A indústria brasileira em perigo!
A indústria com anemia
Editorial
Nossa indústria está perdendo, rapidamente, o poder de
competir
em mercados internacionais devido ao baixo investimento
em máquinas, equipamentos, pessoal especializado e
tecnologia de ponta
Sem
músculos, sem fôlego e sem apetite, a indústria brasileira deve continuar
definhando em 2016, travando uma economia já em recessão e gerando mais
desemprego. O setor industrial produziu
no ano passado 8,3% menos que em 2014 e sua produção deve encolher mais 3,80% neste ano, segundo projeção
do mercado. Seu desempenho em 2015, o pior da série estatística iniciada em
2003, provou mais uma vez a gravidade
dos erros acumulados a partir de 2011, começo do primeiro mandato da
presidente Dilma Rousseff. Esses erros, como:
* o protecionismo,
* o terceiro-mundismo e
* a política de benefícios fiscais e financeiros a grupos e setores
selecionados,
foram
na maior parte herdados da administração do presidente Lula, prolongados e ampliados.
Economistas
do mercado só preveem recuperação a partir de 2017, com crescimento econômico
de 0,70% e 1,50% de expansão do produto industrial. As dúvidas sobre uma
recuperação mais veloz e mais firme são justificadas pelos números oficiais.
O Brasil vem perdendo
potencial de crescimento há vários anos:
* por falta de investimento em infraestrutura,
* em máquinas e equipamentos para
a indústria e, naturalmente,
* pela escassez de trabalhadores capazes de se adaptar a sistemas modernos de
produção.
O
governo petista errou de ponta a ponta na estratégia de crescimento e algumas de suas piores decisões ocorreram
na política educacional, voltada principalmente para a facilitação do
ingresso na chamada – impropriamente, na maior parte dos casos – educação
superior.
Mas
o efeito desastroso da política federal já fica bastante claro com alguns
números do investimento em bens de
capital, isto é, em máquinas e
equipamentos. No ano passado, a produção
de bens de capital foi 25,50% menor que em 2014, segundo o balanço divulgado
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi
praticamente o triplo do registrado para todo o setor industrial. O segundo pior desempenho foi o dos
fabricantes de bens de consumo duráveis (menos 18,70%), explicável na maior
parte pelo desemprego em alta, pela contenção do crédito e pela redução de
estímulos às compras de carros e de outros bens de alto valor.
A
retração do mercado interno e a alta do dólar poderiam, em conjunto, ter levado
a indústria a buscar a alternativa do
mercado internacional, com produtos barateados pela depreciação do câmbio.
Manobras desse tipo ocorreram em outras crises no Brasil e são usadas
frequentemente por indústrias de países em recessão. Mas empresas precisam de
um mínimo de agilidade e de poder de competição para seguir esse caminho.
Fábricas já empenhadas na competição internacional continuaram exportando,
mesmo com dificuldades, enquanto outras continuaram travadas, sem energia para
competir. Em 2015, a exportação de
manufaturados, no valor de US$ 72,79 bilhões, foi 8,16% menor que a de 2014,
pela média dos dias úteis.
A incapacidade para disputar
espaços no mercado internacional é em boa parte explicável pela redução do
valor investido em máquinas e equipamentos. Diminuíram nos últimos anos tanto as
compras de bens de capital produzidos no País quanto as de importados. A
produção nacional de máquinas e equipamentos havia diminuído 9,30% em 2014 e o
tombo de 25,50% em 2015 agravou seriamente o quadro de anemia produtiva,
principalmente da indústria. A redução das compras de bens de capital
estrangeiros apenas confirmou a perda de apetite resultante do prolongado
enfraquecimento. A importação de bens de
capital [máquinas e equipamentos para a produção] em 2015 foi 21,16% inferior à de um ano antes. A de 2014 já havia
sido 7,64% menor que a do ano anterior.
Estes
são os componentes mais graves do cenário recém-divulgado pelo IBGE. A
indústria pode recuperar-se com rapidez e firmeza depois de uma contração nas
vendas de automóveis e de outros bens de consumo. Não há recuperação fácil, no entanto, depois de anos de redução do
investimento produtivo.
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