Só pela pressão, mesmo!!!
Nada é coincidência
Dora Kramer
Pacote de leis anticorrupção enfrenta resistência
semelhante à
que sofreu a Lei da Ficha Limpa
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CONGRESSO NACIONAL EM BRASÍLIA - DF Sem pressão sobre os Deputados e Senadores, nenhuma proposta de combate à corrupção será aprovada ! ! ! Afinal, isso não é do interesse deles ! ! ! |
Escrita
pelos mesmos autores, a história de resistência à aprovação da Lei da Ficha
Limpa por parte dos congressistas se repete agora na figura cenográfica do pacote de dez
medidas de combate à corrupção apresentado em março no Congresso na
forma de iniciativa popular.
Isso,
mais de seis anos, escândalos, investigações, prisões, condenações e um quase
concluído impeachment presidencial
depois. Primeiro, ao caso presente: com 1 milhão e 300 mil assinaturas, as medidas elaboradas por iniciativa do
Ministério Público Federal e por entidades militantes no tema estão empacadas
na Mesa da Câmara à espera da formação de uma comissão especial, cujo
trabalho enfrenta boicote (na forma de corpo mole) de suas excelências.
As mesmas que na teoria
discursam em prol do combate à corrupção e, na prática, fazem de tudo (ou
melhor, nada) para que as coisas não andem. O deputado que encampou o projeto, Mendes Thame (PV-SP), tentou por vários
dias ser recebido pelo presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão, sem
sucesso. Foi preciso que o deputado
pusesse a boca aos microfones para que, há três semanas, o início dos trabalhos
da comissão fosse formalmente autorizado.
A despeito disso, nada até
agora aconteceu, embora Mendes Thame mantenha a esperança (certamente para não criar
atrito com seus pares e atrasar ainda mais o processo) que nesta semana sejam
indicados pelos partidos os 12 nomes que ainda faltam para completar a
composição do colegiado. As legendas
sócias do poder nos últimos anos, PT e PMDB, eram algumas das faltosas
indicações até ontem à tarde. [E ainda tem
gente que continua acreditando no PT!!! O partido não tem feito esforço algum
para ver as propostas de lei
anticorrupção progredirem no Congresso! Agora, para gritar contra o “golpe”,
isso fazem todos os dias!!! Que coerência, hein?!]
Agora,
ao caso passado: talvez seja coincidência, embora não pareça, foram justamente esses dois partidos a se
render às evidências, aderindo à Lei da Ficha Limpa. Com óbvia má-vontade. Aprovada em meados de 2010, a regra tornou
inelegíveis durante oito anos candidatos condenados por órgão colegiado,
cassados ou que renunciem para evitar a cassação.
A proposta de ação popular
em prol da limpeza das “fichas” chegou ao Congresso em 24 de setembro de 2009. Poucos deram bola, muitos
“alertaram” para a improbabilidade de aprovação. Um deles, o então presidente
da Câmara Michel Temer. “É difícil
aprovar.”
De
fato, foi. Até que a sociedade entrou em
campo e o ano eleitoral de 2010 fez o restante do serviço: Ficha Limpa aprovada por unanimidade e considerada
válida pelo Supremo Tribunal Federal a partir das eleições municipais de 2012.
Caso não haja essa pressão
de novo, o
senhor e a senhora cujo poder do voto não se transfere, podem ter certeza: vai ficar tudo na mesma.
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EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ) |
Sujeito
oculto
Além
de várias oportunidades de ficar calado – sendo a principal delas quando negou
ter contas no exterior numa CPI –, Eduardo
Cunha já perdeu a presidência da Câmara, perdeu o direito de exercer seu
mandato parlamentar e até mesmo a liberdade de circular na Casa, perdeu a aura
de todo-poderoso, perde a cada dia apoio entre seus pares. Não exercita o voto
nem o comando de voz.
Só não perdeu ainda a
condição formal de deputado e, com ela, o foro especial de Justiça e a
prerrogativa de só ser preso em situação de flagrante em crime inafiançável. Razão (única) pela qual
tenta retardar o desfecho do processo de cassação, mediante atos protelatórios.
Por
menos acusações que as que pesam contra o deputado há gente passando temporada
forçada em Curitiba ou restrita ao perímetro da própria residência com o
tornozelo atado a artefato eletrônico.
