Michel Temer, o mais do mesmo!
Vexame na casa de Temer
Editorial
O líder peemedebista tem se permitido associar seu nome
a situações
e arranjos que frustram, desde já, as expectativas a
seu respeito
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MICHEL TEMER e EDUARDO CUNHA Estão demonstrando ter muita coisa em comum! Temer parece não ter compreendido que o povo está de olho e impaciente, não há mais ingênuos! |
Não
são auspiciosos, para dizer o mínimo, os mais recentes movimentos de Michel
Temer às vésperas de, conforme tudo indica, assumir a Presidência, assim que se
consumar o afastamento de Dilma Rousseff. No instante em que grande parte do
País deposita suas esperanças na capacidade de Temer de articular um novo
governo em bases muito diferentes das atuais, em que prevalece a cavilação dos
espertalhões em detrimento dos interesses nacionais, o líder peemedebista tem se permitido associar seu nome a situações e
arranjos que frustram, desde já, as expectativas a seu respeito. Cria-se a
indesejada sensação de que os articuladores do novo governo, com a participação
de notórios encalacrados em escândalos presentes e pretéritos, pretendem mudar
tudo para, na verdade, tudo ficar como está. Ele está cometendo muitos dos
erros que levaram Dilma Rousseff ao triste ponto a que ela chegou.
Foi decepcionante observar,
por exemplo, a desenvoltura da “tropa de choque” do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) na residência oficial de Temer, o Palácio do Jaburu, justamente no momento em
que o Supremo Tribunal Federal (STF) votava a suspensão do mandato do notório
parlamentar.
Perguntaram-se
todos os brasileiros de bem: que fazia
ali, na casa de Temer, a turma dos que se empenharam, nos últimos meses, em
procrastinar o andamento do processo contra Cunha e fazer da Câmara uma “comuna
de intocáveis”, como anotou o ministro do STF Teori Zavascki? E mais: por
que Temer permitiu que essa mesma turma elaborasse uma nota para contestar a
decisão do Supremo e ameaçasse até mesmo descumprir a ordem?
Segundo
informou o jornal O Estado de S. Paulo,
Temer não apenas consentiu que tudo isso
acontecesse em sua sala de estar, como deu palpites na elaboração da nota que
manifestou a “indignação” daqueles deputados, conforme as palavras de Paulinho
da Força (SD), fidelíssimo companheiro de Cunha. Menos mal que Temer tenha
dissuadido os parlamentares de desobedecer ao STF, mas essa cautela melhora
pouco a sua imagem, uma vez que o
peemedebista foi o anfitrião de tão descabida reunião e ainda colaborou, junto
com outros articuladores de seu futuro governo, para que dela se tirasse uma
posição que afronta ao Supremo.
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PAULINHO DA FORÇA SINDICAL É "CARNE E UNHA" COM EDUARDO CUNHA Como pode um sindicalista ser da "tropa de choque" de Cunha? O peleguismo continua vivo como nunca! |
Diante
da desagradável surpresa que a notícia causou, Temer tratou de mandar sua
assessoria dizer que ele “não avalizou ou apoiou” o documento, embora tenha
manifestado respeito pela ação dos deputados. Ademais, esclareceu a assessoria,
é comum que políticos usem o Palácio do Jaburu para se reunir – algo cuja
extravagância supera qualquer explicação razoável.
É
evidente que Temer, na árdua tarefa de montar uma confortável maioria no
Congresso para aprovar as urgentes medidas contra a profunda crise no País, tem
de dialogar com políticos das mais variadas extrações. Não está escrito em lugar nenhum, porém, que ele tenha de dar guarida
àqueles que só estão interessados em se proteger da Justiça e em continuar
livremente a mercadejar seus votos, perpetuando o nefasto toma lá dá cá que
marcou a trevosa passagem do PT pelo governo.
Foi
a essa situação reprovável, aliás, que se referiu o advogado Antônio Cláudio
Mariz de Oliveira ao declinar o convite para ser ministro da Defesa. Antes
escolhido por Temer para ser ministro da Justiça, Mariz de Oliveira acabou
sendo preterido em razão de suas críticas à Operação Lava Jato – e a pasta da
Defesa seria uma espécie de “prêmio de consolação”. Mas Mariz de Oliveira considerou estranho que suas opiniões sobre a Lava
Jato o tenham desqualificado para a Justiça, enquanto entre
os nomes sondados para cargos no governo estão alguns implicados na mesma Lava
Jato.
