“Casa comum, nossa responsabilidade” - Campanha da Fraternidade 2016

“Falta de saneamento básico destrói a casa comum e a vida da família que habita essa casa”, diz dom Sergio da Rocha 
Cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade de 2016
Sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB
Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2016

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 foi aberta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), nesta Quarta-feira de Cinzas, 10 de fevereiro, na sede da Conferência, em Brasília (DF).

O evento foi presidido pelo bispo da Igreja Anglicana do Brasil e presidente do Conic, dom Flávio Irala. Compuseram à mesa:
* o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha;
* o ministro das Cidades, Gilberto Kassab;
* o diretor da Misereor, monsenhor Firmino Spiegel;
* o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pastor Nestor Friedrich;
* o arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, dom Paulo Titus Hanna;
* o presidente da Aliança Batista, pastor Joel Zeferino;
* o moderador da Igreja Presbiteriana Unida, presbítero Wertson Brasil; e
* o representante da Igreja Anglicana, reverendo Arthur Cavalcante.

Na ocasião, o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, ressaltou a atualidade e a urgência do tema “Casa comum, nossa responsabilidade”, que tem como foco no saneamento básico. Ao denunciar a exposição da população ao mosquito aedes aegypit, vetor dos vírus da dengue, chikungunyae e zika, dom Sergio afirmou que a “falta de saneamento básico destrói a casa comum e a vida da família que habita essa casa”.

“O tema desse ano é de grande atualidade e urgência. O cuidado da casa comum, pondo em relevo o saneamento básico, não pode ser descuidado, nem pode ser deixado para depois, necessita da atenção e dos esforços de todos. Há muita coisa a ser feita por cada pessoa, espontaneamente, mas, embora seja sempre muito importante o que cada um pode fazer pessoalmente, nós necessitamos muito da vivência comunitária da Campanha, de iniciativas e de ações comunitárias, então, cada comunidade é convidada a refletir sobre o que fazer em sua realidade local, quais ações comunitárias realizar motivadas por esta Campanha”, disse dom Sergio.

“Estou certo de que queremos ver:
* o direito brotar, não o lixo se espalhar;
* queremos ver a justiça e não o esgoto correr como riacho;
* queremos ver a água ser assegurada como direito e usada com responsabilidade;
* queremos ver a casa comum cuidada de modo corresponsável”,
exortou dom Sergio ao lembrar do lema da Campanha “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24),

Para o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, o tema “é muito apropriado ao que se vive no Brasil e em alguns países do mundo” e está vinculado diretamente à dignidade, ao combate à pobreza e à saúde pública. Kassab também assumiu que o Brasil está aquém do ideal nos índices de saneamento básico, apesar de que nos últimos anos tenha melhorado alguns indicadores. O ministro prometeu investimentos para continuar avançando. “O Governo Federal fará sua parte num esforço muito grande para dar apoio à essa Campanha da Fraternidade”, afirmou.

O bispo da Igreja Anglicana do Brasil e presidente do Conic, dom Flávio Irala, recordou que o tema aponta o saneamento básico como um bem essencial para a concretização de todos os direitos humanos. “Portanto, nenhuma pessoa pode ser privada do acesso aos benefícios de saneamento básico em função de sua condição socioeconômica”, disse. Para o bispo anglicano, o Conic compreende que o acesso ao saneamento deve ser considerado um “bem de caráter público destinado à inclusão social e a garantia dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos, dos inibidores de doenças, como cólera, febre amarela, dengue, diarreia, bem como para evitar a proliferação do vírus zika”.

Irala propôs três pontos para mobilização:
1º. Um relacionado à participação popular nos planos municipais de saneamento básico, outro
2º. que pede o fim dos “rios mortos” e, por fim,
3º. um pedido para que a construção de usinas no Rio Tapajós, em Santarém (PA), não seja realizada sem consulta à população. 
CARTAZ OFICIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

Vejamos algumas informações iniciais sobre esta
Campanha da Fraternidade 2016:

1. TEMA: “Casa comum, nossa responsabilidade”.

2. LEMA:Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24).

3. OBJETIVO: o objetivo principal da iniciativa será chamar atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos.

4. NOVIDADE DESTE ANO: a participação da Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. A colaboração acontece em vista do desejo dos organizadores em transpor as fronteiras.

5. CAMPANHA ECUMÊNICA: pela quarta vez a Campanha da Fraternidade é realizada de forma ecumênica, isto é, envolvendo várias denominações religiosas. As outras três tiveram os seguintes temas: ano 2000 –  Dignidade Humana e paz – Novo Milênio sem exclusões; ano 2005 – Solidariedade e Paz – Felizes os que promovem a Paz e ano 2010 – Economia e Vida – Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.

6. ALGUNS DADOS DA REALIDADE: Estudos estimam que morre uma criança a cada 3 minutos por não ter acesso a água potável, por falta de redes de esgoto e por falta de higiene. Crianças com diarreia comem menos e são menos capazes de absorver os nutrientes dos alimentos, o que as torna ainda mais suscetíveis a doenças relacionadas com bactérias. O problema se agrava, pois as crianças mais vulneráveis à diarreia aguda também não têm acesso a serviços de saúde capazes de salvá-las.
Ampliando a questão da saúde para todas as faixas etárias, em 2013, segundo o Ministério da Saúde (DATASUS), foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções gastrointestinais no país. Se 100% da população tivesse acesso à coleta de esgotos sanitários haveria uma redução em termos absolutos de 74,6 mil internações.
Os últimos dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico – base 2013) mostram que pouco mais de 82% da população brasileira têm acesso à água tratada. Mais de 100 milhões de pessoas no país ainda não possuem coleta de esgotos e apenas 39% destes esgotos são tratados, sendo despejados diariamente o equivalente a mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.
Alguns dados do Brasil sobre saneamento:
– O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros.
– Cada brasileiro gera em média 1 quilo de resíduos sólidos diariamente. Só a cidade de São Paulo gera entre 12 a 14 mil toneladas diárias de resíduos sólidos.
– As 13 maiores cidades do país são responsáveis por 31,9% de todos os resíduos sólidos no ambiente urbano brasileiro.
Para onde vão todos estes resíduos?
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008 do IBGE, divulgada em 2010:
50,8% foram levados para os lixões, local para depósito do lixo bruto, sobre o terreno, sem qualquer cuidado ou técnica especial.
21,5% são levados para aterros controlados, local utilizado para despejo do lixo bruto coletado, com cuidado de, diariamente, após a jornada de trabalho, cobrir os resíduos com uma camada de terra, de modo a não causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, bem como minimizar os impactos ambientais.
27,7% são levados para aterros sanitários, local monitorado em conformidade com a legislação ambiental, de modo a que nem os resíduos nem seus efluentes líquidos e gasosos venham a causar danos à saúde pública ou ao meio ambiente.

Leia o resumo do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2016,
onde aparecem mais dados da realidade (VER), critérios bíblicos e
teológicos para analisar aquilo que acontece (JULGAR) e dicas práticas
de ações concretas que as comunidades pelo país afora podem
realizar (AGIR). Clique aqui.

Ouça o belo e profético hino oficial da CF 2016, clicando sobre a imagem:

Fonte: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Notícias – 10 de fevereiro de 2016 – Internet: clique aqui.

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