Este é o verdadeiro risco para a democracia: novo "Centrão"
Novo bloco tem quase metade da Câmara
e pressiona Temer
Igor Gadelha,
Valmar Hupsel Filho, Carla Araújo
Aliados a Eduardo Cunha, partidos pequenos e deputados
do “baixo clero” se fortalecem com o impeachment
e anunciam grupo composto por 225 parlamentares
EDUARDO CUNHA (DEPUTADO FEDERAL PMDB-RJ) Continua como eminência parda e principal articulador na Câmara dos Deputados! |
Fortalecidos
com o processo de impeachment,
partidos nanicos e do chamado "Centrão",
determinantes até agora no afastamento de Dilma Rousseff, formalizam nesta
quarta-feira, 18 de maio, um novo bloco
na Câmara que será composto por 225
parlamentares de 13 partidos (PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS,
PROS, PSL, PTN, PEN e PTdoB). Com isso, será o maior da Casa, que tem 513
deputados, e, portanto, com maior cacife para levar as reivindicações do grupo
ao presidente em exercício Michel Temer. [Anote bem o
nome desses partidos!!!]
O presidente afastado da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ajudou a articular a formação do novo bloco,
que inclui o chamado baixo clero da Casa. Os partidos do Centrão foram disputados por Temer
e Dilma durante a tramitação do impeachment
na Câmara e negociaram cargos com os dois lados. Temer deu a eles vagas importantes na Esplanada e no segundo escalão do
novo governo.
O
medo entre aliados do presidente em exercício ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo é de que ele se
torne um refém do Centrão, que o obrigou, por exemplo, a colocar o PRB no
Desenvolvimento. [Esse é o partido criado pela Igreja
Universal do Reino de Deus, isso mesmo!]
O primeiro pleito do grupo é
emplacar o novo líder do governo na Câmara. O nome defendido por eles é o do líder do
PSC, André Moura (SE), um dos principais aliados de Cunha. Mas
o grupo também quer influenciar na agenda legislativa com propostas como a que legaliza jogos de azar. [Que só favorece o crime organizado, pois torna mais fácil
lavar dinheiro e destrói, ainda mais, famílias e pessoas! E olha que há vários pastores
evangélicos nesse bloco de deputados!]
Temer
reuniu-se com o grupo na terça, 17 de maio. O “novo Centrão” chegou a levar o pedido para a indicação de Moura para
a liderança do governo, mas Temer não se decidiu. “O presidente ainda não
definiu a indicação. A prerrogativa é do presidente, mas vamos buscar solução
que nos unifique”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira
Lima.
“Mãos
dadas”
Na
reunião, Temer manifestou, segundo Geddel, apreço “de governar de mãos dadas ao
Congresso” para agilizar votações de
medidas provisórias e da revisão da meta fiscal. O presidente em exercício,
no entanto, não estabeleceu uma pauta específica de prioridades para votações.
Com
a indefinição, a sessão de ontem da Câmara acabou sem nenhuma votação, mesmo
com quatro medidas provisórias ainda do governo Dilma trancando a pauta. A
reunião do colégio de líderes prevista para a tarde de ontem acabou adiada para
hoje, quando a expectativa é de que o novo líder já esteja definido.
Além
de Moura, defendido pelo Centrão, o
deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disputa a indicação. O nome dele é defendido
por Moreira Franco, responsável pela
área de infraestrutura do governo, e por integrantes da antiga oposição ao
governo petista, como PSDB e PPS.
Justamente
para evitar um racha na base, o PMDB, com uma bancada de 66 deputados – a maior
da Casa – ainda não decidiu se vai participar do grupo. O receio é de que a
entrada oficial do partido do presidente aponte a preferência de Temer pelo
grupo. Caso o partido resolva entrar, o bloco poderá chegar a ter mais de 290
parlamentares – número grande o bastante para aprovar projetos de lei (mínimo
de 257 votos), mas ainda insuficiente para aprovar emendas à Constituição
Federal (308 votos).
Os
quatro líderes:
-
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB): além
de próximo de Eduardo Cunha, é ligado ao presidente do PP, senador Ciro
Nogueira (PI)
-
Rogério Rosso (PSD-DF):
presidiu a Comissão Especial de impeachment.
Tem respaldo de Cunha e de Gilberto Kassab
-
Jovair Arantes (PTB-GO): foi
relator do impeachment. Ligado ao
setor agropecuário, é muito próximo de Cunha
-
André Moura (PSC-SE):
é considerado o principal homem de Cunha na Câmara e disputa a liderança do
governo
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