9º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 7,1-10


Naquele tempo:
1 Quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum.
2 Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte.
3 O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado.
4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças este favor,
5 porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga.»
6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa.
7 Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado.
8 Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens.
Se ordeno a um : “Vai!”, ele vai; e a outro: “Vem!”, ele vem; e ao meu empregado “Faze isto!”, e ele o faz.»
9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.»
10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
O CENTURIÃO na hierarquia militar romana era o sexto na cadeia de comando numa legião.
Era o oficial responsável por comandar uma centúria, a qual era composta por 80 a 100 legionários

FÉ HUMILDE

Costuma-se dizer que todos os grandes homens foram humildes, uma vez que a humildade cresce no coração de todo aquele que vive sinceramente a existência. Com maior razão ainda, pode-se dizer isso dos grandes homens de fé. Não se pode viver com profundidade diante de Deus a não ser com uma atitude modesta e humilde. Como pode viver uma pessoa que, de algum modo, experimentou Deus a não ser com humildade?

Talvez seja esta a razão mais profunda da desvalorização atual da humildade em nossa sociedade. O homem moderno não é capaz de adorar a grandeza de Deus, não sabe reconhecer seus próprios limites, não sabe intuir que sua verdadeira grandeza está em viver humildemente diante de Deus. Naturalmente, quando não se descobriu a grandeza de Deus, a humildade converte-se em «baixeza», em desprezo de si mesmo, em algo indigno de ser vivido.

O núcleo de toda verdadeira fé é a humildade. Uma bela oração litúrgica da Igreja diz assim: «Senhor, tem misericórdia de nós que não podemos viver sem ti nem viver contigo». Esta é a nossa experiência diária. Não podemos viver sem Deus e não acertamos viver com Ele.

Deus é luz, porém, às vezes, o achamos demasiado obscuro. É próximo, porém está oculto. Não fala, mas temos de suportar o seu silêncio. A pessoa de fé sabe, por experiência, que Deus é paz, porém uma paz que produz intranquilidade e inquietude. Deus é pureza, porém uma pureza que nos revela nossa impureza e feiura.

Por isso, toda pessoa que se aproxima de Deus com sinceridade, o faz como aquele centurião romano que se aproximou de Jesus com estas palavras: «Eu não sou digno que entres em minha casa». Somente quem pronuncia estas palavras a partir do íntimo de seu ser e pensa assim de si mesmo, está se aproximando de Deus com verdade e dignidade.

Ao contrário, quem se sente digno diante de Deus, está agindo indignamente. Está se afastando de quem é a luz e a verdade. Quanto mais a pessoa penetra no fundo de seu coração, melhor descobre que o único caminho para encontrar-se com Deus é o caminho da humildade, da simplicidade e da transparência.

Poucas vezes estamos tão próximos de Deus como quando somos capazes de rezar uma oração como aquela que Ladislaus Boros [teólogo jesuíta radicado na Alemanha: 1927-1981] nos sugere em uma de suas obras:

«Senhor, ocasionei muito mal em teu belo mundo, tenho de suportar pacientemente o que os demais são e o que eu mesmo sou; concede-me que possa fazer algo para que a vida seja um pouco melhor ali onde tu me colocaste.»

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo C (Homilías) – Internet: clique aqui.

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