De onde o mandato hoje lhe
serve de esconderijo, com a Câmara no papel da caverna. [Até
quando os senhores deputados federais permitirão esse vexame, essa vergonha,
essa desfaçatez??? Lembrem-se, senhores, desta vez o povo não esquecerá!]
Fonte: O Estado de S. Paulo
– Política
– Quarta-feira, 6 de julho de 2016 – Pág. A6 – Internet: clique aqui.
E para comprovar,
veja estes dois exemplos:
Governo tira urgência de pacote contra corrupção
Julia Lindner
e Erich Decat
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ANDRÉ MOURA Deputado pelo PSC de Sergipe e líder do governo Temer na Câmara, afirma que a retirada não é uma manobra. É acompanhar para verificar se isso é verdade! |
O
presidente em exercício Michel Temer vai tirar nesta quarta-feira o regime de
urgência dos três projetos de combate à corrupção propostos pela presidente
afastada Dilma Rousseff, no ano passado, que tramitam atualmente no plenário da
Câmara. A proposta foi feita nesta
terça-feira pela base aliada de Temer na Casa, após reunião com o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Com
a determinação, o governo deve incluir
as propostas a partir da próxima semana na comissão especial que analisará o
projeto 10 Medidas Contra a Corrupção,
apresentado pelo Ministério Público Federal e por uma ação popular que coletou
mais de 2 milhões de assinaturas. Da
reunião com Janot participaram 18 deputados de 14 partidos.
Segundo
o líder do governo, André Moura (PSC-SG),
houve um acordo com Janot para tirar o
regime de urgência das medidas, pois algumas matérias são consideradas
correlatas com os projetos anticorrupção propostos pelo Ministério Público
Federal. Para o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, as
propostas poderão ser compatibilizadas na comissão.
O
pacote de Dilma foi lançado como resposta às manifestações de março de 2015 e
inclui criminalização de caixa 2 e tipificação do crime de enriquecimento
ilícito de agentes públicos.
Moura
diz que a iniciativa se justifica por causa da necessidade de discutir as
propostas, o que poderá ocorrer na comissão
especial para onde os textos serão enviados. A estimativa é de que os
trabalhos durem de dez a 40 sessões plenárias. O líder do governo alegou que o
regime de urgência precisa ser retirado para que outros textos prioritários
para o Planalto sejam apreciados, como a renegociação das dívidas dos Estados e
o projeto que muda regras de exploração do pré-sal.
Partidos
travam criação da comissão
O
parlamentar afirmou que todos os partidos vão indicar nomes para a comissão até
esta quarta-feira, para que o colegiado seja instalado na próxima semana. O
compromisso teria sido firmado na reunião com Janot, que pediu celeridade na análise das matérias. Até a manhã de terça-feira PMDB, PP, PT,
PSC e PC do B não haviam indicado integrantes. Mas, no início da tarde, o
PC do B indicou Angela Albino (SC) e o PMDB, Celso Maldaner (SC), Alexandre
Serfiotis (RJ), Josi Nunes (TO) e Valdir Colatto (SC). Faltam PT e PSC. [Como é? O PT ainda não indicou nome para a comissão de
análise das “10 Medidas Contra a Corrupção”! Entendi!]
Ministro contraria decisão do STF e
Lava Jato reage
Gustavo
Aguiar, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt
Decano Celso de Mello suspende prisão de condenado em
2ª instância, em ato contrário ao entendimento do plenário da Corte; procurador
vê ameaça a acordos de delação
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CELSO DE MELLO Ministro do Supremo Tribunal Federal (Brasília - DF) |
Decano
do Supremo Tribunal Federal [STF], o ministro
Celso de Mello contrariou orientação do plenário e suspendeu um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de
Minas contra um réu condenado por homicídio. A medida foi tomada em meio à
expectativa de que a Corte volte a analisar a prisão antes do trânsito em
julgado - quando se esgotam todas as possibilidades de recurso.
Em
julgamento em fevereiro, por 7 votos a 4, os ministros entenderam que a pena
poderia ser cumprida logo após a confirmação da sentença em segunda instância.
A decisão do decano - ele
foi voto vencido no julgamento de fevereiro - causou reação da força-tarefa da
Operação Lava Jato. O procurador da República Deltan Dallagnol afirmou que a interpretação de que a execução da pena em segundo grau
não é regra "pode prejudicar a realização de acordos de colaboração"
premiada.
