Cunha, “zumbi político”, age na Câmara e no Governo!
Afonso Benites
Peemedebista afastado pelo STF vai hoje ao Conselho de
Ética da Câmara
CONSELHO DE ÉTICA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS recebe nesta quinta-feira, 19 de maio, o Deputado Eduardo Cunha que está sendo julgado |
Desde
que foi considerado indigno pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para presidir a
Câmara dos Deputados e afastado do cargo, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ) é uma espécie de bode que quase foi retirado da sala. Na
imagem jocosa usada por dois deputados que discutiam a situação dele nesta
terça-feira em Brasília, ele "empacou" ao passar na porta. É nesta qualidade de zumbi político, com
influência para emplacar ao menos três nomes no Governo Temer e tumultuar o
andamento na Casa que presidiu com mãos de ferro, que Cunha prepara o seu
arsenal para a próxima quinta-feira, quando irá depor ao Conselho de Ética, que
analisa uma representação contra ele por quebra de decoro parlamentar. Enquanto
seus adversários políticos o consideram fragilizado no cenário, o peemedebista
vai repetir sua estratégia, a de se
defender das acusações na Operação Lava Jato atacando seus inquisidores.
Já foram empossados três
aliados de Cunha na gestão interina de Michel Temer (PMDB) no Palácio do Planalto e mais um está próximo de sê-lo. Dois
ex-advogados de Cunha estão em postos estratégicos da União. Alexandre de Moraes é o ministro da
Justiça, o órgão ao qual a Polícia Federal é subordinada, e Gustavo do Vale Rocha é o subchefe para
Assuntos Jurídicos da Casa Civil - por esse departamento passam todos os atos
legislativos aos quais o Governo precisa se posicionar, como elaborações de
medidas provisórias e aprovações de vetos às leis recém-aprovadas no Congresso
Nacional. O terceiro homem de Cunha na nova administração é seu ex-assessor especial
Carlos Henrique Sobral, o novo chefe
de gabinete da Secretaria de Governo.
Outro
posto almejado que pode ser considerado como alvo de sua influência é o do comando da Empresa Brasileira de
Comunicação (EBC). Nesta terça-feira, o então titular do cargo Ricardo Melo
foi exonerado, apesar do mandato de quatro anos, recém iniciado. Melo anunciou
que vai à Justiça. Seja como for, dois
nomes ligados a Cunha estão cotados. Um deles é Laerte Rímoli, cujo trabalho mais recente foi o de diretor de
comunicação da Câmara sob Cunha. Antes, ele, além de trabalhar nos maiores
jornais, como Melo, assessorou campanhas de Aécio Neves e Geraldo Alckmin. O
outro é o do diretor-executivo da Comunicação Social da TV Câmara, Claudio Lessa.
EDUARDO CUNHA E WALDIR MARANHÃO Maranhão, que sempre foi aliado de Cunha, permanece como presidente interino da Câmara, mas apenas em papel decorativo, não preside mais as sessões! |
Caso
Maranhão
Na própria Câmara, a
influência de Cunha parece não ter fim. Ele conseguiu esvaziar quase todas as sessões que
seriam presididas pelo primeiro-vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), nada foi votado desde que ele deixou o
cargo, no dia 5 de maio. A primeira sessão de Maranhão, nesta terça, foi de
embates, com os neogovernistas PSDB e DEM exigindo sua saída e o acusando de
ser fantoche de Cunha. Maranhão tem
repetido que não renunciará e se fia numa coalizão de partidos do chamado
Centrão, que buscam proeminência no Governo Temer, para dizer que fica onde
está.
Nesta
semana, o deputado Arthur Lira (PP-AL),
da tropa de choque do peemedebista e também investigado pela Lava Jato, foi
escolhido para presidir uma das principais comissões do Congresso Nacional, a
Mista de Orçamento. Depois dessa vitória, o peemedebista luta para emplacar
outros de seus fiéis seguidores na liderança do Governo Casa e na presidência,
caso o cargo de presidente seja considerado vago nos próximos dias e seja
necessário realizar uma eleição para um mandato tampão. As funções seriam
disputadas por três aliados: André Moura
(PSC-SE), Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO).
Moura é considerado por
alguns deputados o “papel-carbono de Cunha”. É uma espécie de representante do baixo
clero que tem no peemedebista sua “fonte inspiradora”. Investigado pela Lava Jato, o deputado sergipano é o favorito do grupo
do “centrão” para ocupar a liderança de Temer na Câmara. O presidente em
exercício é reticente ao nome dele, preferia ter na vaga Rodrigo Maia (DEM-RJ),
mas teme que se isso for feito sua base no legislativo não seja tão segura como
estima. Rosso e Arantes foram, respectivamente, presidente e vice da comissão
do impeachment. O primeiro
concorreria a uma vaga de presidente-tampão. O segundo seria candidato ao
mandato do próximo biênio (2017-2019), mas caso o representante do PSD não
consiga a indicação de seus pares, estaria disposto a ocupar a vaga já. [Temer acabou “aceitando” colocar como líder do governo na
Câmara, o deputado federal André Moura, PSC-SE!]
“A atual situação é de
desconforto para a Câmara. Não podemos continuar com um presidente afastado e
outro escondido. Temos de mudar isso já”, reclamou o líder do DEM, Pauderney Avelino. O partido dele juntamente com outros três deverá
apresentar três questionamentos sobre a vacância do cargo de presidente. Um
para a Mesa Diretora, outro para a Comissão de Constituição e Justiça e o
último para o STF.
