Isso é muito grave ! ! !
O PCC virou empresa
Editorial
O Primeiro Comando da Capital (PCC) continua colocando
na defensiva
os responsáveis pela segurança pública que deveriam persegui-lo
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ÔNIBUS INCENDIADO PELO PCC EM ATENTADOS DE 2006 NA CAPITAL DE SÃO PAULO A Avenida Paulista ficou com aspecto de domingo devido ao medo de ataques! |
Treze
anos depois de assassinar o
juiz-corregedor das penitenciárias da região de Presidente Prudente, como
represália pelo rigor com que tratava os criminosos condenados pela Justiça, e
dez anos após ter levado 77 mil presos a
deflagrar 80 rebeliões simultâneas, matado
mais de 40 agentes carcerários e promovido
180 ataques a delegacias, quartéis, fóruns, bancos e transportes públicos,
o Primeiro Comando da Capital (PCC) continua
colocando na defensiva os responsáveis pela segurança pública que deveriam
persegui-lo.
A facção criminosa nasceu
nas prisões de São Paulo como forma de protesto contra as condições degradantes
a que os presos são submetidos e, com o tempo, passou a atuar em todas as
vertentes do crime e ramificou-se em vários Estados. Profissionalizou-se de tal
forma que, hoje:
* movimenta 40 toneladas de cocaína por ano,
* faturando mais de R$ 200 milhões.
Na
época em que afrontou a segurança pública, desencadeando ataques a bases da
Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana e explodindo uma bomba que
destruiu o térreo e o primeiro andar da sede do Ministério Público Estadual, na
capital, os jornais noticiaram que o
Palácio dos Bandeirantes teria autorizado as autoridades policiais a negociar,
informalmente, um armistício com o PCC. Apesar de os dirigentes
governamentais terem desmentido o noticiário, até hoje as explicações não são
convincentes.
O governador Geraldo Alckmin, que dirigiu
o Estado entre 2003 e 2006, insiste em afirmar que o combate ao crime dentro e
fora dos presídios tem sido feito diuturnamente, em parceria com a
Procuradoria-Geral de Justiça. Também informa que o governo realizou a maior
investigação sobre os crimes cometidos pelo PCC e pediu a prisão de 175
integrantes da facção. Afirma, ainda, que entre 2006 e 2016, o orçamento da
Secretaria da Segurança Pública cresceu 94% acima da inflação do período,
passando de R$ 9,3 bilhões para R$ 24,8 bilhões. Reportagem publicada no jornal
O Estado de S. Paulo, contudo, mostra
que, além do tráfico de drogas, o PCC:
* vem promovendo assaltos a banco,
* sequestros,
* tráfico de armamentos e
* rifas vendidas à população carcerária.
* Também continua cobrando mensalidade de R$ 600 de seus 10 mil integrantes,
dos quais 7 mil estão presos.
* E ainda dá sinais de que está expandindo seu campo
de atuação para a Bolívia e o Paraguai.
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IVANA DAVID Desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo afirma que o PCC age como empresa |
Isso mostra a ineficiência
das instituições públicas no combate ao crime organizado, por um lado, e o
aumento da eficiência do PCC, em matéria de escala, alcance e ousadia, por outro
lado. Só com advogados a facção gastou, em São Paulo, mais de R$ 1,8 milhão no
primeiro semestre de 2015. Segundo a desembargadora
Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, o PCC age como uma
empresa – a ponto de os membros que exercem funções de chefia treinarem
substitutos para dar sequência às atividades criminosas, caso sejam presos ou
mortos. “O PCC tinha um perfil inicial
mais politizado, com um discurso em defesa dos direitos da população
carcerária. Com o tempo, o ‘partido’ sofre mutações até chegar a uma dinâmica
de uma grande empresa, mas com foco no tráfico, que permite uma arrecadação
contínua”, diz o procurador de Justiça Sérgio Christino.
Apesar
da ênfase do governo ao aumento dos gastos com segurança, isso não basta para
enfrentar o PCC. As causas que levaram à
criação da organização, por exemplo, permanecem praticamente intactas. As
prisões paulistas continuam congestionadas, funcionando em condições desumanas.
Assim, quanto mais a polícia prende e a Justiça condena, mais o sistema
prisional incha, fortalecendo o PCC, que aproveita a revolta dos presos para
recrutar novos membros.
Para
combater o PCC é preciso pôr fim a esse círculo vicioso. E isso exige a revisão da política de encarceramento em
massa adotada pelo País, a eliminação do déficit de vagas do sistema prisional
e maior aplicação das penas alternativas à prisão. Enquanto isso não é
feito, os órgãos policiais se limitarão a realizar ações defensivas contra o
crime organizado.
Leia a excelente série de reportagens publicadas sobre
o PCC e a sua
forma de atuar nos dias de hoje, clicando aqui
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