"Porque o réu passa a ver o horizonte da
impunidade como algo alcançável. É uma lição básica de negociação que ninguém
faz um acordo quando a existe uma alternativa melhor do que o acordo. Por
que um réu vai admitir os crimes, devolver o que desviou e se submeter a uma
pena se a alternativa é a impunidade?", disse Dalllagnol ao jornal O Estado de S. Paulo.
Encarado
como uma forma de combater a morosidade da Justiça, o entendimento da maioria
do STF tem como defensor o juiz Sérgio
Moro. Na Operação Abismo, deflagrada na segunda-feira, 4 de julho, ele
afirmou em seu despacho que a
"corrupção se alastrou no País porque prisão não é regra". Uma
das consequências do entendimento, por exemplo, é estimular que condenados, na
iminência de serem presos, façam acordo de delação premiada e contribuam com as
investigações.
A
questão se tornou polêmica depois da divulgação de gravações de conversas do
ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em maio. Num dos diálogos, o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), afirma que o Congresso precisa aprovar uma nova lei para
restabelecer as prisões somente após o trânsito em julgado. "A lei diz
que não pode prender depois da segunda instância, e ele aí dá uma decisão,
interpreta isso e acaba isso", disse Renan.
Para entidades e
especialistas, o posicionamento do decano do STF
traz insegurança jurídica.
Celso
de Mello, no entanto, afirmou que a decisão do STF sobre o assunto "não se
reveste de eficácia vinculante", o que significa que a jurisprudência da
Corte "não se impõe à compulsória observância dos juízes e tribunais em
geral".
"Em
nosso sistema jurídico, ninguém pode ser despojado do direito fundamental de
ser considerado inocente até que sobrevenha o trânsito em julgado de sentença
penal condenatória. Ninguém, absolutamente ninguém, pode ser tratado como se
culpado fosse antes que sobrevenha contra ele condenação penal transitada em
julgado", escreveu o ministro, em decisão do dia 1.º deste mês.
[Observação
pessoal: Acontece que, na prática, mais de 99% dos recursos apelando de
condenações em 1ª e 2ª instâncias que chegam ao STF são negados. Isto é, as sentenças
condenatórias anteriores são confirmadas! Os intermináveis recursos e apelações
só servem, no Brasil, para atrasar a condenação de criminosos, prescrever
prazos para condenações e é um expediente usado somente por quem tem dinheiro
para pagar indefinidamente advogados! Em outros países do mundo, há a
possibilidade de execução da pena já a partir da condenação em 2ª instância,
isso não é algo estranho do Direito!]
Neste
semestre, o STF deverá voltar ao tema
para analisar a constitucionalidade da medida.
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JOSÉ ROBALINHO CAVALCANTI Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República |
“Minoria”
O
presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José
Robalinho, afirmou que a posição do
ministro não ajuda nem o STF nem instâncias inferiores. "Isso diminui
a segurança jurídica da decisão, e ele, como decano, sabe disso. Não faz bem a ninguém quando a minoria
começa a desrespeitar decisão colegiada."
Na
avaliação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a decisão não tem
implicação direta no entendimento do STF sobre o caso. "O ministro tem o direito de defender sua posição, mas não seria
normal se o STF mudasse de posição com tão pouco tempo", disse o
presidente da entidade, João Ricardo Costa.
Claudio Langroiva Pereira, professor de Processo
Penal da PUC-SP, considerou a decisão de Celso de Mello acertada ao corroborar
entendimento de convenções internacionais ratificadas pelo Brasil.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
uma das autoras de ação direta de constitucionalidade que pede a revisão da
decisão do Supremo, também é contrária à jurisprudência "preocupante"
da Corte. A entidade prevê que a decisão vai punir acusados injustamente e
desrespeitar o princípio da presunção de inocência. [Engana-me
que eu gosto! Essa afirmação é grave, pois supõe que os julgamentos realizados
nas cortes de 1ª e 2ª instâncias são mal feitos e necessitam ser revisados
sempre! Que um tribunal, como o STF, que julga uma montanha de recursos pode
ser mais eficiente que um tribunal que tem menos processos a serem julgados! No
mínimo, um argumento estranho...]
O
ministro Gilmar Mendes afirmou à reportagem que "continua com a mesma
convicção" - ele votou com a maioria. "Uma coisa é presunção de inocência. Outra coisa é presunção de
inocência de quem vem sendo envolvido sistematicamente em condenações. Tem
de haver uma mitigação do conceito de presunção de inocência."
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