O personagem sinistro e oportunista de plantão!
Os métodos de sempre
Editorial
Quem Paulinho da Força representa e quem está por
detrás desse deputado?
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PAULINHO DA FORÇA Como é mais conhecido o deputado federal Paulo Pereira da Silva - Partido Solidariedade - São Paulo |
Causa
espécie o poder que o deputado Paulinho da Força, líder do Solidariedade [SD], parece ter no
governo do presidente em exercício Michel Temer. O parlamentar representa uma bancada de apenas 14 deputados, mas é
cortejado por Temer como se fosse capaz de decidir qualquer votação em favor do
Planalto. Tendo sido a vanguarda da defesa
do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sendo o personagem notório que é, Paulinho deveria ser mantido a uma
distância prudente do gabinete presidencial, mas o sindicalista não só ali
parece se sentir em casa, como está à vontade para cobrar participação no
governo.
Circulam
informações de que Temer teria decidido
ressuscitar o Ministério do Desenvolvimento Agrário e dá-lo a algum
indicado por Paulinho. Segundo relatou o jornal Valor, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, confirmou a recriação da pasta e Paulinho já teria até
um candidato para o cargo, o deputado Zé
da Silva (SD-MG), da bancada ruralista.
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EDUARDO CUNHA e PAULINHO DA FORÇA Dois poderosos aliados e amigos - Paulinho sempre foi um tenaz defensor de Cunha |
O
Ministério do Desenvolvimento Agrário foi extinto logo que Temer assumiu a
Presidência no lugar de Dilma Rousseff, afastada pela Câmara. O gesto integrava
o suposto esforço do presidente em exercício para enxugar a máquina pública,
cujo inchaço foi uma das grandes marcas do governo petista.
As funções daquele
Ministério, voltado para a reforma agrária e a agricultura familiar, foram
incorporadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social. No entanto, já por pressão
de Paulinho, Temer transferiu em maio passado cinco secretarias da antiga pasta
para a Casa Civil, entre as quais justamente a que lida com reforma agrária,
sob a qual funciona o Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e a que trata da agricultura
familiar. Somadas, as secretarias têm um
orçamento de cerca de R$ 1 bilhão.
Os cargos devem ser todos
ocupados por indicados por Paulinho, incluindo alguns apadrinhados de José
Rainha Júnior,
ex-líder do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra e conhecido baderneiro e invasor de terras, que chegou a ser recebido por Temer em
audiência arranjada por Paulinho no mês passado. O ministro Eliseu Padilha
esclareceu, como se isso fosse necessário, que a decisão de presentear os
amigos do sindicalista com cargos relacionados à reforma agrária foi
“política”. [Quem diria, Rainha de braços dados com um
dos maiores “pelegos” do Brasil, o Paulinho da Força Sindical!!!]
As concessões do Planalto a Paulinho não
pararam aí. Um filho do sindicalista, o deputado Alexandre Pereira da Silva [foto ao lado], foi nomeado no começo do mês
para dirigir a Superintendência Regional
do Incra em São Paulo. Sua experiência na área agrícola e fundiária,
conforme informa o Solidariedade,
limita-se à produção de pimentões em um sítio da família em Jundiaí. Por essa
razão, a nomeação de Alexandre foi muito mal recebida por funcionários do
Incra, que chegaram a organizar um protesto.
O Solidariedade
surgiu em 2013 em meio a várias denúncias de que as listas de apoio à criação do partido haviam sido fraudadas – muitos
servidores do Congresso denunciaram que
seus nomes apareceram nas fichas sem que tivessem firmado nada, e apareceu até
a assinatura de um morto. Esse vício de origem, que demonstra profundo
menosprezo pelos padrões morais e éticos e desmoraliza a própria democracia,
não é acidental. O Solidariedade age
conforme manda o manual do sindicalismo de resultados que está na essência
mesma da Força Sindical – e que visa somente a amealhar benefícios para
quem tem a carteirinha do sindicato, sempre na base da esperteza e da chantagem.
Assim,
Paulinho começa a fincar sua bandeira no
Palácio do Planalto depois de fazer ameaças explícitas a Temer. Em maio,
julgando-se preterido na formação do governo, o sindicalista sugeriu que
poderia até mesmo unir forças com as centrais sindicais petistas para
infernizar Temer. “Aí a situação dele
complica mesmo”, disse Paulinho na ocasião.
Se
realmente decidir restabelecer o Ministério do Desenvolvimento Agrário apenas
para acalmar Paulinho, Temer pode até conseguir comprar um pouco de
tranquilidade, mas dará um sinal de fraqueza que os oportunistas profissionais
seguramente saberão aproveitar.
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