Alzheimer, uma doença política
Philippe Baqué
Jornalista
A rápida multiplicação dos diagnósticos de doença de
Alzheimer representa um desafio inédito para a humanidade. De olho em um
gigantesco mercado potencial, a indústria pesquisa freneticamente um
medicamento ou vacina milagrosa. O interesse dos doentes e seus familiares
convida a repensar as políticas públicas e a abordagem terapêutica
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O MAL DE ALZHEIMER É BEM MAIS COMPLEXO DO QUE PARECE! HÁ MÉDICOS PREFERINDO MUDAR O NOME E AS ESTATÍSTICAS NÃO PARECEM CORRETAS!!! |
ALZHEIMER, O QUE É?
A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que traz o
nome do médico alemão Alois Alzheimer
(1864-1915), o qual, em 1906, estudou o caso de uma mulher de 51 anos vítima de
uma demência “pré-senil”. Ele foi o primeiro a observar a relação entre esse
estado e as placas de proteínas
beta-amiloides, bem como degenerescências
neurofibrilares encontradas durante a autópsia do cérebro de sua paciente
falecida. Essa descoberta alimentou os debates na área da psiquiatria e depois
caiu no esquecimento.
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DR. ALOIS ALZHEIMER (1864-1915) Médico alemão |
As sociedades ocidentais, confrontadas com
o envelhecimento de suas populações, viram-na reaparecer nos anos 1970. A doença não ataca mais apenas pessoas
relativamente jovens, como a paciente de Alois Alzheimer, mas sobretudo idosos com problemas
cognitivos e até então considerados vítimas de “demência senil”. O
diagnóstico é feito com um simples teste de avaliação cognitiva.
Segundo os últimos dados do Instituto
Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), a doença de Alzheimer afetaria atualmente, só na França, 900 mil
pessoas; 225 mil novos casos seriam diagnosticados por ano e 1,3 milhão de
pessoas deverão ter a doença em 2020. Ela
atingiria 0,5% das pessoas com menos de 65 anos, de 2% a 4% das com 65 a 80
anos e 15% das com mais de 80 anos. O relatório publicado em 2010 pela
organização Alzheimer’s Disease
International calcula em 35 milhões
o número de pessoas afetadas no mundo e prevê que elas serão 66 milhões em 2030.
Mas esses números devem ser vistos com precaução. Assim, na França, as
estimativas da Seguridade Social são bem mais modestas que as do Inserm:
haveria 385 mil pessoas com a doença em 2007 e 440 mil em 2011.
As
despesas médicas e médico-sociais com a doença de Alzheimer foram estimadas em
10 bilhões de euros em 2005. A maior parte do custo médico foi
paga pela Seguridade Social. O acompanhamento e os cuidados com os pacientes
são financiados, em 50%, por eles mesmos e suas famílias; o resto é coberto
pelo seguro-saúde e pelos conselhos gerais. A associação France-Alzheimer
estima que o montante global do custo da doença será de 20 bilhões em 2020.
* *
* *
* * *
A sra. M. chega de cadeira de rodas ao
complexo hospitalar de Marmande-Tonneins, na Aquitânia (França). “Aos 78 anos, ela foi diagnosticada com
Alzheimer por um neurologista”, conta a filha. “Tomava vários remédios,
perdeu logo a autonomia e ficou muito agitada. Era cansativo cuidar dela.” No
final dos anos 2000, a filha resolveu colocar a mãe naquela unidade especial
que acolhe, por prazo indeterminado, os pacientes graves. “Lá, ela pôde
conviver com outras pessoas e foi bem tratada. Três semanas depois, já andava e
comia sem ajuda.”
Geriatra
e diretor desse estabelecimento até 2011, François
Bonnevay decidira utilizar apenas os medicamentos estritamente necessários
entre os muitos que eram prescritos aos novos pacientes internados, às vezes
com sérios efeitos colaterais. “Há
outros métodos além de camisas de força químicas para os doentes agitados”,
explica. “Os cuidadores precisam conhecer estratégias de comunicação que lhes
permitam entrar em sintonia com os pacientes. Estes devem ser considerados
seres humanos, com desejos e emoções.” O principal, naquela unidade, era
respeitar o bem-estar e o ritmo de vida dos doentes. A equipe seguia o método Humanitude, filosofia terapêutica criada
e ensinada por dois psicogerontologistas que “faz desaparecer grande parte dos problemas psicocomportamentais”,
explica o médico. A abordagem benevolente posta em prática no setor de Bonnevay
traduziu-se, de 2002 a 2011, no quase desaparecimento de pacientes graves, na
diminuição da perda de peso, no controle dos processos infecciosos e na menor
frequência de hospitalizações a longo prazo.
