Chegou a hora do PMDB!
Lava Jato mira em núcleo do PMDB
Ricardo
Brandt, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho
Depois de desmontar sistemática de lavagem de dinheiro
do PP e do PT no esquema de corrupção na Petrobrás, força-tarefa da Procuradoria,
em Brasília e Curitiba, foca em contratos de plataformas e setor internacional,
que era área controlada por partido; apurações devem expandir rol de políticos
peemedebistas investigados
![]() |
JOÃO AUGUSTO REZENDE HENRIQUES lobista a favor do PMDB junto a Petrobras, preso pela 19ª fase da Operação Lava Jato |
Com
base no mesmo roteiro adotado para investigar a arrecadação política e
partidária do PP e do PT, a força-tarefa
da Operação Lava Jato trabalha para ampliar as provas de repasses a políticos
do PMDB a partir dos dados de contas e offshores* de operadores de propinas. A investida sobre
os peemedebistas coincide com a provável chegada ao Palácio do Planalto de
Michel Temer, vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB.
Em
conversas reservadas e apurações sigilosas, autoridades ligadas à Lava Jato
indicam que a força-tarefa está próxima de revelar dados e transações capazes
de produzir impacto direto no chamado núcleo político do esquema sustentado
pelos supostos operadores de propina do
PMDB na corrupção desbaratada na Petrobrás: Fernando Soares, o Fernando Baiano,
e João Henriques.
Com
isso, estão na mira o presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente afastado da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (RJ), o
ex-ministro e senador Edison Lobão
(MA) e o senador Valdir Raupp (RO).
Para
a Lava Jato, o PMDB, a exemplo de PT e
PP, empregou uma sistemática para arrecadar propina e lavar dinheiro no
exterior, indicam as frentes de apuração com foco em contratos de
plataformas, poços de petróleo, negócios com multinacionais estrangeiras,
aquisições e vendas de refinarias fora do País, como Pasadena (EUA). Esses inquéritos, em Curitiba e Brasília,
revelarão, em detalhes, a sistemática empregada pela legenda e seus membros
para arrecadar valores – declarados ou não.
Por
meio da análise das mesmas offshores
e contas usadas por João Henriques e Fernando Baiano para transferir propina
aos diretores da Petrobrás, procuradores
da força-tarefa estão no caminho de novas provas do envolvimento e o
recebimento de valores por políticos do PMDB.
Navios-sonda
Fernando
Baiano e João Henriques teriam pagado propinas em um pacote de quatro contratos
de navios-sonda, usados para exploração de petróleo em alto mar. Os
beneficiários na estatal foram dois ex-diretores da área Internacional, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, sustentados
politicamente nos cargos, segunda Lava Jato, pelo PMDB. Presos em Curitiba,
desde o início do ano passado, eles foram denunciados e condenados em processos
da 13ª Vara Federal, sob a guarda do juiz Sérgio Moro – que preside os
processos de alvos sem foro privilegiado.
“João
Henriques teria operado a propina do navio-sonda Titanium Explorer por intermédio de um contrato de agenciamento
internacional. Assim, a documentação
apreendida corrobora a tese no sentido de que o acusado utilizou de empresas offshores para intermediação de propina
em favor do PMDB mediante desvios da diretoria internacional da Petrobrás”,
diz a Procuradoria em um desses processos, que tem como réus Zelada e
Henriques.
João Henriques é uma figura central nessa
apuração. O operador chegou a ser preso no ano passado e denunciado por
corrupção. Só nesta ação penal, ele é acusado pelo acerto de US$ 31 milhões em
propinas em negócio da Diretoria Internacional da Petrobrás, em 2009, então sob
comando de Zelada. “Parte desse valor,
US$ 10,8 milhões, teria sido repassada para o PMDB”, diz a Procuradoria.
Em
delação premiada, o ex-gerente da área Internacional da Petrobrás Eduardo Musa, que tinha relação direta
com negócios de plataformas, afirmou que ouviu do próprio operador de propinas
João Henriques que ele era indicado pelo PMDB de Minas Gerais, mas quem tinha a
palavra final da área “era Eduardo Cunha” – o presidente afastado da Câmara dos
Deputados. O parlamentar nega.
![]() |
FERNANDO SOARES, VULGO FERNANDO BAIANO outro lobista e operador de propinas do PMDB na Petrobras, já preso pela Lava Jato, agora, é delator |
Loteamento
Para
a força-tarefa da Lava Jato, o PMDB era a segunda perna de sustentação do
esquema de corrupção sistêmica nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma
Rousseff, descoberto a partir da Petrobrás. Na estatal petrolífera, a
organização criminosa denunciada montou, em síntese, uma sistemática de
loteamento partidário de diretorias-chave e indicações de diretores, que, via
operadores de propina, fraudavam e desviavam de 1% a 3% dos contratos. Eles
atuavam em conluio com empresários de um cartel que abastecia o maior caixa da
corrupção descoberto até aqui no Brasil: mais de R$ 20 bilhões.
