Chegou, finalmente, a hora dele!
Organização criminosa jamais teria operado
sem Lula, afirma Janot
Gustavo
Aguiar, Julia Affonso, Fausto Macedo,
Mateus
Coutinho e Ricardo Brandt
Procurador-geral da República atribuiu ao ex-presidente
“articulações espúrias” contra a Lava Jato em petição ao Supremo Tribunal
Federal
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RODRIGO JANOT Procurador-Geral da República |
Em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF),
o procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, atribuiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “articulações espúrias para influenciar o
andamento da Operação Lava Jato”. Segundo Janot, “embora afastado formalmente do governo, o ex-presidente Lula mantém o
controle das decisões mais relevantes”.
As afirmações de Janot sobre Lula se basearam
nos relatos de delatores e nos grampos da Operação Aletheia, deflagrada em 4 de
março, quando o ex-presidente foi conduzido coercitivamente pela Polícia
Federal para depor.
“Os diálogos interceptados com autorização
judicial não deixam dúvidas de que, embora afastado formalmente do governo, o ex-presidente Lula mantém o controle das
decisões mais relevantes, inclusive no que concerne as articulações espúrias
para influenciar o andamento da Operação Lava ]ato, a sua nomeação ao
primeiro escalão, a articulação do PT com o PMDB, o que perpassa o próprio
relacionamento mantido entre os membros destes partidos no concerto do
funcionamento da organização criminosa ora investigada”, crava Janot.
“Com isso, quer-se dizer que, pelo panorama
dos elementos probatórios colhidos até aqui e descritos ao longo dessa
manifestação, essa organização criminosa
jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e
agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela
participasse. Nesse sentido, foram os diversos relatos dos colaboradores e
os próprios diálogos interceptados.”
As afirmações de Janot constam de petição do
procurador-geral da República ao Supremo, no dia 28 de abril, em que ele pede a inclusão do ex-presidente Lula,
dos ministros Jaques Wagner, Edinho Silva, e Ricardo Berzoini, no inquérito mãe
da Operação Lava Jato perante à Corte.
Além de Lula e dos ministros, são citados:
* os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Delcídio Amaral (ex-PT-MS),
* e os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
* Eduardo da Fonte (PP-PE),
* Aguinaldo Ribeiro,
* André Moura,
* Arnaldo Faria de Sá,
* Altineu Cortês e Manoel
Junior, além do
* ex-ministro Henrique Eduardo Alves,
* o assessor da Presidência, Giles de Azevedo,
* a ex-ministra Erenice Guerra,
* o ex-ministro Antonio Palocci,
* o pecuarista José Carlos Bumlai,
* o presidente do Instituto
Lula, Paulo Okamotto,
* o banqueiro André Esteves,
* o ex-ministro Silas Rondeau,
* o empresário Milton Lyra,
* o lobista Jorge Luz,
* o ex-presidente da
Transpetro Sergio Machado,
* o ex-presidente da
Petrobrás José Sérgio Gabrielli,
* o doleiro Lucio Bolonha Funaro,
* Alexandre Santos,
* Carlos Willian,
* João Magalhães,
* Nelson Bornier e
* a ex-deputada Solange Almeida, aliada de Eduardo
Cunha.
O inquérito conta atualmente com 39
investigados, entre parlamentares e operadores do esquema de corrupção da
Petrobrás. Caso o ministro Teori
Zavascki, relator da Lava Jato no STF, aceite o pedido de Janot, o inquérito
passará a ter 69 investigados.
A delação de Delcídio Amaral
O senador
Delcídio Amaral (ex-PT/MS) entregou à Procuradoria-Geral da República uma série de documentos que, segundo ele, comprovam seu encontro com o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva para tramar contra a Operação Lava Jato. Lula foi
denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo
Tribunal Federal (STF) por obstrução à Justiça.
Delcídio relatou ao Ministério Público
Federal que foi chamado por Lula, em meados de maio de 2015, em São Paulo, para
“tratar da necessidade de se evitar que
Nestor Cerveró fizesse acordo de colaboração premiada”.
Segundo o senador, Lula o teria incumbido de “viabilizar a compra do silêncio de Nestor” para
proteger o pecuarista José Carlos Bumlai,
amigo do ex-presidente.
Janot anotou em manifestação ao STF. “A
respeito desse fato, há diversos outros elementos, tais como e-mail com comprovante de agendamento da
reunião entre Lula e Delcídio no Instituto Lula, no dia 8 de maio de 2015;
comprovantes de deslocamento efetivo do senador para São Paulo compatível com
esta data; outros documentos que atestam
diversas outras reuniões entre Lula e Delcídio no período coincidente às negociatas
envolvendo o silêncio de Nestor Cerveró, além de registros de diversas
conversas telefônicas mantidas entre Lula e (o pecuarista) José Carlos Bumlai e
entre este e Delcídio”, afirma o procurador-geral da República. “Todos esses
elementos estão encartados no aditamento de denúncia dos autos 4170.”
Delcídio afirmou que o filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, pagou R$ 250 mil à família de
Cerveró, “por interferência de Lula”. De acordo com o senador, Lula “pediu
expressamente” a Delcídio que ajudasse Bumlai, amigo do petista.
O ex-líder do governo contou em delação
premiada. “O Lula tinha especial
preocupação com a situação de José Carlos Bumlai porque eles ficaram muito
próximos durante a primeira campanha de Lula à Presidência da Republica e
depois disso, Bumlai se tornou o grande conselheiro de Lula, com forte
influência em diversos negócios do governo, além de ter sido avalista de um
empréstimo milionário obtido pelo PT junto ao Banco Schahin e de ter ajudado a
construir, estruturar e organizar o Instituto Lula, entre outros.
ANÁLISE:
O pior revés de quem foi um mito nacional
João Domingos
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Ex-Presidente da República pelo PT |
O pedido da Procuradoria-Geral da República
para incluir o nome de Luiz Inácio Lula
da Silva no maior inquérito da
Operação Lava Jato no Supremo e na denúncia já oferecida contra o
ex-presidente são os piores reveses já sofridos pelo petista. Abrem caminho
para um “impeachment antecipado”: se
condenado pelo STF, Lula será enquadrado na Lei da Ficha Limpa e não poderá se
candidatar em 2018.
O argumento de Rodrigo Janot, de que “o
petrolão só pôde existir com Lula”, é muito forte. Estará a partir de agora
como um carimbo a marcar a biografia do ex-presidente, um fantasma a perseguir
aquele que ainda é um mito para uma faixa da sociedade.
No
inquérito-mãe da Lava Jato que soma 69 políticos, Lula estará ao lado dos
presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, todos de mãos estendidas a
pedir ajuda do futuro governo Michel Temer. Ajuda que dificilmente virá.
A defesa
perante a Justiça é muito diferente da defesa política, na qual Lula é expert. Nesta, a pessoa rebate
ataques com bravatas e palavras que sacodem a plateia. Naquela, advogados
buscam detalhes técnicos que nem sempre convencem os juízes.
Lula terá a solidariedade dos petistas neste
momento? Talvez. Mas o PT já não é o
mesmo de quando o ex-presidente chegou ao Palácio do Planalto. Assim como
Lula. São quase um arremedo do que já foram.
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