O que nos aguarda em 2018
Tira essa zika daí!
Eliane
Cantanhêde
Com as perspectivas tão ruins, vem aí uma inflação
de candidatos em 2018
O
processo contra Eduardo Cunha entra
na reta decisiva no Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara se
prepara para voltar para casa levando na bagagem um fardo do qual jamais vai se
livrar: foi ele quem salvou o mandato da
presidente Dilma Rousseff. Com sua biografia, suas contas na Suíça e suas
relações vorazes com a Petrobrás, quanto
mais se empenhou em derrubá-la, mais conseguiu salvá-la. Como disse
importante aliado dele, “o Eduardo vai ter de conviver com isso para sempre”.
Chegamos, então, à
perspectiva de mais três anos com Dilma, num 2016 de dar medo:
* rombo de R$ 60 bilhões nas
contas públicas,
* inflação não só acima da
meta, mas acima do próprio teto da meta,
* risco de três anos seguidos
de recessão.
Os
anúncios fúnebres se sucedem: numa semana, o desastre da indústria; na outra, o desespero do comércio; na seguinte, até os serviços despencam. E os empregos?
O gato comeu.
As
expectativas são desanimadoras na economia, a política está para se livrar de
Eduardo Cunha, mas nem por isso vai virar uma maravilha, e a Lava Jato corre
solta, agora com o foco no senador Delcídio Amaral e em tudo o que ele pode
revelar de eletrizante sobre a Petrobrás em sucessivos governos.
Nada
disso nos conduz a um exercício de otimismo pelos próximos três anos, sem falar
que:
* a relação entre o vírus zika e a microcefalia é cada vez mais evidente,
* a dengue já é uma epidemia,
* a chikungunya está por aí e que
* até a sífilis congênita está saindo das catacumbas para assustar, por
exemplo, o Espírito Santo.
Se o presente é um desastre,
o futuro é incerto, não sabido e preocupante, abrindo uma janela para uma inflação de presidenciáveis de todo tipo
querendo se dar bem na crise de credibilidade e de lideranças dos principais
partidos e dos candidatos mais vistosos à luz do dia.
A
candidatura de Lula depende de tríplex, sítio, empreiteiras, medidas
provisórias, mulher e filhos, mas o PT terá certamente um candidato próprio,
mesmo que seja para defender o partido nos debates, na TV e no rádio. Mas, se Lula é uma incógnita, o PSDB é um saco
de incógnitas.
Aécio Neves é o nome mais natural, mas
ele está fora dos holofotes e, em vez de acrescentar, vem perdendo votos em sua
cesta de 2014 com as agruras de Dilma e Lula. Geraldo Alckmin namora o PSB e vice-versa. José Serra está próximo do PMDB, que anuncia candidatura própria e
joga ao vento Eduardo Paes – se vencer na Olimpíada.
Hoje
mesmo surge um novo nome em meio à polarização, com a filiação do senador Cristovam Buarque ao PPS, não
para ganhar, mas para divulgar ideias. O PDT, de onde Cristovam sai, deve ir de
Ciro Gomes, que já foi PDS, PMDB,
PSDB, PPS, PSB, PROS e hoje já fala e age como candidato do partido.
Outro
ex-tucano da lista é Álvaro Dias,
agora no PV que alavancou Marina Silva.
Ela enfim materializou a Rede
Sustentabilidade e é uma das opções fortes para 2018. Também já se
alvoroçam, pela esquerda, a indefectível Luciana
Genro, (PSOL), e, pela direita, Jair
Bolsonaro (PP), tendo parte dos militares na retaguarda, e Ronaldo Caiado (DEM), impulsionado pelo
agronegócio.
É
gente que não acaba mais, o que nos
remete a 1989, que teve de tudo um pouco e acabou dando no mais improvável,
Fernando Collor. É por isso que já se ouve, daqui e dali, “quem vai ser o Collor de 2018?”. Tira
essa zika pra lá!
Em
1989, o Brasil abria os horizontes para o novo, o arrojado e o futuro, o que
Collor, injusta e dramaticamente, encarnou. Em 2016, fecha-se um ciclo que
começou pela direita com Collor, passou pelo centro e chegou a um fim
melancólico e surpreendente com o PT (quem, em 1989, poderia imaginar tudo
isso?). Não é hora de aventuras nem de
arrojo, mas de segurança, estabilidade e credibilidade. Estes três anos
dirão.
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