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COMPLEXO HOSPITALAR MARMANDE-TONNEINS na Aquitânia (França): investindo mais em acompanhamento pessoal que em medicação no tratamento do Alzheimer |
Esses
resultados só foram possíveis graças à presença de um pessoal em número
suficiente. A taxa de acompanhamento era
de 0,8, ou seja, oito cuidadores para dez pacientes. Essa taxa continua
ainda hoje excepcional: “Quase todos os estabelecimentos para idosos
dependentes têm hoje uma taxa entre 0,3 e 0,6, mas não param de acolher novos
pacientes”, constata Philippe Masquelier, médico coordenador de três
estabelecimentos da região de Lille. “Por
razões econômicas, nivelam-se os meios por baixo. Como ainda não existem
medicamentos eficazes, precisa-se sobretudo da presença humana – e é justamente
o que falta!” Em 2006, o Plano de Solidariedade à Velhice, apresentado por
Philippe Bas, ministro encarregado dos idosos, previa alinhar em cinco anos a
taxa de acompanhamento das casas de repouso à dos estabelecimentos para
deficientes físicos, isto é, um profissional para cada pessoa em tratamento.
Esse objetivo nunca foi alcançado, e o Plano Alzheimer 2008-2012 de Nicolas
Sarkozy não o retomou.
“O que está em jogo aqui é a
humanidade de nossa sociedade!”, declarou Sarkozy no dia 10 de março de 2014 em
Nice, na inauguração do Instituto Claude-Pompidou (ICP), consagrado à doença de
Alzheimer. [1] A cerimônia, espalhafatosa, foi
orquestrada por Bernadette Chirac, presidenta da Fundação Claude-Pompidou. O
edifício de quatro andares, com ar de residência luxuosa e segura, reúne
diversas estruturas envolvidas no diagnóstico, pesquisa e cuidados, em diversas
etapas, das pessoas afetadas. Como se o Estado não pudesse financiar sozinho
esse ambicioso projeto de interesse público, que custou 22 milhões de euros, a
Fundação Claude-Pompidou apelou para a generosidade de seus amigos: a
bilionária monegasca Lily Safra –
nascida em Porto Alegre e cujo retrato se destaca no saguão de entrada –, a
Conny-Maeva Charitable Foundation, o grupo de Bernard Arnault, LVMH, o
estilista Karl Lagerfeld... Na inauguração, o ICP foi apresentado como um
modelo de sucesso na política de luta contra a doença de Alzheimer empreendida
por Sarkozy durante seu quinquênio. Mas, terminada a festa, ele teve de encarar
uma realidade bem diferente.
“Em seis meses, quinze
pacientes morreram! As condições de trabalho do pessoal eram tão difíceis que
as demissões se multiplicaram”, conta Monique Dinelli, que foi enfermeira no setor
do ICP gerido pela Mutualité Française. Ela mesma se demitiu ao fim de seis meses,
denunciando a incompetência da direção e dos médicos. “A inauguração foi antecipada por motivos políticos. Nada estava
pronto!” Danielle Maroselli internou ali seu pai desde a inauguração; ele
morreu três meses depois. “Nunca
consegui falar com os médicos. Tinha a impressão de ser ignorada e desprezada.”
Ela se aproximou então de outras famílias de pacientes em conflito com os
responsáveis pelo estabelecimento. “Escrevemos à direção da Mutualité
Française, à sra. Chirac e ao prefeito de Nice para informá-los de tudo pelo
que estávamos passando. Nunca recebemos resposta!” As famílias denunciavam a insuficiência de pessoal, uma série de erros
com consequências trágicas, maus-tratos e má vontade da direção. No início
de dezembro de 2014, cerca de dez delas apresentaram queixa (ainda em curso)
contra a Mutualité Française junto ao promotor de Nice. Um ano depois da
inauguração do ICP, Joël Derrives, diretor-geral da Mutualité Française
Provença-Alpes-Côte d’Azur, viu-se obrigado a demitir a diretora e o médico do
estabelecimento, sem na verdade levar em consideração as reclamações das
famílias. “Apenas cometemos um pequeno erro de seleção”, admitiu.
