“Queridos jovens, finalmente nos encontramos!” - Papa Francisco
Papa Francisco tem o seu primeiro grande encontro
com os jovens da Jornada Mundial
Redação
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PAPA FRANCISCO chegando em seu papamóvel ao Parque Blonia, em Cracóvia (Polônia) para o seu primeiro encontro com os participantes da 31ª Jornada Mundial da Juventude. Quinta-feira, 28 de julho de 2016 |
O primeiro grande momento de encontro do Papa
com os jovens em Cracóvia aconteceu durante a Festa de Acolhida, no Parque
Blonia, no final da tarde da quinta-feira, (28/07).
A
Rádio Vaticano acompanhou a reação dos jovens que presenciaram este momento
histórico das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ’s).
"Bem emocionante,
principalmente a apresentação dos continentes. Até agora foi o melhor
momento",
disse Jaqueline Gomes da Silva.
"Essa mensagem que a
misericórdia tem um rosto jovem é muito bonita, que é a face de Deus", Eliseu da Conceição.
Osvaldo
José Davide, de Maputo: "Esta oportunidade
é ímpar, então procuramos participar espiritualmente".
Ana
da Conceição Timóteo: "Pela primeira vez participo da JMJ. É uma emoção
muito grande, sempre tivemos o sonho de ver o Papa e estar com os jovens do
mundo inteiro".
Leia
e reflita sobre as palavras que Papa Francisco dirigiu aos jovens nesse seu
primeiro encontro com eles. Aquilo que está entre colchetes, no texto abaixo,
são respostas dos jovens ao papa. Eis o texto
integral de seu discurso:
VIAGEM APOSTÓLICA DO
PAPA FRANCISCO À POLÔNIA
POR OCASIÃO DA 31ª
JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
(27-31 DE JULHO DE
2016)
ENCONTRO
DE BOAS-VINDAS COM OS PARTICIPANTES NA JMJ
DISCURSO
DO SANTO PADRE
Cracóvia, Esplanada
de Błonia
Quinta-feira, 28 de
julho de 2016
Queridos jovens,
boa tarde!
Finalmente
encontramo-nos…! Obrigado por esta calorosa recepção! Agradeço ao Cardeal
Dziwisz, aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos, aos seminaristas e leigos
e a todos aqueles que vos acompanham. Obrigado a quantos tornaram possível a
nossa presença aqui, hoje, que «desceram
em campo» para que pudéssemos celebrar a fé. Hoje nós, todos juntos,
estamos a celebrar a fé.
Nesta sua terra
natal, quero agradecer especialmente a São João Paulo II [grande aplauso] – com força; com mais
força – que sonhou e deu impulso a estes
encontros. Do céu, ele nos acompanha vendo tantos jovens pertencentes a
povos, culturas, línguas tão diferentes animados por um único motivo: celebrar Jesus que está vivo no meio de nós.
Compreendestes? Celebrar Jesus que está vivo no meio de nós. E dizer que está vivo é querer renovar o
nosso desejo de O seguir, o nosso desejo de viver com paixão o seguimento de
Jesus. E qual ocasião melhor para renovar a amizade com Jesus do que ao reforçar
a amizade entre vós? Qual modo melhor para reforçar a nossa amizade com Jesus
do que partilhá-la com os outros? Qual
maneira melhor para viver a alegria do Evangelho do que querer «contagiar», com
a Boa Nova, a tantas situações dolorosas e difíceis?
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PAPA FRANCISCO durante seu encontro com os jovens, recebe a mochila com o kit da Jornada Mundial da Juventude |
E
Jesus é Aquele que nos convocou para esta trigésima primeira Jornada Mundial da
Juventude; é Ele que nos diz: «Felizes os
misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). Felizes são aqueles que sabem perdoar, que
sabem ter um coração compassivo, que sabem dar o melhor aos outros; o
melhor… Não o que sobra, mas o melhor.
