A estratégia do PT com o impeachment de Dilma

Apostar no fracasso de Temer

Luís Nassif 
DILMA ROUSSEFF
O PT quer fazê-la tornar-se vítima!!!
Vítimas de um golpe, de uma imensa mentira, do caos da incompetência é a população brasileira que perdeu
emprego, sua firma, sua renda, sua saúde e dignidade por causa da teimosia e despreparo dessa senhora!!!
[ . . . ]
Ontem (quarta-feira, 11 de maio), o Ministro Teori Zavascki negou provimento ao mandado de segurança da AGU (Advocacia Geral da União) propondo a suspensão do processo de impeachment por vício de origem: o fato de ter sido motivado por um ato de vingança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Teori negou, sob o argumento óbvio que um procedimento aprovado por quase 400 parlamentares não poderia ser tratado como um ato de vontade do presidente da Câmara, sem a apresentação de provas mínimas.

Houve quem lesse no voto a negação da análise de mérito do impeachment – o fato de ser proposto sem a caracterização de crime de responsabilidade. Mas Teori limitou-se a mencionar os argumentos do mandado. Ou seja, o questionamento do mérito do impeachment ainda está em aberto.

Até agora, nem AGU nem o PT provocaram o Supremo Tribunal Federal sobre a questão de mérito, os argumentos estapafúrdios invocados para a destituição de uma presidente da República e que estão claramente analisados nos escritos do pai da teoria do impeachment, ex-Ministro Paulo Brossard.

As inconstitucionalidades desse processo estão escandalizando juristas de todos os quadrantes do planeta, chamaram a atenção da imprensa internacional, provavelmente gerarão uma moção de censura da Corte Interamericana de Direitos Humanos. [Será, mesmo?]

Porque, então, a AGU, o governo Dilma, o próprio PT se eximiram de levar essa questão ao Supremo, preferindo estratégias ridículas com o deputado Waldir Maranhão, presidente interino da casa, e com um mandado de segurança que, segundo muitos juristas, teria escassa possibilidade de passar?

Uma das hipóteses é pretender não dar tanta força ao Supremo Tribunal Federal, chamando-o para apreciar o mérito.

O motivo mais lógico é que um presidente interino interessaria ao PT em 2018. Consolidar-se-ia a noção da ilegalidade, recuperaria a imagem de Dilma, como vítima de um golpe, e deixaria o partido livre para reagrupar forças e preparar-se para 2018 confiando no fracasso de Temer.

[Opinião pessoal: eu já tenho uma outra teoria, que penso ser mais próxima à realidade! Afinal, se fôssemos pensar como o autor deste artigo, teríamos de admitir que o ex-Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, se prestou a, apenas, representar um papel, pois no fundo no fundo, ele não queria que o processo de impeachment de Dilma fosso extinto ou interrompido, por isso a defendeu tão mal e cometeu tantas trapalhadas! Para mim, o PT não entrou no Supremo Tribunal Federal com um questionamento sobre o “mérito” do impeachment com medo do tribunal dar razão aos opositores e a sua desculpa e versão de “golpe” ficar ainda mais desmoralizada e inviabilizada! Pois, foi somente isso que sobrou a Lula, Dilma e o PT: fazerem-se de vítimas de uma campanha sórdida com o aval da elite, do STF e setores da sociedade! Quem se autoimolou foi o próprio partido ao perder suas referências éticas, deixar de promover as reformas que havia tanto defendido e se igualado, no que há de pior, aos demais partidos brasileiros! O PT se sujou e quer se limpar com a versão de “golpe”, de manipulação e assim por diante. Acredite nele quem quiser!]

Fonte: GGN – Luís Nassif Online – Quinta-feira, 12 de maio de 2016 – 09h28 – Internet: clique aqui.

Cadê “o povo”?

