Nove dicas para evitar o consumismo infantil
Fundação Maria
Cecília Souto Vidigal
Mas por que será que o consumismo é tão nocivo para os
pequenos?
Porque
as crianças, motivadas pelos apelos de
mercado – e sem a maturidade necessária –, se tornam consumidoras desde cedo, o que não é necessário, gerando impactos no seu desenvolvimento
físico, cognitivo e emocional, além de contribuir para ampliar problemas
como obesidade infantil, erotização precoce, consumo de álcool e tabaco,
estresse familiar, violência e falta de um brincar livre.
Por
isso, vamos compartilhar nove dicas para ajudar a combater esse consumismo
precoce, extraídas do site Criança e
Consumo:
–
Procure reduzir o tempo de TV da criança
–
Busque canais de TV e páginas da
internet livres de publicidade
–
No intervalo comercial, sugira colocar
no mudo e ensine as crianças a importância disso
– Substitua o tempo de TV por tempo juntos e
passeios ao ar livre
–
Reduza o próprio tempo de TV, tablet e smartphone (telas em geral)
–
Informe às pessoas que passam tempo com seus filhos sobre sua intenção de
reduzir o tempo de telas dos pequenos
–
Comente com as crianças sobre as publicidades que encontrar pelas ruas e nos
ambientes que frequenta para estimular
uma visão crítica
–
Ensine a criança a diferenciar o
programa do intervalo comercial
–
Brinque com as crianças de encontrar
publicidade e marcas em lugares improváveis – clipes de música, filmes,
livros e outros.
O supermercado é uma vitrine de tentações
para a criança e um espaço educativo riquíssimo. Ela pede balas, chocolates,
refrigerantes… O adulto pode explicar os
males que tais produtos fazem à saúde e indicar o que é melhor consumir e se precisa mesmo consumir.
Introduzir
a criança à prática de ler rótulos, desde pequena, é uma boa estratégia. Os
pequenos ouvirão o que o adulto vai ler para eles. Os maiores já dominarão
algumas palavras e essa troca, esse bate-bola sobre o que é adequado ou não, é
uma maneira eficaz de combater a obesidade, por exemplo.
Sugerimos
que você assista ao filme “Criança, a alma do negócio” [clique aqui],
para entender melhor o problema do consumismo na infância e compartilhar com
todo mundo. A direção é da Estela Renner, que também dirigiu o filme “O Começo
da Vida”.
Mais
uma sugestão é você ler, logo abaixo,
a entrevista exclusiva que Mario
Cortella concedeu ao blog, em que ele faz um paralelo entre a publicidade e
o consumo infantil.
Fonte: Fundação Maria
Cecília Souto Vidigal – Primeira Infância – 5 de julho de 2016 – Internet: clique aqui.
Publicidade infantil e consumismo
Uma
conversa com Mario Cortella*
O
professor, filósofo e autor de vários livros, Mario Cortella, concedeu uma
entrevista exclusiva ao nosso blog para falar destes dois temas que preocupam
não só os pais, mas todos que atuam pelo bom desenvolvimento infantil.
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MARIO SERGIO CORTELLA |
Fundação
Maria Cecília Souto Vidigal – A publicidade infantil está aí. Às vezes é
explícita, às vezes dissimulada. Como os pais devem lidar com essa gama de
informações que podem fomentar um perfil consumista nos seus filhos, futuros
adultos?
Mario Sergio
Cortella – Durante
a vida o indivíduo recebe diversos estímulos negativos. A publicidade infantil
é mais um estímulo e caberá aos pais preparar seus filhos para que tenham
clareza do que ela significa. Para isso, os adultos precisam usar a sua
capacidade crítica para discernir o que pode ser aceito e o que faz mal à
criança. Retirá-la do contato com a publicidade não favorecerá o preparo
necessário para a criança lidar com esse e outros estímulos inerentes ao dia a
dia. Não ajudará a evitar a “consumolatria”, o desejo insaciável de comprar.
FMCSV
– A criança quer porque quer um brinquedo inadequado ou que os pais não podem
comprar. Qual a melhor forma de explicar essa situação a ela?
MSC – Não tem como explicar. Uma
criança de quatro anos não consegue conectar causa e efeito. Por isso, nessa
fase, só há uma alternativa: dizer não. Ou seja, a negação àquilo que é
impróprio. Esse é o amor verdadeiro. É o que coloca o “não” no momento em que
ele é necessário. Se a mãe diz que está sem dinheiro, a criança sabe que é
mentira, porque vê os pais comprando outras coisas. Para crianças de cinco ou
seis anos, pode-se fazer uma troca simbólica. Por exemplo: “Eu não pego do seu cofrinho o dinheiro pra
comprar pão. Por isso, não vou usar o dinheiro do pão pra comprar o que você
quer”.
FMCSV
– Como você vê as leis e projetos que restringem a publicidade infantil?
MSC – Há uma boa parte delas que
está pautada no bom senso. Vários publicitários adotaram a autorregulação.
Temos o Conselho Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente (Conanda)
como articulador. No entanto, isso ainda não basta. Precisamos de uma forte
demanda social que faça pressão. Especificamente nesse caso, da criança e do
adolescente, acho importante que haja uma regulamentação, mas não com viés de
censura, porque nesses termos pode-se ampliar demais e perder o sentido. O
ideal é que a construção dessa regulação aconteça por meio de parcerias que,
pelo consenso, determinem os limites para as restrições e exposições.
![]() |
CONVERSAR, LER, BRINCAR JUNTO, PASSEAR... ESSAS SÃO AÇÕES QUE OS PAIS PODEM DESENVOLVER COM OS FILHOS RETIRANDO-OS DA FRENTE DA TV, COMPUTADOR, SMARTPHONE E TABLETS |
FMCSV
– Você acha que a obesidade e o desejo de consumo na infância são influenciados
pela publicidade?
MSC – Acredito que estamos
vivenciando o enfraquecimento da autoridade do adulto. Ambos os casos estão
muito mais ligados a essa realidade do que à publicidade infantil em si. O fato
de a criança se tornar obesa tem muito mais a ver com o mundo externo e a visão
dos adultos. Nesse aspecto, minha preocupação com a publicidade é menor.
Preocupo-me com esses pais e responsáveis pelas crianças. A obesidade é fruto
de uma distorção social dos alimentos. Se a criança tem acesso ao que não é
bom, ao que faz mal, é porque um adulto a colocou em contato com aquilo,
facilitou o seu acesso. Também acho que a publicidade infantil não tem todo
esse peso na “consumolatria”. A criança pode aprender a fazer seus brinquedos,
a elaborar presentes para dar aos amigos, aos pais. Tudo isso precisa ser
ensinado a ela. Não é só a publicidade, não é qualquer publicidade que causa
esses desvios. O que precisamos é rever
de que forma estamos nos formando, de que maneira formamos nossos filhos e
netos.
*
Mario Sergio Cortella é filósofo e escritor, com Mestrado e
Doutorado em Educação, autor de várias obras como “A Escola e o Conhecimento” (Cortez), “Filosofia e Ensino Médio: certas razões, alguns senões, uma proposta”
(Vozes), “Política: Para Não Ser Idiota”,
com Renato Janine Ribeiro (Papirus), “Educação
e Esperança: sete reflexões breves para recusar o biocídio” (PoliSaber), “Educação, Convivência e Ética” (Cortez).
Fonte: Fundação Maria
Cecília Souto Vidigal – Primeira Infância – 3 de junho de 2016 – Internet: clique aqui.
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