Queridos
jovens, nestes dias, a Polônia, esta nobre terra, veste-se de festa; nestes
dias, a Polônia quer ser o rosto sempre jovem da Misericórdia. A partir desta
terra, convosco e unidos também a muitos jovens que, vendo-se impossibilitados
de estar aqui hoje, nos acompanham através dos vários meios de comunicação,
todos juntos faremos desta Jornada uma verdadeira festa jubilar, neste Jubileu
da Misericórdia.
Nos
meus anos de bispo, aprendi uma coisa (aprendi muitas; mas uma quero
dizer-vo-la agora): não há nada mais
belo do que contemplar os anseios, o empenho, a paixão e a energia com que
muitos jovens abraçam a vida. Como é belo isto! E donde vem esta beleza?
Quando Jesus toca o coração dum jovem, duma jovem, estes são capazes de ações
verdadeiramente grandiosas. É
estimulante ouvi-los partilhar os seus sonhos, as suas questões e o seu desejo
de opor-se a quantos dizem que as coisas não podem mudar. A estes,
chamo-lhes «quietistas», imobilistas:
«Nada pode mudar». Não é verdade; os
jovens possuem a força de se lhes opor. Mas, talvez alguns não estejam
muito seguros disto! Eu pergunto-vos;
vós respondeis: As coisas podem mudar? [Sim!]
Não se ouve… [Sim!] Agora, sim! É um
dom do céu poder ver muitos de vós que, com as vossas questões, procurais fazer
com que as coisas sejam diferentes. É bonito e conforta-me o coração ver-vos
assim exuberantes. Hoje a Igreja olha-vos – diria mais: hoje o mundo olha-vos – e quer aprender de vós, para renovar a sua
confiança na Misericórdia do Pai que tem o rosto sempre jovem e não cessa
de nos convidar para fazer parte do seu Reino, que é um Reino de alegria,
sempre é um Reino de felicidade, é um Reino que sempre nos faz progredir, é um Reino capaz de nos dar a força para
mudar as coisas. Já me esqueci [da
vossa reposta]; faço-vos a pergunta outra vez: As coisas podem mudar? [Sim!]
Está bem.
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PAPA FRANCISCO FAZ SEU DISCURSO AOS JOVENS Parque Blonia - Cracóvia - Polônia |
Conhecendo
a paixão que pondes na missão, ouso repetir: a misericórdia tem sempre o rosto jovem. Porque um coração misericordioso tem a coragem de
deixar a comodidade; um coração misericordioso sabe ir ao encontro dos outros,
consegue abraçar a todos. Um coração misericordioso sabe ser um refúgio para quem nunca teve uma casa
ou perdeu-a, sabe criar um ambiente de
casa e de família para quem teve de emigrar, é capaz de ternura e
compaixão. Um coração misericordioso sabe
partilhar o pão com quem tem fome, um coração misericordioso abre-se para receber o refugiado e o
migrante. Dizer misericórdia juntamente convosco é dizer oportunidade, é dizer
amanhã, é dizer compromisso, é dizer confiança, é dizer abertura,
hospitalidade, compaixão, é dizer sonhos. Mas
vós… sois capazes de sonhar? [Sim!]
Pois bem! Quando o coração está aberto e
é capaz de sonhar, há lugar para a misericórdia, há lugar para acarinhar os
que sofrem, há lugar para aproximar-se daqueles que não têm paz no coração,
carecem do necessário para viver, ou falta-lhes a coisa mais bela: a fé.
Misericórdia. Digamos, juntos, esta palavra: misericórdia. Todos! [misericórdia] Outra vez! [misericórdia] Outra vez, de modo que o
mundo ouça [misericórdia].
Quero
também confessar-vos outra coisa que aprendi nestes anos. Não quero ofender
ninguém, mas entristece-me encontrar
jovens que parecem «aposentados» antes do tempo. Isto deixa-me triste:
jovens que parecem ter–se aposentado aos 23, 24, 25 anos... Isto entristece-me.
