DUAS TRAGÉDIAS ENVOLVENDO MULHERES!
AQUI NO BRASIL
Mães de bebês com microcefalia são abandonadas
Felipe Resk
Médicos relatam casos de relacionamentos que são
desfeitos ainda
na gravidez ou após o nascimento da criança com a
má-formação
![]() |
MÃE SEGURA BEBÊ COM MICROCEFALIA |
Em Pernambuco, Estado com maior número de
notificações de microcefalia, muitas
mães têm sido abandonadas pelos companheiros após descobrir que o filho do casal
é portador da má-formação. Médicos ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo relatam que os casos são cada vez mais frequentes e afetam principalmente jovens em
relações instáveis.
Médicos
que trabalham no atendimento de pacientes com microcefalia contam que os homens têm mais dificuldade do que as
mães para aceitar a deficiência do filho. “Eu me surpreendi com a quantidade de mães que estão cuidando do filho
sozinhas, porque o pai simplesmente resolveu largar a família”, conta uma
pediatra que não quis se identificar. O
rompimento também atinge relações mais duradouras.
Após
dois anos de namoro e nove de casamento, a promotora de eventos Carla Silva, de 32 anos, foi abandonada
pelo pai dos seus três filhos quando ainda estava internada na maternidade. O
motivo, conta, era a condição da caçula, Nivea Heloise, que nasceu com menos de
28 centímetros de perímetro encefálico. “Ele
me culpou por ela nascer assim. Disse que a menina era doente porque eu era uma
pessoa ruim.”
O
casal se conheceu após ele começar a frequentar a mesma igreja evangélica que
ela, em uma periferia do Recife. Carla havia acabado de sair de um
relacionamento longo e até resistiu às investidas dele por quatro meses.
Depois, começaram a namorar, se casaram e tiveram dois meninos, hoje com 3 e 5
anos. Durante a gravidez da caçula, porém, a relação já estava abalada.
![]() |
CARLA SILVA COM SEU BEBÊ, A NIVEA Ela, que é promotora de eventos, foi abandonada pelo marido após a confirmação de microcefalia |
ZIKA
A
promotora de eventos contraiu o zika
vírus no segundo mês de gestação. Pela TV, via os casos que associavam a
doença à microcefalia e pensou que a filha, ainda no útero, poderia se tornar
uma vítima. “Os exames não apontavam
nada, mas eu fui me preparando”, diz. Descobriu
que a criança era portadora da má-formação logo depois do parto. “Não foi um choque. Eu vi e me tranquilizei.”
Mas o pai dela, não.
Nivea
completa dois meses hoje, mas só foi registrada pelo pai 30 dias após o
nascimento. “Pensei em fazer a certidão
de nascimento como mãe solteira, mas minha sogra fez pressão até ele assumir”,
diz Carla. Desde dezembro, no entanto, o ex-marido não mora mais com a família.
Também não responde a mensagens no celular e a bloqueou de um aplicativo de
bate-papo, conta.
Com
rotina de exames em hospitais, a filha tem demandado atenção integral de Carla
durante o dia. Já as convulsões
provocadas pela microcefalia não a deixam dormir de madrugada. “Ela chora muito, se treme inteira e contrai
as mãos”, diz a mãe. A contar do nascimento de Nivea, ela ainda não
conseguiu trabalhar. “Quando eu voltar, vai ser ainda mais difícil.”
![]() |
PAIS TÊM MAIS DIFICULDADE DE ACEITAR A DOENÇA afirma a infectologista pediátrica Angela Rocha do Hospital Universitário Oswaldo Cruz - Recife (PE) |
INDESEJADA
Para
a infectologista pediátrica Angela Rocha,
coordenadora do setor do Hospital
Universitário Oswaldo Cruz, que recebe a maior parte dos pacientes com
microcefalia em Pernambuco, o problema
de abandono dos pais afeta principalmente mulheres jovens, com relacionamentos
instáveis e que tiveram uma gravidez indesejada.
“Normalmente,
o homem tem essa dificuldade de assumir”, afirma Angela. Segundo a infectologista, alguns rompimentos acontecem
ainda antes de o casal descobrir que o filho tem microcefalia. “Em muitos casos, o parceiro já tinha se
afastado na hora que engravidou. Em outros, quando a criança nasce.”
Foi
assim para pequena Layla Sophia, de
dois meses, que ainda não conhece o pai. “Foi uma gravidez inesperada, logo no
começo do namoro da minha filha. Quando estava com seis meses de barriga, ele
deixou ela”, conta Iranilda Silva,
de 45 anos, avó da criança.
A filha de Iranilda também
contraiu o zika vírus durante a gestação. Para a família, natural de Ouricuri, no sertão de
Pernambuco, a microcefalia era totalmente desconhecida. Mas nem a má-formação
da criança a reaproximou do pai. “Ele
sabe de tudo, até porque mora do nosso lado, mas nunca foi lá (ver a criança)”,
contou a avó de Layla Sophia.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Metrópole / Saúde – Quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 – Pg. A15 – Internet: clique aqui.
