O que dirá Francisco?
Gerard O'Connell
AMERICA – The National Catholic Review (EUA)
29-02-2016
O que trará a exortação apostólica dedicada à família,
que está sendo preparada por Papa Francisco?
PAPA FRANCISCO Deve divulgar sua Exortação Apostólica sobre a Família em Março deste ano |
Nos
primeiros dois meses de 2016, o Papa
Francisco figurou em primeiro plano em notícias no mundo inteiro por:
* seu encontro com o
presidente do Irã,
* sua decisão de participar
da comemoração Luterano-Católica do 500º aniversário da Reforma Protestante,
* sua entrevista ao Asia Times sobre a China,
* o encontro histórico como
Patriarca de Moscou e
* sua incrível visita ao
México.
Em março, ele certamente
estará nas notícias novamente quando o Vaticano lançar sua exortação apostólica dedicada à Família. A data prevista para
publicação é 19 de março, data do
terceiro aniversário da inauguração de seu ministério petrino e da festa de São
José.
Ao
escrever a exortação, Francisco
embasou-se no trabalho das reuniões do Sínodo dos Bispos dedicados à família em
2014 e 2015 e especialmente no relatório final da assembleia do último outubro.
As discussões nos encontros e o relatório final cobriram uma área vasta,
estendendo-se desde as diversas situações socioeconômicas, culturais,
religiosas e inter-religiosas em que as famílias vivem até os graves desafios
que enfrentam.
Estes desafios [para a
família] vão desde:
* extrema pobreza,
* conflito armado,
* migração,
* secularização e colonização
ideológica até
* o medo dos jovens de
comprometimentos para toda a vida,
* poligamia,
* coabitação [casal que vive junto sem oficializar o
matrimônio],
* abertura para ter filhos,
* famílias com pais
solteiros,
* o rompimento dos casamentos
e
* as consequências disso para
as famílias e a transmissão da fé.
O
relatório final de 2015 reafirmou os ensinamentos tradicionais da Igreja a
respeito do casamento e da família e destacou a necessidade de maior atenção à
preparação de casais para o casamento e para o cuidado pastoral das famílias. No entanto, de maneira significativa, as
portas não ficaram fechadas para o desenvolvimento de novas abordagens
pastorais para situações matrimoniais complexas, incluindo os católicos que se
divorciaram ou casaram novamente (se podem receber a Comunhão, por exemplo)
e quanto à questão da homossexualidade e
a família.
Francisco
estava perante todas essas questões quando começou a escrever a exortação
imediatamente após o Sínodo de outubro passado. Além disso, ele se colocou na
tarefa com uma rica experiência pastoral de seus 21 anos como bispo em Buenos
Aires (incluindo 15 como arcebispo) e quase três anos como papa. Essa
experiência possivelmente deve ter tido um impacto decisivo em seu texto
magisterial dedicado à família.
![]() |
PLENÁRIO DO SÍNODO DOS BISPOS - VATICANO Outubro de 2015 |
O que então se pode esperar
da exortação?
O
texto ainda não foi divulgado, mas pode-se prever algumas coisas. Primeiro, não haverá mudanças na doutrina da Igreja;
isso nunca foi a questão. Papa Francisco reafirmará que:
* o casamento deve acontecer
entre um homem e uma mulher em uma união vitalícia aberta a concepção de
filhos.
* Ele defenderá os
ensinamentos da Igreja na indissolubilidade do matrimônio e
* enfatizará a importância da
preparação apropriada dos casais para o casamento e do acompanhamento pastoral
contínuo dos casais e da família.
Suas catequeses sobre a
família em 2015 oferecem insights
sobre o que esperar nesse âmbito.
Por
outro lado, Francisco deve estar mais
aberto às abordagens pastorais da Igreja a assuntos como coabitação, católicos
divorciados e casados novamente – “Eles
não estão excomungados”, ele insiste, podem participar novamente da Igreja
e receber a Comunhão –, e homossexualidade
na família.
Nesse
contexto, é importante relembrar o que ele disse em sua homilia na missa com os
novos cardeais em 15 de fevereiro de 2015. Ele relembrou-os que “o caminho da Igreja, desde o tempo do
Concílio de Jerusalém, tem sempre sido o de Jesus, o caminho da misericórdia e
da reintegração... O caminho da Igreja não é a condenação eterna; [é] derramar
o bálsamo da misericórdia de Deus sobre todos aqueles que o pedem com um
coração sincero”.
Na
exortação, o Papa Francisco enfatiza que
a misericórdia é o coração da mensagem do Evangelho e que a justiça deve ser
vista sob esse prisma infinito, não somente de acordo com os padrões humanos
limitados. Ele também destacará a importância vital do “acompanhamento” e da “reconciliação”
– dois conceitos chave nas assembleias sinodais.
Pode-se
então esperar que, na exortação (em suas mais de 100 páginas), Francisco
encorajará as pessoas em vários tipos de situações difíceis. Ele provavelmente abrirá portas na prática
pastoral que oferece nova esperança a pessoas em situações familiares e
matrimoniais complexas.
E
dada à diversidade cultural na Igreja, ele
poderá descentralizar a tomada de decisões em algumas esferas às igrejas locais.
Se tudo isso realmente acontecesse, então bispos e padres teriam muito mais
trabalho acompanhando e ajudando as pessoas a discernir conscientemente seus
caminhos como seguidores de Cristo e membros da Igreja.
Traduzido do inglês por Luisa Somavilla. Para acessar a versão original deste artigo,
clique aqui.
Comentários
Postar um comentário