Preocupa-me ver jovens que desistiram
antes do jogo; que «se renderam» sem ter começado a jogar. Entristece-me
ver jovens que caminham com a cara triste, como se a sua vida não tivesse
valor. São jovens essencialmente chateados... e chatos, que chateiam os outros,
e isto deixa-me triste. É duro, e ao
mesmo tempo interpela-nos, ver jovens que deixam a vida à procura da
«vertigem», ou daquela sensação de se sentir vivos por vias obscuras que depois
acabam por «pagar»... e pagar caro. Pensai em tantos jovens que conheceis e
que escolheram esta estrada. Dá que pensar quando vês jovens que perdem os anos
belos da sua vida e as suas energias correndo
atrás de vendedores de falsas ilusões – existem! – (na minha terra natal,
diríamos «vendedores de fumaça»), que vos
roubam o melhor de vós mesmos. E isto entristece-me. Tenho a certeza de que
hoje, entre vós, não há nenhum desses, mas quero dizer-vos: há jovens
aposentados, jovens que desistem antes do jogo, há jovens que se adentram na
vertigem com as falsas ilusões e… acabam em nada.
Por
isso, queridos amigos, estamos aqui
reunidos para nos ajudarmos uns aos outros, porque não queremos deixar que nos
roubem o melhor de nós mesmos, não queremos permitir que nos roubem as
energias, que nos roubem a alegria, que nos roubem os sonhos com falsas
ilusões.
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MILHÕES DE JOVENS COMPARECERAM AO PARQUE BLONIA para o primeiro encontro do Papa Francisco com eles nessa 31ª JMJ |
Queridos
amigos, pergunto-vos: Para a vossa vida
quereis aquela «vertigem» alienante, ou quereis a força que vos faça sentir
vivos e realizados? Vertigem alienante ou força da graça? Que quereis:
vertigem alienante ou força que dá plenitude? Que quereis? [Força que dá plenitude] Não se ouve bem!
[Força que dá plenitude] Para se sentir realizados, para ter uma
vida renovada, há uma resposta, há uma reposta que não está à venda, há uma
resposta que não se compra, uma resposta
que não é uma coisa, que não é um objeto; é uma pessoa, chama-se Jesus Cristo.
Pergunto-vos: Jesus Cristo, pode-se comprar? [Não!] Jesus Cristo está à venda nas lojas? [Não!] Jesus Cristo é uma dádiva, é uma prenda do Pai, a dádiva do
nosso Pai. Quem é Jesus Cristo? Todos!
Jesus Cristo é uma dádiva! Todos! [É
uma dádiva!]. É a prenda do Pai.
Jesus Cristo é
aquele que sabe dar verdadeira paixão à vida, Jesus Cristo é aquele que leva a
não nos contentarmos com pouco e leva a dar o melhor de nós mesmos; é Jesus
Cristo que nos interpela, convida e ajuda a erguer-nos sempre que nos damos por
vencidos.
É Jesus Cristo que nos impele a levantar o olhar e sonhar a altitude. Mas
poderá alguém dizer-me: «Padre, é tão difícil sonhar a altitude, é tão difícil
subir, subir sempre. Padre, eu sou fraco, caio; bem me esforço, mas muitas
vezes escorrego». Os habitantes dos Alpes, quando sobem as montanhas, entoam uma
canção muito linda que diz: «Na arte de
subir, importante não é o não cair, mas não ficar caído». Se tu és fraco, se tu cais, ergue um pouco
o olhar para o alto… há a mão estendida de Jesus, que te diz: «Levanta-te, vem comigo». «E se me
acontece de novo?» Faz o mesmo. Uma vez Pedro perguntou ao Senhor: «Senhor,
quantas vezes?» – «Setenta vezes sete». A mão de Jesus está sempre estendida
para nos levantar, quando caímos. Compreendestes? [Sim!]