[ . . . ]
Em vez de incentivarem um
acompanhamento mais humano e benevolente dos enfermos, as políticas públicas
decidiram privilegiar o apoio à indústria farmacêutica em suas pesquisas para
um tratamento clínico – sem resultado até hoje. O primeiro remédio que se
esperava poder aliviar os efeitos da doença, a Tacrina, foi retirado do
mercado em 2004 em razão de seus graves efeitos colaterais. Desde o fim dos anos 1990, quatro tratamentos
considerados eficazes no alívio dos sintomas da doença estão à venda. Os
três primeiros (Donepezil, Galantamina e
Rivastigmina) são anticolinesterásicos
que aumentam a taxa de um neurotransmissor implicado no processo da memória. O
quarto (Memantina) age sobre outros
transmissores e pode ser associado aos precedentes em terapia conjunta.
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ESTES MEDICAMENTOS MAIS USADOS PARA O TRATAMENTO DE ALZHEIMER PRODUZEM RESULTADOS INSUFICIENTES E SÃO PERIGOSOS |
99,6%
de fracasso nos testes clínicos
Desde
o aparecimento dos anticolinesterásicos,
a revista médica independente Prescrire
denunciou sua pouca eficácia:
*
seus numerosos efeitos indesejáveis,
* o
risco do uso por mais de um ano e
* seu
custo excessivo.
Também se colocou na
defensiva em relação às interações com outros medicamentos, que aumentavam os
efeitos secundários e o risco de morte. Apesar das críticas, a Haute Autorité de Santé (HAS) publicou em 2008 uma recomendação
para que se mantivesse o reembolso do valor gasto com o remédio, um serviço
médico considerado importante. A Formindep,
Associação de Médicos “para Formação e Informação Médicas Independentes”, recorreu
então ao Conselho de Estado denunciando a parcialidade dos membros do grupo de
trabalho da HAS. A associação descobrira que metade dos 24 especialistas estava envolvida em conflitos de interesses maiores,
pois mantinha vínculos com os laboratórios que produziam medicamentos para
tratar a doença de Alzheimer.
Em
2011, a Comissão de Transparência da HAS analisou, de novo, esses remédios com
outro grupo, de peritos independentes. Philippe Nicot, membro da Formindep,
participou dessa reavaliação: “As notas dadas aos medicamentos despencaram
vertiginosamente. Sua eficácia foi considerada fraca e a taxa de reembolso caiu
para 15%. Isso foi considerado insuficiente e teve um impacto imediato, com a
prescrição desses remédios diminuindo. [2] Todo ano, a Seguridade Social economiza 130
milhões de euros. Nossa associação sugeriu que esse dinheiro fosse
investido na contratação de pessoal:
nenhuma resposta”.
Bruno Dubois, professor de Neurologia do
Hospital da Pitié-Salpêtrière e
diretor do Instituto da Memória e da
Doença de Alzheimer, em Paris, também reconheceu conflitos de interesses [3] antes de confidenciar, a respeito desses
medicamentos: “Sei muito bem que eles
não servem para nada. Mas sou obrigado a dizer que servem um pouquinho, pois do
contrário o doente se desespera”. Ele conduz hoje pesquisas com o Donepezil – um dos três
anticolinesterásicos –, a fim de demonstrar sua eficácia em doentes
diagnosticados antes do surgimento dos primeiros sintomas. A farmacêutica
norte-americana Pfizer, que
comercializa o Donepezil, apoia essa
pesquisa e financia também o importante estudo Insight, dirigido pelo professor.
A dependência da pesquisa em
relação à indústria farmacêutica é cada vez maior, constata Bruno Toussaint, redator-chefe da Prescrire: “A pesquisa de medicamentos é
confiada às farmacêuticas, que mantêm relações de dinheiro e prestação de
serviços com os médicos especializados. Os
poderes públicos reduzem assim suas despesas, mas enraízam os conflitos de
interesses no sistema de medicamentos. E o interesse dos industriais não é
forçosamente o da população...”.
A pesquisa
de um tratamento contra a doença de Alzheimer está hoje em crise. De 2000 a 2012, 1.031 estudos foram feitos
no mundo inteiro e 244 moléculas foram testadas com taxa de fracasso de 99,6%.