Eliane Cantanhêde

As multidões que pediram ou condenaram o impeachment
evaporaram na hora H 
DILMA ROUSSEFF E JAQUES WAGNER
puxando a cortina do Planalto e olhando os arredores do Congresso e do palácio, como que repetindo a surpresa de Jânio Quadros depois da renúncia: “Cadê o povo?”
Quarta-feira, 11 de maio às 19h30 (enquanto o Senado votava seu impeachment)

Cumpriu-se a profecia de Eduardo Campos: Dilma Rousseff é a única presidente do Brasil contemporâneo a deixar o País pior, muito pior, do que encontrou. Michel Temer não assumiu interinamente “só” com o desafio de recuperar a confiança, reequilibrar as contas públicas e aquecer a economia de forma a acolher o máximo possível dos 11 milhões de desempregados – o que já é um trabalho hercúleo. Ele terá, também, de refazer o governo, desaparelhar o Estado e restaurar as instâncias de controle, como a inteligência e as agências reguladoras. A sensação é de terra arrasada.

Ao lançar Dilma para a primeira eleição, em 2010, Lula contou como se encantara com aquela moça tão disciplinada, que andava para lá e para cá com um laptop e tinha todas as respostas na ponta da língua. Foi assim que Dilma, que não era próxima dele, não é da história do PT e nunca tinha tido destaque nacional, virou ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil e, enfim, candidata à Presidência, por um único motivo: Lula quis, quis porque ela era... craque no Google.

No seu derradeiro discurso no Planalto ontem, ladeada por ministros, parlamentares e amigos petistas, Dilma repetiu o mesmo discurso de sempre, atribuindo a desagregação política e o desastre na economia à oposição. Não ganhou um voto com isso nesses meses. E não convenceu ninguém ontem. A maioria da Câmara, do Senado, dos agentes econômicos, dos analistas e da opinião pública não comprou a versão.

Dilma sai porque, apesar de manejar bem um computador, não sabe negociar, ceder, ouvir – nem mesmo o padrinho Lula –, nem compreender o jogo da política. Porque, apesar de economista, tomou decisões erradas na macroeconomia, na gestão dos juros, na intervenção no setor elétrico. E porque, apesar de “técnica”, cumpriu à risca a única coisa que aprendeu na política: “fazer o diabo” para ganhar eleições. Daí as pedaladas fiscais, o descalabro das contas públicas.

Estou vivendo a dor da traição e da injustiça”, disse Dilma ontem, com voz surpreendente firme e segura, ao se despedir do Planalto sem jamais ter admitido claramente seus erros. Se não admitiu, também não aprendeu com os próprios erros. Entrou e saiu do governo sem perceber que ganhar eleição é só o começo; o problema é governar depois. Especialmente depois de prometer – e fazer – “o diabo”.

Para Temer, muda-se o verbo, não o princípio: chegar ao poder é só o começo; o problema é governar depois. Especialmente quando se chega lá sem as urnas, precisando conquistar legitimidade pela imagem, pela palavra, pela ação – e por resultados que, no seu caso, têm de ser já. Apoio político e sólida base aliada no Congresso ele tem, boa vontade dos mercados, também. Mas lhe falta o principal: confiança popular.

A foto do dia da votação do Senado que a afastou foi do fotógrafo Dida Sampaio: Dilma e Jaques Wagner puxando a cortina do Planalto e olhando os arredores do Congresso e do palácio, como que repetindo a surpresa de Jânio Quadros depois da renúncia: “Cadê o povo?”. O povo, que é agente da mudança e desde junho de 2013 vai às ruas, foi o grande ausente nesta semana tão intensa em Brasília. Algumas centenas de militantes foram apoiar a saída de Dilma do Planalto. Um único cidadão se dignou a prestigiar a posse de Temer do lado de fora.

Militante petista está sempre a postos para quando seu mestre Lula mandar. Mas Temer não tem militantes, movimentos organizados e “povo”. Entre tantos e tão graves desafios, ele vai, de um lado, tourear MST, CUT, UNE e MTST e, de outro, lutar por índices nas pesquisas e por gente de carne e osso – especialmente as mulheres, mais da metade da população – que acredite e torça para que realmente dê um jeito nesse País tão pior que Dilma deixou.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Sexta-feira, 13 de maio de 2016 – Pág. A10 – Internet: clique aqui.

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