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PAPA FRANCISCO saúda os jovens presentes no Parque Blonia, em Cracóvia (Polônia) |
No
Evangelho, ouvimos narrar que Jesus, indo a caminho de Jerusalém, se deteve
numa casa – a casa de Marta, Maria e Lázaro – que O acolhe. Passando por lá,
entra em casa para estar com eles; as duas mulheres acolhem Aquele que sabem
ser capaz de comover-Se. Por vezes as inúmeras ocupações fazem-nos ser como
Marta: ativos, distraídos, sempre a correr daqui para ali... mas há vezes
também que somos como Maria: à vista duma bela paisagem, ou dum vídeo que um
amigo nos envia ao telemóvel, paramos a refletir, a escutar. Nestes dias da JMJ, Jesus quer entrar na
nossa casa: na tua casa, na minha casa, no coração de cada um de nós; Jesus
dar-Se-á conta das nossas preocupações, da nossa pressa, como fez com Marta...
e esperará que O escutemos como Maria: que, no meio de todas as tarefas,
tenhamos a coragem de nos confiarmos a Ele. Que sejam dias para Jesus,
dedicados a ouvi-Lo, a recebê-Lo nas pessoas com quem partilho a casa, a rua, o
grupo, a escola.
E quem acolhe
Jesus, aprende a amar como Jesus. Então pergunta-nos se queremos uma vida
plena. E, em nome d’Ele, pergunto-vos:
Queres tu, quereis vós uma vida plena? Começa desde agora a deixar-te mover à
compaixão! Porque a felicidade germina e desabrocha na misericórdia. Esta é
a sua resposta, este é o seu convite, o seu desafio, a sua aventura: a
misericórdia. A misericórdia tem sempre
um rosto jovem; como o de Maria de
Betânia, sentada aos pés de Jesus como discípula, que gosta de escutar,
porque sabe que ali está a paz. Como o rosto de Maria de Nazaré, de tal modo lançada com o seu «sim» na aventura da
misericórdia, que será chamada bem-aventurada por todas as gerações, chamada
por todos nós «a Mãe da Misericórdia». Invoquemo-La, todos juntos: Maria, Mãe
da Misericórdia. Todos: Maria, Mãe da
Misericórdia.
Agora,
todos juntos, peçamos ao Senhor – cada um, em silêncio, repita no seu coração
–: Senhor, lançai-nos na aventura da
misericórdia! Lançai-nos na aventura
de construir pontes e derrubar muros (sejam cercas ou arame farpado); lançai-nos na aventura de socorrer o pobre,
quem se sente sozinho e abandonado, quem já não encontra sentido para a sua
vida. Lançai-nos no acompanhamento daqueles que não Vos conhecem,
dizendo-lhes com calma e tanto respeito o vosso Nome, o porquê da minha fé.
Impele-nos, como a Maria de Betânia, para a escuta daqueles que não
compreendemos, daqueles que vêm de outras culturas, outros povos, mesmo
daqueles que tememos porque julgamos que nos podem fazer mal. Fazei que
voltemos o nosso olhar, como Maria de Nazaré para Isabel, que voltemos os olhos
para os nossos idosos, os nossos avós, a fim de aprender com a sua sabedoria.
Pergunto-vos: Falais com os vossos avós? [Sim!] Continuai a fazê-lo! Procurai
os vossos avós; eles possuem a sabedoria da vida e dir-vos-ão coisas que
enternecerão o vosso coração.
Eis-nos
aqui, Senhor! Enviai-nos a partilhar o
vosso Amor Misericordioso. Queremos acolher-Vos nesta Jornada Mundial da
Juventude, queremos afirmar que a vida é plena quando é vivida a partir da
misericórdia; e que esta é a parte melhor, é a parte mais ditosa, é a parte que
nunca nos será tirada.
Amém.
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