[4] As vacinas e moléculas às vezes testadas com
sucesso em ratos transgênicos revelaram-se uma após outra inoperantes – e até
perigosas – em seres humanos. Malgrado
as somas enormes tragadas pela pesquisa, não existe atualmente nenhum
tratamento eficaz.
O
mantra do diagnóstico precoce
[ .
. . ]
O leitmotiv da pesquisa “pré-competitiva”
é agora o “diagnóstico precoce”:
trata-se de identificar pessoas com alguns problemas de memória que poderão
desenvolver a doença de Alzheimer dentro de dez ou quinze anos. Essa mudança de abordagem repousa sobre uma
nova definição da doença, elaborada em 2007 por uma equipe de pesquisadores
internacionais dirigida pelo professor Dubois. “Até então, a doença de
Alzheimer só era diagnosticada a partir de certo patamar de severidade: a fase
da demência”, explica. “Agora, propomos
critérios de diagnóstico que incluem todas as etapas da doença, notadamente a
que existe antes do surgimento dos sintomas, chamada prodrômica.”
Consequência dessa nova definição: os
laboratórios concentram sua pesquisa em medicamentos destinados não mais a
pessoas idosas, e sim a “doentes” jovens, com boa saúde, que poderão ser
tratados preventivamente durante anos...
O
diagnóstico precoce é encorajado por várias universidades e hospitais e posto
em prática por centros de tratamento da memória. Assim, na Île-de-France, a
rede Mémoire Aloïs pode se gabar de ter ido além dos objetivos prescritos pela
Agência Regional da Saúde. Por não
existir nenhum tratamento, as pessoas identificadas são encaminhadas para
protocolos de estudos terapêuticos. [5]
Para
estabelecer esses novos diagnósticos, os
médicos especialistas devem aplicar técnicas de última geração, como a
neuroimagem ou a punção lombar, a fim de descobrir no líquido cefalorraquidiano
a presença de certas proteínas. Esses recursos permitem identificar as
características biológicas da doença, os “bioindicadores”. Um novo mercado, amplo e rentável, se abre com os instrumentos de
diagnóstico que estão sendo desenvolvidos ou à espera de liberação. Mas seu
uso não conta com aprovação unânime. O professor
Olivier Saint-Jean, responsável pelo setor de geriatria do hospital europeu
Georges-Pompidou, em Paris, se insurge: “Se
os bioindicadores são prescritos no quadro de um protocolo de pesquisa, podemos
pensar que isso faz sentido. Mas praticados indiscriminadamente, como acontece
em alguns centros, não têm nenhum interesse clínico para os pacientes e não
devem ser utilizados! Onde trabalho, não se fala em bioindicadores!”.
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Tradução do título deste livro: "O mito da doença de Alzheimer - O que não está lhe sendo dito sobre o diagnóstico mais temido de hoje" Existem edições apenas em inglês (original), italiano e francês |
[ .
. . ]
Em que medida os
diagnósticos da doença de Alzheimer são confiáveis? Para 1% dos pacientes,
portadores de uma mutação genética que torna a doença hereditária, o
diagnóstico baseado no estudo dos genes parece sólido. Trata-se, em geral, de
pessoas com menos de 60 anos. Os 99%
restantes estariam com a forma da doença dita “esporádica”, que aparece
geralmente depois dos 70 anos, às vezes antes. No caso delas, o
diagnóstico, mesmo realizado com os bioindicadores, é sempre incerto. Assim, cada vez mais vozes se erguem para
contestar os diagnósticos precoces de pessoas sadias.
Outra
questão: as placas de proteínas
beta-amiloides, cuja presença no cérebro fundamenta grande parte dos
diagnósticos e da pesquisa de novos tratamentos. Um estudo realizado durante
quinze anos em religiosas de um convento nos Estados Unidos [6] mostrou que, apesar
da importância das placas amiloides que recobriam o cérebro autopsiado de
algumas, elas conservaram a capacidade cerebral intacta até o fim da vida.
A estabilidade da existência e a atividade intelectual constante poderiam
explicar sua resistência à doença. A
influência do ambiente e do estilo de vida também foi demonstrada há pouco pelo
estudo Paquid. “Observamos uma queda na incidência e na gravidade da doença
de Alzheimer!”, proclama o professor Dartigues. “O motivo dessa queda é principalmente a melhoria global do nível de
estudos das novas gerações. Essa descoberta revelou a extraordinária capacidade
de reserva do cérebro.”
