
os municípios de Palmas (TO) e Açailândia (MA), onde a malha se conecta à
Estrada de Ferro Carajás e segue até o Porto de Itaqui, no Maranhão.
Apesar
de ter definido o retorno para a “concessão vertical” das ferrovias, ainda não estão claras quais serão as
condições em que os trechos prontos – e aqueles próximos de serem concluídos –
serão repassados para a iniciativa privada. Até o ano passado, o governo
havia decidido que as novas concessões exigiriam a construção de novos trechos.
Neste ano, o plano foi abandonado. Recentemente, o governo anunciou outra
alternativa, desta vez vinculando a concessão da Norte-Sul, por exemplo, a um
terminal portuário em Barcarena, no Maranhão.
“O futuro das ferrovias e de
todo o setor depende da clareza dessas regras e da definição de um marco
regulatório. A cada dia fala-se de uma alternativa diferente”, comenta Carlos Campos, coordenador de
infraestrutura do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea). “Essa situação continua a reproduzir um clima de insegurança jurídica grande entre
os investidores. Enquanto essa situação não se resolver, seguiremos com
ferrovias paradas.”
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