A missão, sem "charlatanismo"
Maria Teresa
Pontara Pederiva
Settimana
News
22-07-2016
Todo apaixonado sente um forte desejo de falar sobre a
pessoa amada, tecer os seus louvores, iluminar-se apenas com o pensamento do
próximo encontro, compartilhar a própria alegria com aqueles com os quais se encontra.
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DOM VÍCTOR MANUEL FERNÁNDEZ Arcebispo e Reitor da Universidade Católica de Buenos Aires |
Víctor Manuel Fernández, reitor da Universidade
Católica de Buenos Aires, um dos mais próximos colaboradores e amigos de
Bergoglio, publicou no ano passado Quince
motivaciones para ser misioneros: para caminar con el Papa Francisco
[Quinze motivações para ser missionários: para caminhar com o Papa Francisco],
um breve ensaio que agora foi traduzido ao italiano pela Editrice Missionaria
[veja foto da capa abaixo].
"Como gostaria de
encontrar palavras para encorajar uma estação evangelizadora mais ardorosa,
alegre, generosa, ousada, cheia de amor até ao fim e feita de vida
contagiante!" (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n. 261): daí a necessidade de fortes motivações para induzir as pessoas a embarcarem
na estrada da missão.
E de onde partir, quando nos dirigimos aos
leigos? Da experiência mais comum para a grande maioria deles: a do amor humano.
Todo apaixonado sente um forte desejo de falar sobre a pessoa amada, tecer os
seus louvores, iluminar-se apenas com o pensamento do próximo encontro,
compartilhar a própria alegria com aqueles com os quais se encontra.
E nós, que conhecemos Jesus
Cristo e nos deixamos agarrar por Ele, se fizemos a experiência do amor do Pai em
nossa vida, por que não deveríamos fazer o mesmo? Além do mais, isso aconteceu com os discípulos de Emaús
e com muitos outros ao longo dos séculos: por acaso nós, homens do terceiro
milênio, somos cristãos diferentes? Quem
ou o que nos torna paralisados e incapazes de testemunhar?
O missionário
[todo cristão batizado!] é uma pessoa como as outras, em nada perfeita, mas
entusiasmada, sim, porque vive na
certeza do amor de Deus, uma pessoa que vive na confiança em Deus e nos
outros, guiado por uma espiritualidade
capaz de transformar o seu coração (uma "mística" do anúncio que
se alimenta da Palavra).
Fernández
nos guia, assim, à redescoberta do
anúncio, tarefa de cada cristão que
decide "restituir" os muitos dons recebidos, dedicando uma parte do
próprio tempo à missão, com a vida e as escolhas cotidianas (não são
necessárias coisas extraordinárias, porque um leigo tem uma família, um
trabalho...).
Como
nos lembra o Papa Francisco, "a
primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela
experiência de sermos salvos por Ele" (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n. 264): se não
sentimos a necessidade de fazer isso, talvez devamos concluir que não nos
sentimos mais amados?
Se
"contemplarmos" o Evangelho, se nos determos nas suas páginas, se
formos capazes de lê-lo com o coração, chegaremos à conclusão de que não há
nada melhor a ser transmitido aos outros. "O
Evangelho é o que é indispensável para ser
feliz, para crescer, para se realizar como ser humano, porque responde às
necessidades mais profundas de cada pessoa, às inquietações, às angústias e aos
seus sonhos mais preciosos."
Mas
"ser missionário – continua
Fernández – significa se tornar
libertadores de escravos" e desejar que o Reino do Senhor transfigure a terra inteira, porque nada neste
mundo é indiferente para eles. Sem medo
das mudanças, porque a missão não é feita para pessoas que se agarram às
próprias seguranças e costumes, ao contrário: é preciso ter a coragem de
derrubar todas as estruturas que não servem (ou não servem mais) para a missão.
E,
acima de tudo, sem esquecer a
"mística do encontro", sem a qual aquele que acredita ser cristão
nada mais é do que "um insuportável
charlatão que não acredita naquilo que pretende transmitir". [Quem não realiza, primeiramente, em si mesmo/a o encontro
com o Ressuscitado, não poderá transmiti-Lo aos outros!]
Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto. Acesse a versão
original deste artigo, clicando aqui.
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