A república do PT + PMDB + PP + PTB e outros acabou com o país!
Operação suja a jato
Dora Kramer
Gravações não expõem crimes, mas põem abaixo a máscara daqueles
que posam de defensores da Lava Jato, da justiça e da moralidade
Na
mais recente turbulência política provocada pela divulgação de conversas para
lá de embaraçosas de três “capas-pretas” do PMDB, um detalhe chama especial atenção: nenhum dos personagens
estimulados a dizer o que não deveriam ao gravador de Sérgio Machado se animou
a reclamar em público pelo fato de terem servido de cobaias na coleta de
material para uma delação premiada.
Romero Jucá, José Sarney e Renan
Calheiros aludiram à inadequação do “contexto” dos trechos divulgados,
negaram intenções escusas por trás das palavras obscuras, mas não impuseram
reparos nem qualificaram como traiçoeiro o ato do ex-presidente da Transpetro
ali sustentado pelo partido por 12 anos consecutivos. Com a anuência e o aval
do PT, o dono da bola nesse período.
Ao menos os três tiveram o
bom senso de não invocar o argumento da perseguição política, da conspiração ou
coisa que valha. Escolados e escaldados preferiram por ora aguardar os acontecimentos
sem maiores precipitações. Não cutucaram a fera ferida nem fizeram acusações
aos investigadores, aos promotores que negociaram a troca de informações ou ao
ministro Teori Zavascki que homologou a delação.
Nisso, se diferenciaram (sem ilações de que nisso
resida mérito, por favor) dos petistas,
cuja prática de atacar o mensageiro equivale a sistemáticas assinaturas de
recibos, além de levá-los a desmentir as próprias versões. Um exemplo foi a
reação de Dilma Rousseff à conversa em que
Romero Jucá sugere que o impeachment
da presidente daria conta de “estancar essa sangria”.
Dilma e os companheiros de
partido de imediato atribuíram ao diálogo a condição de “prova” da conspiração
para derrubá-la, que nada teria a ver com o crime de responsabilidade ora em exame na
comissão especial do Senado. Quer dizer,
a mandatária afastada não respeita delator, mas tem o maior respeito pelas
gravações feitas por Sérgio Machado na busca de sua delação. Do mesmo modo,
o PT desqualifica o teor de gravações e
depoimentos que implicam seus correligionários, mas qualifica o método quando o
atingido é o adversário.
E
cessam por aí as diferenças, pois algo
mais forte os iguala: o desejo de que a operação fosse lavada da face da terra.
O pitoresco da história é que as urdiduras dos referidos poderosos resultam em
rigorosamente nada. Tão influentes e, ao mesmo tempo tão impotentes diante de
um cenário que desconheciam, embora já tivessem tido dele uma amostra na CPI dos
Correios que sustentou a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que virou
processo no Supremo Tribunal Federal e resultou na condenação de gente que se
imaginava diferenciada.
Desde
então, e agora mais do que nunca, o ambiente exige respeito, já dizia Billy
Blanco em seu Estatuto da Gafieira.
As gravações, por enquanto, não
expuseram crimes. Não foram, porém, sem efeito. Mostraram ao País a discrepância entre o que dizem em público nossas
autoridades e o que falam no recôndito da privacidade. Oficialmente todos
eles são defensores da Lava Jato. No paralelo, contudo, revelam horror ao
cumprimento da lei e à independência dos Poderes. Nutrem especial repúdio à conduta correta de servidores.
Ao
ponto de um ex-presidente da República,
como José Sarney, considerar que o Brasil vive uma “ditadura da Justiça”.
No mínimo uma contradição em termos.
Ainda
que as inconfidências de suas excelências não venham a lhes render punições
mais graves, já serviram para pôr abaixo a pose de distinção que assumem diante
de um microfone e a inconsistência das bravatas cometidas nos conchavos. E de
novo recorrendo a Billy Blanco, desta vez com A Banca do Distinto, encerremos:
A vaidade é
assim/ põe o bobo no alto e retira a escada/ mas fica por perto esperando
sentada/ mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão.
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