De quanto o Brasil precisa para não termos pobres?
Erradicar pobreza
no País exigiria mais R$ 25 bilhões por ano, isto é, o custo da Copa de 2014
Jamil Chade
Número faz parte de levantamento da
OIT; Brasil é o sexto país que mais teria de gastar entre os emergentes para
atingir meta da ONU
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GUY RYDER Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão da ONU |
A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o Brasil precisa de US$ 7,2 bilhões (R$ 25 bilhões) extras por ano para
acabar com a pobreza no País até 2030, o ano estabelecido pela ONU para que
os governos atinjam a meta. O valor é o
equivalente a uma Copa do Mundo por ano e os dados fazem parte de um
levantamento inédito.
Em 15 anos, o
mundo precisaria de US$ 10 trilhões para erradicar a miséria, cerca de US$ 600 bilhões
por ano. De forma global, os valores representam apenas 0,8% do planeta. Mas a OIT estima que esse dinheiro não tem
como ser levantado e que a única forma de garantir o combate à pobreza é a
geração de empregos e a preservação dos direitos sociais.
Em termos absolutos, o Brasil é o sexto que mais teria de gastar entre os países emergentes.
A Índia precisaria de aportes extras
de US$ 61 bilhões; a China, US$ 37
bilhões; Nigéria, US$ 36 bilhões; Etiópia, US$ 10,7 bilhões; e Indonésia, US$ 10,2 bilhões.
Num informe publicado na quarta-feira, 18 de maio, a
OIT alerta para o fato de que os avanços
sociais obtidos nos últimos anos foram desfeitos ou anulados em diversos países
do mundo. “A pobreza relativa nos países em desenvolvimento está
aumentando”, declarou a entidade. [Será esse o caso do
Brasil devido à má gestão do orçamento e a falta de um programa sustentável e
realista de desenvolvimento industrial, de nossa infraestrutura e
tecnológica!!!]
“Em 1990, 47% da população mundial vivia com menos
de US$ 1,90 por dia. Em 2012, essa taxa caiu para 15%”, disse Guy Ryder,
diretor-geral da OIT. “Mas o progresso é frágil e se os avanços foram reais na China e na América Latina, ainda temos 40%
dos africanos em situação de pobreza. E, nos países ricos, a pobreza também aumentou”, disse. “Hoje, o
desemprego aumenta e a pobreza tende a se perpetuar. No planeta, 30% da
população é responsável por apenas 2% da renda”, alertou.
COPA
No caso do
Brasil, o País tiraria todos da pobreza com mais 0,3% do PIB por ano em gastos
sociais.
Isso garantiria que todos no País tivessem uma renda acima de US$ 3,1 por dia,
o nível que estabelece a fronteira da pobreza, segundo os organismos
internacionais. O valor total seria o
equivalente ao que o Tribunal de Contas da União estimou ter sido gasto no
Mundial de 2014, de R$ 25 bilhões.
Mas para garantir uma renda diária de pelo menos US$
5,00, o Brasil teria de ampliar seus gastos sociais em US$ 23,2 bilhões, ou 2%
do PIB do país a cada ano.
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O DINHEIRO DOS MAIS POBRES É GASTO IMEDIATAMENTE NO CONSUMO DE BENS MAIS NECESSÁRIOS, O QUE AJUDA A MELHORAR A ECONOMIA DO PAÍS |
Para a OIT, o combate à pobreza promete ser um dos
principais desafios nos próximos anos no Brasil, com uma recessão profunda. A entidade acredita que a taxa de
desemprego, de cerca de 11%, deve aumentar ainda mais até o final do ano antes
de começar a regredir.
Diante dos números e da situação do País, a OIT
pediu que a nova equipe econômica de Michel Temer não “desmantele” os programas
sociais criados no Brasil nos últimos 20 anos. Para Ryder, instrumentos como o
Bolsa Família e outros mecanismos que garantem “dinheiro no bolso dos mais
pobres é a melhor forma de tirar a economia do buraco que se encontra hoje”.
Segundo Ryder, Temer já deu sinais de que não iria
mexer no Bolsa Família. Mas insiste que “fechar a equação” entre o rombo fiscal
e garantir os benefícios sociais vai ser um “desafio” ao governo. “O
Brasil terá de escolher suas prioridades”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo. [É preciso ficar claro que o nosso país não terá dinheiro
para tudo e para todos os projetos! Há de se priorizar programas e projetos
voltados aos mais pobres!]
“Há o fim de
um ciclo de crescimento e toda a América Latina entra agora em uma
desaceleração”,
disse. “Isso nos deixa muito preocupados diante da possibilidade de que os ganhos sociais sejam revertidos. A
prioridade deve ser a de manter as políticas sociais”, defendeu.
“O Brasil está passando por tempos difíceis. A
mensagem importante hoje é que, com a mudança de governo, o sucesso obtido nos
últimos anos no setor social não deve ser revertido. Fico satisfeito em ver que
o Bolsa Família vai ser mantido. O novo governo reconhece esse sucesso e deve
continuá-lo”, disse Ryder.
“A economia brasileira perdeu 4% em 2015 e deve
seguir o mesmo caminho em 2016. Portanto, deixar dinheiro no bolso dos pobres é
uma das melhores formas de lidar com a economia e tirá-la do buraco que se
encontra”, alertou. Hoje, menos de 40% da renda da camada mais pobre da população
vem de um trabalho remunerado.
De uma forma geral, a OIT apelou para que, nessa fase de recessão, os direitos dos
trabalhadores sejam preservados. Para Ryder, a pobreza é resultado de “fracasso institucional e do fracasso do
diálogo social”. “A corrupção
também precisa ser lidada”, apontou.
Se os gastos sociais terão de ser importantes, a OIT
aponta que o Brasil, por conta de um PIB significativo, não vive a mesma
situação de outros países em desenvolvimento. Para erradicar sua pobreza, o
Malawi precisaria o equivalente a 77% de seu PIB. Na média, os emergentes
teriam de realizar gastos extras de 21% de seu PIB.
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