NO EXTERIOR
Mulher sofre ameaças após maternidade
substitutiva nos Estados Unidos
Federico Cenci
Elisa Anna Gomez, que viajou dos Estados Unidos para a
Itália,
explica o sofrimento que experimentou após ter “alugado”
o próprio útero a um casal homossexual
![]() |
ELISA ANNA GOMEZ Mãe norte-americana enganada por casal gay a fim de "alugar" seu ventre para dar-lhe um filho |
“A fim de que os italianos
caiam na real sobre o que é a maternidade substitutiva”. Este é o cartão de visita
que Toni Brandi, presidente de ProVita Onlus, apresentou, junto com o
senador italiano Lucio Malan, durante
uma coletiva de imprensa no Senado, da americana
Elisa Anna Gomez.
Rosto
de menina, Gomez é, na verdade, já uma mulher. É mãe de um menino que faz parte
da Força Aérea e de uma menina que estuda medicina. Tem também uma terceira
filha, que, porém, por um cruel jogo do destino, não pode ver.
Enquanto
narra o que lhe aconteceu, com a voz quebrada pela emoção um véu de lágrimas
cobre-lhe os olhos. A sua história é
semelhante à de várias outras mulheres, de Países em desenvolvimento, bem como
das periferias dos Estados Unidos ou do Canadá, que, para manter a própria
família estão dispostos a tudo. Inclusive a alugar o próprio corpo.
É em 2006 quando Elisa
decide oferecer-se em um fórum online como mãe substituta. O faz no Estado em que
mora, Minnesota, onde este tipo de
prática não é legalmente permitido. “Conheci
vários casais – disse a mulher – por
meio de um site sem aconselhamento jurídico e escolhi um casal homossexual”.
Gomez fala de ter ficado impressionada com estes dois homens, com os quais
decide, então, assinar um acordo que, além de garantir uma compensação,
reconhece-a, para sempre, mãe da criança e dá garantia de estar sempre presente
na sua vida.
No
entanto, como ensinam os latinos, verba
volant (as palavras voam). Também porque, sugere outro ditado latino, as aparências enganam. A gravidez
ocorre normal. Gomez carrega no ventre a
sua filha com alegria e com a confiança de que poderia vê-la frequentemente.
Mas
as coisas mudam quando entra em trabalho de parto. O casal gay começa a ficar do seu lado de forma mórbida. “Assim que nasceu a bebê, imediatamente me
senti ligada a ela, percebi que era minha filha e sabia que não podia
separar-me dela”, explica.
Os dois “clientes” parecem
se preocupar com este vínculo afetivo e se oferecem para acompanhar a mãe e o
bebê à casa, após receber alta do hospital. Gomez aceita, sobe no automóvel e aqui
compreende que a atitude dos dois homossexuais mudou drasticamente.
Tentam
tranquilizá-la, mas Gomez tem a
impressão de que os dois querem se livrar dela. Levam-na para casa e
carregam consigo a sua filha. “A partir daquele momento me senti como um mero
fantasma de mim mesma”, acrescenta. Mas, o verdadeiros fantasmas se tornam os
dois “clientes”. O casal – explica –
“de improviso cortou as comunicações e
deixaram o Estado sem dar-me explicações”. Gomez não encontra consolo nem
sequer junto às autoridades que –
afirma – “não me ajudaram, tratando-me
como se aquela menina não fosse minha”.
Tenta
tomar medidas legais, mas está extremamente queimada. Depois de um primeiro
julgamento – diz ela – “o juiz disse que
eu não era a mãe de minha filha, mas apenas um doador genético”. A mulher
decide apelar, onde os juízes reconhecem
a sua ligação de parentesco com a pequena, mas estabelecem que ela deva deixar
a criança com o casal homossexual.
O
pesadelo não termina aí. Gomez – que
é pintora e mantém sua família realizando vários trabalhos – se vê forçada a pagar 600 dólares de pensão
alimentícia e é ameaçada de prisão se falasse ou escrevesse, nos Estados
Unidos, sobre o que lhe aconteceu. Aqui na Itália, onde é livre desta
censura de Estado, fala com as lágrimas nos olhos sobre os sofrimentos da sua
filha. “As ligações telefônicas que fiz
ao casal pouco depois do seu nascimento – diz – foram traumatizantes, porque escutava o bebê gritar desesperadamente no
fundo”.
“Fui ingênua”, reflete
amargamente Gomez, que declara não ter visto mais a sua filha desde que essa tinha dois
anos e meio e acrescenta: “Tenho certeza
de que milhares de mulheres, no mundo, sofrem o que sofri”. São as muitas
mulheres exploradas, forçadas pela violência ou pela fome, a “alugar” o próprio
útero. “Eu não sou uma escrava e minha
filha não é um objeto – diz – há leis
contra a venda de partes do corpo humano, e ainda assim a barriga de aluguel é
aceita”.
E
enquanto Gomez revela a sua história angustiante, no mesmo edifício, na Sala do
Senado da Itália, começou uma discussão sobre o decreto de lei Cirinnà. “Conheço um pouco este texto – afirma a
mulher americana – e acho que a stepchild
adoption [adoção de enteado] fará muitas mulheres caírem na minha
situação”.
Comentários
Postar um comentário