Bancos assustam o mundo novamente!
Mercados azedaram
Celso Ming
Desta
vez, a principal fonte de preocupação é a situação de
grandes
bancos ao redor do mundo
Nos
países em que nesta terça-feira, 9 de fevereiro, não foi feriado, as bolsas voltaram a mergulhar. Frankfurt perdeu 1,11%; Londres, 1,0%; Milão, 3,21%; e Paris,
1,69%.
Desta
vez, a principal fonte de preocupação é a situação de grandes bancos ao redor
do mundo. Nesta terça-feira, um dos principais diretores do Deutsche Bank, John Cryan, se sentiu obrigado a desmentir enfaticamente os rumores
que tomaram corpo nos últimos dias. Declarou que seu banco está absolutamente
sólido como uma rocha.
Por toda parte, avaliações,
boatos e desmentidos sobre a saúde dos bancos ou de alguns deles em particular
vêm se repetindo na imprensa especializada internacional.
The New York Times do dia 4 publicou extensa
matéria (Trillions in bad loans may sap
world economy for a long time – trad.: Trilhões em empréstimos ruins podem exaurir
economia mundial por um longo tempo) na qual apontou encrencas bancárias
medidas em “multitrilhões de dólares”. Só
na China, há, conforme o depoimento de especialistas, cerca de US$ 5 trilhões
em créditos com problemas, o que corresponde a cerca da metade de seu PIB.
A disparada das dimensões do sistema financeiro da China já é, por si só, fonte
de preocupação. Em apenas sete anos,
saltou de US$ 9 trilhões para US$ 30 trilhões. Esse ritmo é, por si só,
altamente suspeito; sugere a pressa com
que tantas operações foram feitas. Agora que a economia chinesa está em
franca desaceleração e enfrenta um princípio de fuga de capitais, é inevitável que um volume não desprezível
de empréstimos bancários esteja sujeito a calote.
Por toda parte, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, grande número de bancos está exposto aos trancos que agora atingem o
mercado global do petróleo cujos preços caíram 70% em 19 meses e deixaram
muitas companhias do setor no vermelho. O mais apontado parece ser o Wells Fargo Bank.
Aumentam
também as pressões sobre o sistema bancário da Itália, que enfrenta o
azedamento da qualidade de cerca de 300 bilhões de euros. Apenas neste ano, os bancos italianos perderam quase US$ 40 bilhões em
valor de mercado.
O
setor bancário é vulnerável a corridas sempre que as suspeitas começam a
circular. Quem está bem, exagera suas condições; quem está mal esconde. Na China, onde a baixa transparência é a
regra, uma avaliação é sempre problemática e a boataria acaba prevalecendo.
Os novos problemas da rede
bancária global são o resultado de três fatores.
[1º]
O mais importante deles é a política dos
grandes bancos centrais que despejaram enormes volumes de moeda no mercado que,
naturalmente, desembocaram no caixa dos bancos. Estes se sentiram na
obrigação de reemprestar tudo o que podiam, nem sempre sob as melhores
condições de risco.
[Opinião pessoal: mas o jornalista se esquece de dizer que essa atitude
dos bancos centrais foi motivada, sobretudo, pelo colapso financeiro provocado
por bancos, financeiras e imobiliárias nos Estados Unidos e outros países do
mundo!
Ou seja, o sistema
financeiro provocou uma crise imensa e não parece
ter aprendido a
lição. Afinal, foi socorrido generosamente pelo
dinheiro do povo
através dos bancos centrais!]
[2º]
O outro fator foi a já citada derrubada
dos preços do petróleo e das demais commodities
que deixaram grande número de empresas em más condições.
[3º]
E, terceiro fator, todo o setor bancário
enfrenta agora nova perspectiva de recessão global e, portanto, queda de
renda e aumento da inadimplência.
Por
enquanto, as preocupações aumentam nos mercados, mas não dá para dizer que já
estejamos à beira de novo ciclo de turbulências, como em 2008.
CONFIRA
![]() |
O GRÁFICO MOSTRA A EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO PETRÓLEO NESTE ANO |
DESABARAM
Nesta
terça-feira, as cotações do petróleo
voltaram a desabar. O West Texas
Intermediate (WTI), negociado em Nova York, fechou com queda de 27,94%. E o
tipo Brent, negociado em Londres, com
baixa de 30,32%. Pesaram na queda as últimas projeções da Agência Internacional
de Energia dando conta de nova tendência
de queda dos preços diante do aumento dos estoques. Além disso, a Arábia Saudita insiste em não reduzir a
oferta para não ajudar a concorrência.
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