Projeções
estatísticas feitas ao acaso
Professor
de Neurologia nos Estados Unidos, Peter
Whitehouse foi um especialista famoso na doença antes de criticar com
virulência seus pressupostos. Em sua obra O mito da doença de Alzheimer, ele procura mostrar que não existe um perfil
biológico único e que o diagnóstico é apenas provável para as pessoas idosas.
“Não temos prova alguma de que a doença de Alzheimer se propaga na geração do
baby-boom. Sucede apenas que o mundo
envelheceu e há mais pessoas de meia-idade com risco de apresentar um fenômeno
de envelhecimento cerebral.” [7]
Martial van der Linden, professor de
Psicopatologia e Neuropsicologia das universidades de Genebra e Liège, conduz
um estudo crítico do modelo biomédico dominante. [8] Ele baniu de seu vocabulário a expressão
“doença de Alzheimer” e fala apenas em “envelhecimento cerebral cognitivo
problemático”. “Aplicando os critérios impostos da doença de Alzheimer,
reduzimos as pessoas a uma etiqueta estigmatizante”, explica. “Nos anos 1980, eu me dei conta de que a realidade era
muito mais complexa e que havia imensa diversidade de casos e de capacidades
preservadas que não eram levadas em consideração. Boa parte das dificuldades cognitivas das pessoas idosas se deve a:
*
problemas vasculares,
* ao
diabetes e
* à
hipertensão,
* mas
sobretudo à idade!”
Com
a neuropsicóloga Anne-Claude Juillerat
van der Linden, ele criou a associação Valorizar
e Integrar para Envelhecer de Outra Forma (Viva, na sigla em francês), a
fim de promover medidas preventivas do
envelhecimento cerebral baseadas na integração social e cultural das pessoas
idosas. Experiências originais com o cuidado humano dos pacientes e sua
participação na vida do estabelecimento foram positivas, notadamente em Quebec,
com o projeto Carpe Diem. Vendo os
pacientes sorrir de novo e mesmo sair de seu mutismo, um grupo de médicos,
pessoas diagnosticadas e suas famílias criou com base nesse princípio, na
França, o novo estabelecimento Ama Diem,
que acaba de ser inaugurado em Crolles (Isère).
O que chamamos de “doença de
Alzheimer”, cujas projeções estatísticas feitas ao acaso geram um grande medo,
tornou-se um desafio social importante.
[Questões que ficam em aberto:]
* Será
possível, nos próximos anos, fazer uma pesquisa totalmente independente dos
interesses da indústria farmacêutica?
* A
pesquisa cobrirá todas as causas potenciais da doença, e não apenas as pistas
biomédicas?
* Os
financiamentos públicos estimularão a prevenção e darão respostas na medida das
exigências?
* Estaremos
à altura desse desafio e encontraremos um lugar para cada um durante a fase da
velhice?
N O T A S
[ 1 ] LeParisien.fr,
12 mar. 2014.
[ 2 ] Como
a doença de Alzheimer é “de longa duração”, os medicamentos continuam a ser
reembolsados em 100% pela Seguridade Social.
[ 3 ] “Interception”
[Intercepção], France-Inter, 11 jan. 2015.
[ 4 ] Revue de Presse de la Fondation Médéric-Alzheimer,
n.105, Paris, jun. 2014. A título de comparação, de 2002 a 2012, 1.438 testes
clínicos para o câncer obtiveram uma taxa de sucesso de 89%.
[ 5 ] Réseau
mémoire Aloïs, “Rapport d’activités 2011” [Relatório de atividades 2011],
Paris. Disponível em: www.reseau-memoire-alois.fr.
[ 6 ] Cf.
L’enigme Alzheimer [O enigma
Alzheimer], filme de Thomas Liesen apresentado em 12 abr. 2008 no canal francês
Arte.
[ 7 ] Peter
Whitehouse e Daniel George, Le Mythe de
la Maladie d’Alzheimer. Ce qu’on ne vous dit pas sur ce diagnostic tant redouté
[O mito da doença de Alzheimer. O que não se diz sobre esse diagnóstico tão
temido], De Boeck, Paris/Louvain-la-Neuve, 2009.
[ 8 ] Martial
van der Linden e Anne-Claude Juillerat van der Linden, Penser autrement le vieillissement [Pensar de outra forma o
envelhecimento], Mardaga, Bruxelas, 2014.
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