O que a Igreja quer para ao jovem
JUVENTUDE DA “JORNADA” EM MISSÃO
Dom Reginaldo
Andrietta*
Bispo
Diocesano de Jales – SP
Testemunho de um bispo que já vivenciou quatro
Jornadas Internacionais da Juventude, e constata que:
“a vida da juventude não se transforma para melhor,
somente por encontros, mesmo que sejam grandes e belos, senão por ações em suas
mais variadas realidades quotidianas”.
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DOM JOSÉ REGINALDO ANDRIETTA - Bispo Diocesano de Jales (SP) |
A Igreja Católica, ao
contrário do que muitos pensam, mobiliza muitíssimos jovens. As Jornadas Mundiais da
Juventude dão provas disso, chegando, em uma ou outra, a reunir 4 milhões. Dou
aqui um testemunho sobre minha participação nessas Jornadas, partilhando
questões para colaborar com o objetivo de João Paulo II, seu inspirador: “fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da
vida de cada jovem para que Ele possa ser seu ponto de referência constante e
inspiração”.
Estive
com muitos jovens na Jornada do Rio,
em 2013. Vivi o que os meios de comunicação mostraram e o que não mostraram. A
mídia centrou-se no Papa e nas grandes concentrações. Eu, particularmente,
procurei observar a experiência vivida pela juventude. Tendo participado,
também, em outras três Jornadas Mundiais e em muitos outros encontros de Igreja
em âmbito internacional, eu já imaginava as belíssimas mensagens dirigidas aos
jovens, através de catequeses, shows e celebrações “espetaculares”.
Alegraram-me as palavras
contundentes e desafiadoras do Papa Francisco. Vale a pena retomá-las e ver suas
implicações práticas. Pergunto-me, no
entanto:
* o
que disseram os próprios jovens, além de alguns testemunhos?
* O que intercambiaram, além
das expressões de afeto, bandeiras e lembrancinhas?
* O que conheceram uns dos
outros?
* Quais problemas debateram?
* Quais desafios
identificaram?
* Quais ações decidiram
implementar juntos?
Como
muitos, aguardo respostas.
Os
jovens necessitam sentir a força que emerge de grandes concentrações em torno
de ícones do catolicismo, como o Papa. Porém, necessitam reconhecer a força que também pode emergir da partilha de
suas experiências de vida, do debate sobre a realidade que os envolve, de sua
própria interpretação da realidade à luz da Palavra de Deus, e de um
programa de ações comuns que, além de impactar suas vidas pessoais, visem
transformar estruturas globais da sociedade.
Muitos
jovens terminaram aquela Jornada do Rio visualizando participarem na destes
dias, em Cracóvia, Polônia. Muitos regressarão desta, pensando, também, na seguinte.
As companhias aéreas agradecem. Como
fica, no entanto, o compromisso desses jovens em suas Dioceses e comunidades? Compete-lhes
partilhar o que viram, debater o que ouviram, avaliar o que viveram e,
sobretudo, colocar em prática o que
aprenderam. O que farão de significativo neste sentido?
Na
dúvida, teço elogios aos que,
participando ou não de Jornadas, desenvolvem seus engajamentos missionários.
Para manter aceso este espírito missionário, foi inclusive criado, logo após a
Jornada do Rio, o projeto “Rota 300”, em relação com os 300 anos do
encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, que será comemorado em 2017. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
está dando um caráter juvenil a este projeto, como forma de impulsionar o
espírito missionário da juventude.
Teço também elogios aos
jovens que avançam em suas ações desde seus ambientes de vida, sendo participantes ou não
de Jornadas Mundiais, mas sempre comprometidos com seu objetivo fundamental.
Afinal, a vida da juventude não se
transforma para melhor, somente por encontros, mesmo que sejam grandes e belos,
senão por ações em suas mais variadas realidades quotidianas. Que os
participantes de Jornadas Mundiais da Juventude reflitam sobre esse desafio!
Que
todos, finalmente, façamos confiança nos jovens. “Cristo bota fé nos jovens”. Essas palavras do Papa Francisco na
Jornada do Rio, ecoam na Jornada de Cracóvia, desafiando os jovens a serem verdadeiramente missionários desde suas
realidades, transformando-as. Que os mesmos tenham bem presentes em suas
mentes, orações e ações, sobretudo os jovens, onde quer que estejam, vivendo
experiências de exclusão! Que “saiam”, então, em missão!
Assista à missa de abertura da Jornada Mundial da
Juventude,
realizada ontem, terça-feira, em Cracóvia (Polônia),
clicando sobre a imagem abaixo:
* D. JOSÉ REGINALDO ANDRIETTA é natural de
Pirassununga (SP), onde nasceu no dia 7 de março de 1957. Recebeu a ordenação
presbiteral no dia 18 de março de 1983, na paróquia Senhor Bom Jesus dos
Aflitos, em sua cidade natal. Foi nomeado bispo diocesano de Jales, no interior
do Estado de São Paulo, no dia 21 de outubro de 2015 pela S.S. Papa Francisco e
sua ordenação episcopal se deu na Basílica Santuário Santo Antônio de Pádua, em
Americana (SP), Diocese de Limeira (SP). Possui bacharelado em Filosofia e
Teologia pela Pontifícia Universidade
Católica de Campinas (SP). É especialista em Catequese pelo Instituto Internacional de Catequese e Pastoral Lumen Vitae,
Bruxelas, na Bélgica e Catequese e Pastoral pela Universidade Católica de Lovaina, Louvain-la-Neuve, Bélgica. Em 2009, concluiu o mestrado em Teologia
Pastoral também pela Universidade Católica
de Lovaina. Foi assessor da Juventude
Operária Católica (JOC) Brasileira
nos anos 1980, da JOC América e
também da JOC Internacional.
Impulsionou processos de extensão da JOC na Argentina e nos Estados Unidos.
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