“O Zika Virus não justifica a defesa do aborto para casos de microcefalia”

Thácio Siqueira

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
fala sobre o combate ao mosquito Aedes Aegypti e o Dia do Enfermo
O secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner (esq.), o presidente da entidade,
Dom Sérgio da Rocha, e o arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger,
durante entrevista coletiva.
(Foto: Gabriel Luiz/G1)

Duas foram as mensagens que a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançara essa tarde [04/fevereiro], durante a reunião do 1º Conselho Episcopal Pastoral desse ano. Uma sobre o combate ao mosquito Aedes Aegypti e a outra por ocasião do Dia do Enfermo.

“O autêntico amor para com os enfermos exige que nos comprometamos com a construção de políticas públicas de saúde que atendam dignamente o ser humano em suas necessidades básicas”, afirmam os bispos na mensagem sobre o Dia do Enfermo.

Portanto, diante do quadro atual, “a gravidade da situação levou a Organização Mundial da Saúde a declarar a microcefalia e o vírus zika emergência internacional”, afirma, em seguida, a mensagem que trata da urgente questão do combate ao mosquito transmissor do Zika – ambas lidas pelo vice-presidente da CNBB, Dom Murilo Krieger, e publicadas no site oficial da CNBB.

O estado de alerta, contudo – continua essa última – não deve nos levar ao pânico, como se estivéssemos diante de uma situação invencível, apesar de sua extrema gravidade”.

O Zika não deve ser justificativa para o aborto

Porém, alertam os bispos, “tampouco justifica defender o aborto para os casos de microcefalia como, lamentavelmente, propõem determinados grupos que se organizam para levar a questão ao Supremo Tribunal Federal num total desrespeito ao dom da vida”, denunciam os bispos.

Nesse sentido, os bispos conclamam aos poderes públicos a uma atuação mais eficaz dado que “a eles cabe implementar políticas que apontem para um sistema de saúde pública com qualidade e universal”.

Essa atual circunstância, entretanto, deve ser vista como um obstáculo insuperável que impossibilita as famílias de terem filhos agora?, ou, em outras palavras, é melhor que as famílias não tenham filhos agora?, perguntou ZENIT ao presidente da CNBB, Dom Sergio da Rocha, o qual respondeu dizendo que os bispos, com essa mensagem, estão pedindo ao governo uma assistência preventiva, mas que, se caso as famílias vierem a ter filhos, lembrem-se sempre que o valor e respeito à vida são absolutos, ainda em caso de contaminação pelo vírus.

Dom Leonardo Ulrich, secretário geral da CNBB pediu ao governo materiais divulgativos, “folders”, a fim de que a Igreja, com a sua grande capilaridade, possa ajudar na educação ao combate do mosquito.

O princípio de tudo é a educação e a corresponsabilidade – diz a nota – Por isso exortamos as lideranças de nossas comunidades eclesiais a organizarem ações e a se somarem às iniciativas que visem colocar fim a esta situação”, solicitando, então, que “as ações de competência do poder público sejam exigidas e acompanhadas”.

Às 18h15 de hoje [04/fevereiro], segundo confirmou o próprio secretário-geral da CNBB, a presidência do órgão terá um encontro com a presidente da república, Dilma Roussef. Segundo Dom Murilo a reunião foi solicitada pela própria presidente a fim de pedir a ajuda da CNBB no combate à esta epidemia.

Para Dom Leonardo o diálogo que a CNBB mantém com o governo é sempre franco e aberto. Para o secretário-geral o Brasil já avançou muito em estruturas sanitárias, apesar da situação continuar alarmante e precária.

O motivo da reunião com a presidente do Brasil, afirmou, por fim, Dom Sergio da Rocha, é que tal epidemia de Zika que o povo está enfrentando não pode somente ser enfrentada pela Igreja Católica, mas deve, principalmente, ser levada adiante pelo Governo, com a ajuda das diversas instituições, e de cada pessoa.

Leia abaixo:


MENSAGEM DA CNBB SOBRE O COMBATE
AO AEDES AEGYPTI

Tu me restauraste a saúde e me deixaste viver” (Is 38,16b)

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2016, conclama toda a Igreja no Brasil a continuar e intensificar a mobilização no combate ao mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, do vírus zika e do chikungunya. Com um grande mutirão, que envolva todos os setores da sociedade, seremos capazes de vencer estas doenças que atingem, sem distinção, toda a população brasileira.

Merece atenção especial o vírus zika por sua provável ligação com a microcefalia, embora isso não tenha sido provado cientificamente. A gravidade da situação levou a Organização Mundial da Saúde a declarar a microcefalia e o vírus zika emergência internacional. O estado de alerta, contudo, não deve nos levar ao pânico, como se estivéssemos diante de uma situação invencível, apesar de sua extrema gravidade. Tampouco justifica defender o aborto para os casos de microcefalia como, lamentavelmente, propõem determinados grupos que se organizam para levar a questão ao Supremo Tribunal Federal num total desrespeito ao dom da vida.

Seja garantida, com urgência, a assistência aos atingidos por estas enfermidades, sobretudo às crianças que nascem com microcefalia e suas famílias. A saúde, dom e direito de todos, deve ser assegurada, em primeiro lugar, pelos gestores públicos. A eles cabe implementar políticas que apontem para um sistema de saúde pública com qualidade e universal. Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano contribui muito ao trazer à tona a vergonhosa realidade do saneamento básico no Brasil. Sem uma eficaz política nacional de saneamento básico, fica comprometido todo esforço de combate ao aedes aegypti.

O compromisso de cada cidadão também é indispensável na tarefa de erradicar este mal que desafia nossas instituições. O princípio de tudo é a educação e a corresponsabilidade. Por isso, exortamos as lideranças de nossas comunidades eclesiais a organizarem ações e a se somarem às iniciativas que visem colocar fim a esta situação. As ações de competência do poder público sejam exigidas e acompanhadas. Nas celebrações, reuniões e encontros, sejam dadas orientações claras e objetivas que ajudem as pessoas a tomarem consciência da gravidade da situação e da melhor forma de combater as doenças e seu transmissor. Com o esforço de todos, a vitória não nos faltará.

Deus, em sua infinita misericórdia, faça a saúde se difundir sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Nossa Senhora Aparecida, mãe e padroeira do Brasil, ajude-nos em nosso evangélico compromisso de promoção e defesa da vida.

 Brasília, 4 de fevereiro de 2016

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília - DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia - BA
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília - DF
Secretário Geral da CNBB

Fontes: ZENIT.ORG – Quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 – Internet: clique aqui; e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - Notas, Declarações e Saudações da CNBB – Brasília, 4 de fevereiro de 2016 – Internet: clique aqui.

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