Uma
arrecadação que beneficiou PT, PMDB e PP, apontados como controladores do
esquema, mas também irrigou cofres de partidos da oposição, como PSDB. As
investigações sobre o esquema do PMDB nas propinas na Petrobrás iniciaram em
2014, em Curitiba – sede da Lava Jato. Os trabalhos da Polícia Federal e do
Ministério Público Federal pavimentaram até aqui o caminho para acusações
contra políticos, iniciadas este ano pela Procuradoria Geral da República, como
a feita contra o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha. A cota do PMDB no
esquema era a Diretoria de Internacional, área responsável por algumas das
investigações em curso.
Contratos
A
força-tarefa considera ter elementos para apontar que João Henriques tenha
distribuído propina em projetos de gasodutos na bacia de Santos, na compra de
Pasadena, nos Estados Unidos, na venda Refinaria San Lonrenzo, na Argentina, a
perfuração de poços na África, além de outras obras como a reforma do Centro de
Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio. A quebra de sigilo de uma de suas
empresas mostrou que Henriques recebeu comissões milionárias na maior parte
desses projetos.
Frentes
A
Lava Jato tem outras duas frentes de investigação que atingem diretamente o PMDB:
1ª) a corrupção revelada pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa na
Transpetro, subsidiária da estatal, e
2ª) as investigações do setor elétrico, como
as obras de Belo Monte.
No caso da Transpetro, o maior risco é para o
presidente do Senado, Renan Calheiros, padrinho do ex-presidente Sérgio
Machado, que comandou a subsidiária durante os governos Lula e Dilma.
Costa
revelou ter entregue R$ 500 mil a Machado, por propina referente ao afretamento
de navios. No caso do chamado eletrolão, o executivo Otávio Azevedo, da Andrade
Gutierrez, confessou que houve pagamento de propina de R$ 150 milhões na obra,
divididos pela metade entre PMDB e PT.
* Chamam-se
popularmente de offshores [expressão inglesa que significa: afastado da costa, em alto
mar] as contas bancárias e empresas abertas em paraísos fiscais, geralmente com o intuito de pagar-se menos
impostos do que no país de origem dos seus proprietários. Como a grande maioria
dos países que permitem a criação desse tipo de empresa anônima — ou a abertura
desse tipo de contas bancárias anônimas — fica em ilhas, (tais como as
Bermudas, Jersey, Ilhas Cayman etc.), por extensão de sentido, esse tipo de
empresa anônima ou de conta bancária anônima passou a ser chamado de offshore, embora alguns países continentais,
como o Grão-Ducado do Luxemburgo ou o Principado de Mônaco também as permitam,
usando esquemas legais diferentes, porém de resultados equivalentes (Fonte: aqui).
Fonte: ESTADÃO.COM.BR – Blog
“Fausto Macedo” – Operação Lava Jato – 08/05/2016 – 04h00 – Internet: clique aqui. Edição impressa: Domingo,
8 de maio de 2016 – Pág. A4.
Mas ainda têm muitos do PT na mira
da Lava Jato
Márcio Falcão
Janot pede que Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo
devolvam
R$ 2 milhões aos cofres públicos
Na
denúncia oferecida ao STF (Supremo Tribunal Federal), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede que a senadora
Gleisi Hoffmann [PT-PR], o ex-ministro Paulo Bernardo [PT-PR], e um empresário
ligado ao casal sejam condenados a devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos.
O
procurador afirma que R$ 1 milhão é
referente a propina recebida do esquema de corrupção da Petrobras e outro R$ 1
milhão por danos materiais "já que os prejuízos decorrentes da
corrupção são difusos, provocando lesões à ordem econômica, à administração
pública entre outros.
A Procuradoria
Geral da República [PGR] denunciou ao STF Gleisi, Paulo Bernardo, seu marido, e
o empresário Ernesto Kugler Rodrigues
pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato.
A
acusação é que a campanha de Gleisi ao
Senado, em 2010, teria recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção da
Petrobras.
Segundo
a Procuradoria, o valor da propina foi
desviado da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo
Roberto Costa. A vantagem indevida teria sido paga pelo papel de relevância
dos dois no PT.
"Paulo Roberto Costa então anuiu com o
pagamento da vantagem indevida solicitada por Paulo Bernardo em favor de Gleisi
Hoffmann dada a importância do PT e de ambos para a sua manutenção no cargo
de Diretor de Abastecimento da Petrobras levando em conta o respectivo
exercício de funções de relevo no Governo Federal, inclusive em perspectiva
para o mandato presidencial que se iniciaria no ano seguinte."
A
PGR sustenta ainda que, apesar da negativa de Paulo e Gleisi, o ex-ministro "era um verdadeiro
operador de sua esposa" na parte financeira da campanha. Entre os
indícios estão 163 ligações dele para o
telefone do assessor responsável pela administração financeira da campanha e
para o PT no Paraná. A denúncia diz ainda que ele valeu-se da importância
do cargo ocupado no ministério.
A
denúncia será analisada pelo ministro
Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, que levará o caso para a
segunda turma do tribunal, composta por cinco integrantes.
Se os ministros aceitarem a
denúncia, os dois serão transformados em réus. Não há data prevista para essa análise
acontecer.
Gleisi é uma das principais
lideranças do PT no Senado e foi chefe da Casa Civil no governo da presidente
Dilma Rousseff entre junho de 2011, quando Antonio Palocci deixou o cargo, e fevereiro
de 2014 – ela deixou o cargo para concorrer ao governo do Paraná e ficou em 3º
lugar na disputa.
[ .
. . ]
Comentários
Postar um comentário