RESIDÊNCIA OFICIAL DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Eduardo Cunha continua desfrutando desta luxuosa e confortável habitação oficial!!! |
Recados
pela imprensa
Enquanto
faz suas articulações, Cunha continua
vivendo na luxuosa residência oficial do presidente da Câmara e recebendo seu
salário integral, de aproximadamente 33.000 reais, cota parlamentar de 96.000 e
benefícios de saúde. Aos que imaginam que ele está recebendo sem trabalhar,
se enganam. Ainda que o trabalho não seja o específico de um parlamentar. Desde a queda de Dilma Rousseff (PT) ele
continua se reunindo com lideranças políticas. Manda recados pela imprensa
de que não se afastou de Temer (apesar do presidente em exercício não admitir
essa proximidade e dizer ao programa Fantástico de que tanto faz tê-lo na
presidência da Câmara) e prepara, junto com seus advogados, suas defesas em
cinco processos que responde no STF por crimes como corrupção e lavagem de
dinheiro.
Seus
aliados dizem que sua principal indignação é ter perdido a possibilidade de
frequentar a Câmara e, consecutivamente, não ter mais acesso aos meios de
comunicação que usava para se defender das diversas acusações que surgiam
contra ele quase semanalmente.
Nesta
terça-feira, no Conselho de Ética
quem depôs foi o advogado José Tadeu de Chiara, contratado por Cunha para
elaborar um parecer sobre as contas que ele possui no exterior. A sessão foi
esvaziada. Nem os representantes da tropa de choque do peemedebista nem seus
adversários fizeram intervenções longas. O vice-presidente do colegiado, Sandro
Alex (PSD-PR) disse que a reunião parecia uma pós-graduação sobre trust, o nome
dado à conta que o deputado, e pouco acrescentou no debate que se estende há
seis meses – é o caso mais longo do
Conselho de Ética.
Fonte: El País – A crise
política no Brasil – Governo Temer – Terça-feira, 17 de maio de 2016 – 22h03 –
Internet: clique aqui.
Considerado o “homem de Cunha”, líder do governo Temer
na Câmara é investigado pela Lava Jato
Igor Gardelha
Mesmo
afastado, Eduardo Cunha articulou apoio de cerca de 300 deputados para
indicação de André Moura; ele está no 2º mandato
ANDRÉ MOURA (PSC-SERGIPE) É o novo líder do Governo na Câmara Federal: tem até investigação e suspeita de assassinato contra ele!!! |
O
líder do governo Michel Temer na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC-SE), é um dos
membros da chamada "tropa de
choque" de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa, e,
assim como o peemedebista, é formalmente investigado pela Operação Lava Jato.
O parlamentar está em seu segundo mandato
consecutivo de deputado federal (2011-2015 e 2015-2019) por Sergipe. Antes
disso, foi deputado estadual por um mandato (2006 a 2010) e prefeito da cidade sergipana de Pirambu por
dois mandatos (1997 a 2004), pelo extingo Partido da Frente Liberal (PFL).
Na
Câmara dos Deputados, André Moura estava
à frente da liderança do PSC na Casa desde março de 2012. O parlamentar, no
entanto, só ganhou notoriedade após Cunha chegar à presidência da Casa, quando
passou a ser considerado o "homem de Cunha".
Toda
essa proximidade fez com que Cunha, mesmo afastado, articulasse apoio de cerca
de 300 deputados de 13 partidos para indicação de Moura para liderança do
governo Temer. O parlamentar sergipano
disputava o posto com Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendido por siglas da antiga
oposição, como PSDB, PPS e DEM.
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ANDRÉ MOURA É CONSIDERADO O "PAPEL CARBONO" DE EDUARDO CUNHA! Agiu para atrapalhar o julgamento deste pelo Conselho de Ética da Câmara e, agora, recebe sua recompensa! |
Conselho
de Ética
Moura é tido um dos
principais articuladores de Cunha no Conselho de Ética da Câmara, onde o peemedebista é alvo
de processo que pode levar à sua cassação. O novo líder do governo Temer
articulou a troca de membros do colegiado, na tentativa de salvar o presidente
afastado.
Nessas
negociações, Moura também operou como mensageiro entre Cunha e ministros da
presidente afastada Dilma Rousseff. Coube
ao deputado negociar com o Planalto, a pedido do peemedebista, os votos do PT
no Conselho de Ética em troca da não deflagração do impeachment da petista. A negociação, porém, não teve sucesso.
Bandeiras
Na
Câmara, o novo líder do governo faz
parte da bancada católica [mas não me representa,
com certeza!] e empunha bandeiras como a criminalização do aborto e o
Pacto Federativo. A proximidade com Cunha fez com que ele fosse escolhido
presidente de comissões especiais, como a de Redução da Maioridade Penal e do
Piso Nacional dos Vigilantes.
Lava
Jato
Na
Operação, o novo líder do governo é
formalmente investigado sob suspeita de atuar em conjunto com outros aliados de
Cunha para chantagear empresas na Câmara. A Procuradoria-Geral da República
(PGR) suspeita que o grupo apresentou requerimentos e atuou na Casa para
pressionar o grupo Schahin. O deputado nega.
Vida
pessoal
Moura
nasceu em Salvador (BA), tem 44 anos e é casado com Lara Ferreira desde 1993,
com quem tem dois filhos. O novo líder
do governo não tem formação superior. Começou os cursos de administração de
empresas e de gestão pública na Universidade Tiradentes, em Sergipe, mas não
concluiu.
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