É importante que Temer tenha
em mente que o Brasil já decidiu, nas gigantescas manifestações contra o
desgoverno corrupto do PT, que não quer esse modelo de País – que enriquece os
ladravazes, pune os cidadãos de bem e condena a coletividade ao atraso. A Nação deseja firmemente dos novos
titulares do poder que simplesmente digam não aos que pretendem continuar sua
farra obscena, pois o fisiologismo não é uma necessidade incontornável.
Temer não pode abrir as portas nem do Jaburu nem do governo para essa gente.
Deve reunir auxiliares em torno de ideias e competências – e não satisfazer
interesses de pessoas e grupos que fatalmente o deixarão falando sozinho. O toma lá dá cá não faz maioria parlamentar
para patrocinar reformas. Faz lambanças.
Fonte: O Estado de S. Paulo
– Notas e Informações – Domingo, 8 de maio de 2016 – Pág. A3 – Internet: clique aqui.
Erro de avaliação
Eliane
Cantanhêde
O problema de Temer não são os partidos, mas a opinião
pública
O vice Michel Temer nem
assumiu a Presidência, mas já andou criando arestas na área militar, com
cientistas e entre líderes feministas. Errático na definição do Ministério, comete um
grave erro de avaliação: seu principal
problema político não são os partidos políticos – que vêm por gravidade –, e
sim as resistências e desconfianças de uma sociedade cada vez mais exigente.
Três
vezes ex-presidente da Câmara, Temer conhece bem uma regra elementar do jogo
político: não é o Congresso que
influencia a opinião pública, é a opinião pública que influencia o Congresso.
Se a popularidade do presidente vai bem, os partidos são fiéis e solícitos. Se a popularidade vai mal, os partidos
evaporam sem dó nem piedade. Não é mesmo, Dilma Rousseff?
Logo,
qual o sentido de Temer se desgastar tanto para satisfazer um PTN? Em geral,
deputados e partidos inexpressivos, ou controversos, votam com o governo por
muitíssimo menos do que um ministério e costumam ir na onda: se o “povo” e
Congresso estão a favor do presidente, eu também estou. Invertendo a máxima,
“há governo, sou a favor”.
Podem
fazer muxoxo daqui e dali, mas ninguém contestou os nomes fortes de Henrique
Meirelles para a Fazenda e de José Serra para Relações Exteriores, nem os
camaradas próximos e operadores como Eliseu Padilha na Casa Civil e Moreira
Franco na superpasta da Infraestrutura. Até mesmo Romero Jucá (Planejamento),
citado na Lava Jato, tem a ressalva de ser economista competente. No mais,
virou uma confusão.
Se Nelson Jobim não aceitou
ser ministro da Justiça ou da Defesa, por ser consultor de empreiteiras da Lava
Jato, como Temer foi indicar Antônio Mariz, que está exatamente na mesma
situação e até assinou manifesto contra a operação? Sem nenhum demérito ao
grande advogado, claro que iria dar dor de cabeça. Não satisfeito, Temer desviou Mariz para a Defesa e
conseguiu uma dupla façanha: desagradou aos militares sem agradar ao próprio
Mariz.
Os
comandos das Forças Armadas, profissionais e irretocáveis durante a crise,
estavam animados com o novo governo e satisfeitos por serem consultados sobre a
Defesa. Logo, ficaram surpresos e decepcionados com a troca abrupta. E tudo
para nada. Com o estrago feito, Mariz decidiu certo: alegou que entende de
Justiça, não de Defesa, e caiu fora.
Para
piorar, a explicação foi que Jungmann
fora descartado porque Roberto Freire
iria para a Cultura e “só cabe um ministro do PPS”. Perguntas que rondam os militares: “A Defesa entra no leilão dos
partidos? Então, para que nos consultaram? Se Mariz não serviu para a
Justiça, por que serviria para a Defesa? Se as conversas sobre o ministro não
valeram, nossas sugestões e planos também não valem?”
Jungmann,
Mariz e o médico paulista Raul Cutait
(Saúde) foram ministros sem ser, mas pior do que isso são os que são ou foram ministros sem poder ser. Caso de um bispo da Igreja Universal justamente
para Ciência e Tecnologia e de uma deputada contrária à descriminação do aborto
para Direitos Humanos. Um porque é do PRB, a outra porque é do PTN? Fala sério!
Temer
não ganha nem perde um voto a mais no Congresso com esse toma lá dá cá, mas
pode perder muito em expectativa e em boa vontade na opinião pública, que conhece
muito pouco esse tal de Michel Temer e torce o nariz para o PMDB velho de
guerra, mas está doida para que, com a saída de Dilma, deem um jeito nesse
imenso caos nacional. Diz-se que os
líderes crescem na adversidade. Pois que Temer não diminua no momento
decisivo de inscrever seu nome na história.
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