Pesquisa acaba com três mitos sobre a juventude e a escola
Marcelle Souza
A
pesquisa "Juventudes na escola,
sentidos e buscas: Por que frequentam?" acaba com três mitos comuns
sobre os jovens e a escola, que envolvem o gosto do aluno pelo estudo, a sua
relação com o professor e a estrutura física que eles julgam ideal.
"A
escola é uma lista de cosias que não pode, que não são discutidas. A escola parece feita para os adultos, que
são os diretores e os professores, mas na verdade ela é feita para os
estudantes, eles que têm que aprender", conclui a coordenadora do
estudo, a socióloga Miriam Abramovay.
O estudo, realizado com o apoio da Flacso-Brasil (Faculdade
Latino-Americana de Ciências Sociais), OEI
(Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a
Cultura) e do MEC (Ministério da
Educação), tinha o objetivo de conhecer
a escola a partir dos jovens. Mais 8
mil estudantes na faixa de 15 a 29 anos foram ouvidos.
Abaixo
listamos três resultados importantes, que mostram um pouco como os adolescentes
enxergam e o que desejam da escola.
1º mito: Eles não querem estudar
Querem sim, aponta o estudo. E, de
acordo com a pesquisadora, eles querem
até passar mais tempo... na escola!
"Eles acham que vão aprender mais na escola
integral, que se estiverem mais tempo na escola vão ter mais capital cultural e
mais acesso ao mercado de trabalho", diz.
A
grande motivação para que os jovens estudem é a perspectiva de futuro: 37% dizem que frequentam a escola para ter
uma vida melhor e 32,3% para conseguir um emprego melhor. "Eles estão muito preocupados com o futuro, sabem
que um meio de alcançar os seus sonhos é continuar estudando", afirma
Abramovay.
No
entanto, nem todos conseguem se manter nas salas de aula. O levantamento aponta
que 20% declararam já ter deixado a
escola pelo menos uma vez. Entre os principais motivos para o abandono
estão: a necessidade de trabalhar
(28%), a família (20,6%) e a gravidez (11,1%).
2º mito: Alunos não valorizam o professor
O professor aparece como o
grande "responsável" pela permanência do estudante na escola, mas não é qualquer
profissional, é aquele que saiba ensinar
e responde as dúvidas do aluno. Ele pode até ser exigente.
"Ao
contrário do que se diz, que o professor não é reconhecido, essa pesquisa
mostra que existe uma super valorização
do professor. E não é no sentido de ser amigo do aluno, mas que saiba escutá-lo, que saiba ensinar",
afirma a pesquisadora.
A
pesquisa mostra que, quando os jovens
têm um bom professor, eles passam a gostar da disciplina, mesmo que sejam as
aparentemente mais "temidas", como física, matemática, química. "Os alunos parecem gostar das mais
variadas disciplinas e não daquelas consideradas mais fáceis, como se afirma no
senso comum", diz um trecho do relatório, que atribui o fato à atitude do professor em sala.
Segundo
o estudo, 23,3% dos jovens não deixam a sala de aula porque têm "aulas
legais"; outros 10% porque o ensino está relacionado com o seu cotidiano
(ou seja, é um conteúdo que faz sentido e tem alguma aplicação para quem está
aprendendo).
3º mito: A escola ideal é a que tem sala de aula tecnológica
Se
você acha que a sala de aula ideal para os jovens é aquela com quadro digital e
laboratório 3D, pode repensar essa ideia. Bem antes de inovações tecnológicas, os alunos querem uma infraestrutura que
deveria ser a básica.
"Eles falam de coisas muito concretas
[quando questionados qual seria a escola ideal], como ter quadro, mesas, cadeiras, uma quadra de esporte. Eles querem
que tenha computador na escola e que possam usar, já que muito diretor
tranca a sala e isso a gente sabe que é outro drama. Eles falam muito de necessidades
mais básicas", afirma Abramovay.
De
acordo com a pesquisa, 33,1% disseram
que a escola tem internet e 28,7% que a instituição tem computador, mas que não
podem usar os equipamentos.
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