Papa Francisco em diálogo com o mundo
Francisco pede para mudar o estilo de vida de
“superioridade cultural”
Rocío Lancho
García
Papa pede para ouvir “o clamor das vítimas e daqueles
que sofrem” em sua mensagem à Cúpula Mundial Humanitária celebrada em Istambul,
convocada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas
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CHEFES DE ESTADO POSAM PARA FOTO DURANTE A CÚPULA HUMANITÁRIA MUNDIAL Istambul (Turquia), 23-24 de maio de 2016 |
Pela
primeira vez nos 70 anos de história das Nações Unidas, o seu secretário-geral,
Ban Ki-moon, convocou uma Cúpula
Humanitária Mundial. Este encontro é celebrado em Istambul (Turquia) de 23
ao 24 de maio. Para lá viajou uma delegação vaticana para representar a Santa
Sé. O cardeal Pietro Parolin,
secretário de Estado, e chefe da delegação, leu esta tarde uma mensagem do Santo Padre.
Assim,
Francisco lança um desafio aos
assistentes da Cúpula:
“Escutemos
o grito das vítimas e dos que sofrem. Deixemos que eles nos ensinem uma lição
de humanidade. Mudemos o nosso modo de vida, a política, as opções econômicas,
as condutas e atitudes de superioridade cultural”.
Da
mesma forma, garante que aprendendo das
vítimas e daqueles que sofrem, “seremos capazes de construir um mundo mais
humano”.
Na
mensagem, o Papa manifesta o seu desejo de que este encontro possa “contribuir
de uma forma real para aliviar os sofrimentos” de milhões de pessoas, e que os
frutos da Cúpula “se possam demonstrar através de uma sincera solidariedade e
respeito verdadeiro e profundo pelos direitos e a dignidade das pessoas que
sofrem devido aos conflitos, à violência, à perseguição, e aos desastres
naturais”. Neste contexto, esclarece Francisco, “as vítimas são os mais vulneráveis, aqueles que vivem em condições de
miséria e exploração”.
O
papa Francisco cumprimenta os presentes, reunidos nesta ocasião para serem “um
ponto de viragem na vida de milhões de pessoas que necessitam de proteção, de
cuidados e assistência, e que procuram um futuro digno”.
Por
outro lado, o Santo Padre diz que não
podemos negar que hoje em dia muitos interesses impedem soluções aos conflitos,
e estas estratégias militares, econômicas e geopolíticas desalojam pessoas e
povos e “impõem o deus dinheiro”, o “deus poder”. Ao mesmo tempo, afirmou
que “os esforços humanitários são frequentemente condicionados por limitações
comerciais e ideológicas”.
O
Papa argentino explica que aquilo que é
necessário hoje é um renovado compromisso de proteger “cada pessoa em sua vida
diária” e “a sua dignidade e os seus direitos humanos, a sua segurança e as
suas necessidades integrais”. Também é necessário – continua Francisco – preservar a liberdade e a identidade social
e cultural dos povos; sem que isso implique casos de isolamento, mas que
favoreça a cooperação, o diálogo, e especialmente a paz.
E
insiste mais uma vez:
* não deve haver nenhuma família sem lar,
* nenhum refugiado sem acolhida,
* nenhuma pessoa sem dignidade,
* nenhuma pessoa ferida sem cuidado,
* nenhuma criança sem infância,
* nenhum homem ou mulher jovem sem futuro,
* nenhuma pessoa idosa sem digna velhice.
Que
esta seja também a ocasião, exorta o Pontífice, de reconhecer o trabalho
daqueles que servem os seus vizinhos e contribuem para consolar “os sofrimentos
das vítimas da guerra e a calamidade, dos refugiados e deslocados, e dos que se
preocupam pela sociedade”, especialmente através de opções valentes a favor da
paz, do respeito, do cuidado e do perdão.
Para
concluir, o Santo Padre esclarece que
ninguém ama um conceito ou uma ideia, mas amamos as pessoas. Por isso,
garante que “o autosacrifício, o
verdadeiro dom de si”, brota do amor “aos homens e mulheres, às crianças e
idosos, aos povos e comunidades”.
Fonte: ZENIT.ORG – Segunda-feira, 23 de maio
de 2016 – Internet: clique aqui.
Papa Francisco se reúne com líder da principal
instituição do islã no mundo
Agências de
notícias
Ao receber Tayeb no Palácio Apostólico, Francisco disse
que o fato de os dois estarem se reunindo já era significante para que a
relação fosse reatada.
“A reunião é a mensagem”, disse o pontífice ao líder
religioso islâmico.
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AHMED AL-TAYEB E PAPA FRANCISCO Histórico encontro no Vaticano após cinco anos de relações estremecidas entre islâmicos e católicos |
O
papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (23 de maio) Ahmed al-Tayeb, líder da Mesquita
de al-Azhar, principal instituição islâmica sunita do mundo. O encontro
acontece após cinco anos de relações congeladas com o Vaticano.
Em
2011, os líderes islâmicos decidiram cortar relações depois que Bento 16 disse existir "uma
estratégia de violência que coloca os cristãos como alvo" depois de um
atentado matar 21 pessoas em uma igreja cristã copta em Alexandria.
A mensagem irritou a
instituição, que considerou a mensagem do antecessor de Francisco no Vaticano
um insulto ao islã. Desde então, os ataques de extremistas aos cristãos cresceram, mas as
duas instituições não retomaram laços.
Ao
receber Tayeb no Palácio Apostólico, Francisco
disse que o fato de os dois estarem se reunindo já era significante para que a
relação fosse reatada. "A reunião é
a mensagem", disse o pontífice ao líder religioso islâmico.
Os
dois conversaram por 25 minutos antes de posarem para fotos com jornalistas.
Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, os dois discutiram sobre o diálogo inter-religioso entre o
cristianismo e o islamismo.
Lombardi
disse que o papa sugeriu ao dirigente da Mesquita de al-Azhar "a necessidade de que os líderes e os fiéis
das duas maiores religiões do mundo mostrem compromisso comum para a paz no
mundo".
"Eles ainda discutiram
a rejeição à violência e ao extremismo e as dificuldades enfrentadas pelos
cristãos no contexto dos conflitos e tensões no Oriente Médio e sua
proteção",
disse o Vaticano, em comunicado.
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PÁTEO INTERNO DA MESQUITA DE AL-AZHAR - NO EGITO A MAIS IMPORTANTE INSTITUIÇÃO ISLÂMICA DO MUNDO |
Desde
que assumiu o pontificado, em março de 2013, Francisco fez encontros com
diversos líderes religiosos, na tentativa de melhorar a relação entre a Igreja Católica e outras instituições do
cristianismo e de outras religiões.
Em
fevereiro, ele se encontrou em Cuba com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa,
Cirilo, e se reuniu em Istambul com o patriarca da Igreja Ortodoxa de
Constantinopla, Bartolomeu. Também se aproximou do judaísmo e de evangélicos.
A Mesquita de al-Azhar fica
no Egito e tem uma universidade com mais de 450 mil estudantes, a maioria oriunda de
países da Ásia e da África. A
instituição também administra 9.000 escolas com mais de 2 milhões de alunos.
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