Não estou ouvindo a CUT, a UNE, o MST e o MTST gritarem contra o desemprego!
Desemprego alcança 36% dos jovens em
São Paulo, diz Dieese
Anna Carolina Papp
Em abril do ano passado, essa parcela era de 27% na
faixa etária
entre 16 a 24 anos
Com a crise econômica e a
queda na renda, o mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais hostil aos
mais jovens.
Na Região Metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego na faixa etária de
16 a 24 anos já ultrapassou um terço, batendo 36% em abril, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego, feita
pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Econômicos (Dieese). No mesmo mês do ano passado, essa taxa era de
27%.
“Esse patamar só foi
observado em 2004. Em abril daquele ano, a taxa chegou a 36,3%”, afirma Alexandre Loloian,
economista da Fundação Seade. Ele explica, porém, que nesse período se observou
o pico da taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo. “A
desocupação geral estava na casa dos 20%. Hoje,
estamos em 16%, então a taxa de desemprego do jovem é muito mais representativa”,
afirma.
Nos últimos 12 meses, diz Loloian, foram fechados cerca de 200 mil postos para
trabalhadores com essa faixa etária. Ele afirma que, além das demissões, a
taxa cresceu de forma significativa pelo ingresso expressivo de novos jovens no
mercado de trabalho. “Os setores que mais demitiram foram indústria e
construção, postos normalmente ocupados por chefes de família. Para manter o equilíbrio do orçamento
doméstico, muitos jovens foram obrigados a entrar no mercado de trabalho,
aumentando a taxa de participação desse segmento”, diz o economista.
Em
alta
Segundo
a pesquisa, a taxa de DESEMPREGO GERAL na
Região Metropolitana de São Paulo avançou de 15,9% em março para 16,8% em abril.
No mesmo período do ano passado, a taxa verificada era de 14,2%. O indicador é o maior para o mês em dez
anos – em abril de 2006, a fatia era de 16,9%.
Em abril deste ano, o
contingente de desempregados foi estimado em 1,868 milhão de pessoas – 118 mil mais do que em
março. O crescimento, porém, foi puxado pela expansão da População
Economicamente Ativa (PEA), uma vez que o nível de ocupação ficou praticamente
estável. No mês, 113 mil pessoas entraram no mercado de trabalho, um aumento de
1%; já o nível de ocupação recuou 0,1%, com o fechamento de 5 mil postos de
trabalho.
Até
para o ensino superior
A dificuldade para encontrar
uma ocupação aparece ainda na universidade. O estudante do 4.º ano de Engenharia Civil
Fábio Martinez, de 24 anos, está procurando um emprego ou estágio desde
dezembro de 2015. “O mercado de
engenharia civil não está favorável e é muito ruim se formar sem ter essa
experiência de campo”, lamenta.
Nem a conquista do diploma
tem favorecido esse cenário. Formada em Publicidade e Propaganda em 2015, Nicole Gomes de Andrade,
de 21anos, diz que as empresas querem um profissional muito específico. “Se
você não atende a um dos pré-requisitos, tem sempre alguém que atende e que
também está desempregado.”
A falta de experiência é
outro obstáculo. No começo do ano, Nicole tentou vagas na sua área, mas resolveu
ampliar as buscas e até fez uma entrevista para vendedora em uma loja de
roupas. Não deu certo. “Como tinha um número grande de pessoas para escolher,
foi mais conveniente pegar alguém com experiência do que me contratar”,
explica.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Economia –
Quinta-feira, 26 de maio de 2016 – Pág. B5 – Edição impressa.
Até abril, País fechou 378 mil vagas
Rachel
Gamarski
Esse é o pior resultado para os primeiros quatro meses
do ano desde 1992
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O Brasil perdeu 62.844 mil
vagas de emprego formal em abril. O resultado é melhor do que o verificado no mesmo
mês do ano passado, mas nos quatro primeiros meses do ano o País já fechou
378.481 postos de trabalho, pior resultado para o período desde o início da
série histórica, em 1992.
O
resultado para o mês ficou dentro das previsões do analistas do mercado
financeiro. As expectativas de 22 instituições variavam de um corte entre 2 mil
e 149,4 mil postos com carteira assinada. Com base neste intervalo de
estimativas, a mediana era de fechamento de 51.500 vagas, sem ajuste sazonal.
Um dos poucos setores que
ainda contratam é a agricultura. Em abril, o setor agrícola abriu 8 mil postos de
trabalho, enquanto a construção civil, importante termômetro econômico, perdeu
16 mil vagas de emprego formal.
O setor de comércio ainda é
o que mais demite no País em meio à crise econômica e ao fechamento de lojas. O segmento eliminou 30.507
mil vagas no mês passado. A indústria da
transformação e a construção civil também demitiram mais de 10 mil
trabalhadores com carteira assinada em abril.
No
cenário de demissões, o Nordeste é a
região que mais perdeu postos de trabalho no mês passado. Em abril, a
região fechou quase 26 mil vagas. Só o Centro-Oeste continua contratando. O
centro do País abriu 4 mil vagas formais de trabalho no último mês.
Os
dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) de março são fruto de 1.258.970 admissões e 1.321.814
desligamentos e foram divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho, comandado
pelo novo ministro Ronaldo Nogueira.
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