POR QUE O PT NÃO DEU CERTO E O QUE ISTO TEM A VER COM A IGREJA?
O PT do Poder
Entrevista
com José de Souza Martins
Sociólogo e Professor
emérito da Universidade de São Paulo (USP)
Leonardo
Coutinho
O sociólogo que viu a ascensão de Lula de perto diz que
o partido nunca foi de esquerda e que sua origem eclesiástica explica a
dificuldade de seus dirigentes e militantes em aceitar a divergência política
JOSÉ DE SOUZA MARTINS Sociólogo |
O
sociólogo José de Souza Martins, de
77 anos, é considerado a maior autoridade no estudo dos conflitos fundiários no
Brasil. Na década de 1970, ele foi pioneiro nas pesquisas sobre as frentes de
colonização na Amazônia. Seus trabalhos atraíram a atenção da Igreja Católica,
que apresentou suas pesquisas aos movimentos sociais. Como professor dos cursos
promovidos pela Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), ele formou
lideranças e as viu fundar o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem
Terra (MST), quatro anos depois.
Apesar
da convivência com os dirigentes, Martins jamais fez parte dessas organizações.
“Sou visceralmente contra esse negócio de
intelectual militante. Ou é uma coisa ou outra. Se alguém quer fazer militância
partidária, é melhor aposentar-se como intelectual, como fez Florestan
Fernandes”, diz o sociólogo.
Na
semana passada, chegou às livrarias o seu 45° título: Do PT das Lutas Sociais ao PT do
Poder (Editora Contexto), uma coletânea
de textos produzidos nos últimos catorze anos, nos quais ele observa e
analisa o desempenho e as transformações do Partido dos Trabalhadores (PT).
Professor aposentado da Universidade de São Paulo, Martins ocupou a Cátedra
Simón Bolívar da Universidade de
Cambridge, na Inglaterra, pela qual passaram Celso Furtado e o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Eis
a entrevista.
Por
que o senhor afirma em seu livro que o PT é um partido conservador?
José de Souza
Martins: O
Partido dos Trabalhadores surgiu no ABC paulista como uma alternativa ao
comunismo. Não que fosse ideologicamente contra os comunistas, mas nunca chegou
a ser um partido de esquerda. Tratava-se,
do ponto de vista formal, de um partido católico. O PT foi gestado desde os
anos 1950 pelo primeiro bispo de Santo André [SP], Dom Jorge Marques de Oliveira [saiba
mais sobre a vida e o pensamento deste bispo abaixo, após a entrevista],
como uma espécie de mediação conservadora para a luta operária. Dom Jorge me
disse que os trabalhadores do ABC ficavam no Centro Operário Católico jogando
pingue-pongue. Ele os incentivava a ir para a porta de fábrica. Dom Jorge inventou Lula, antes que Lula
soubesse disso, ao criar as bases para o surgimento do PT.
Se
o PT não é de esquerda, por que tende a demonizar tudo o que é divergente como
sendo de direita?
Martins: A explicação está, mais uma
vez, na influência da Igreja. Isso
vem do dualismo Deus e diabo, o bem e o mal. Como aprenderam a pensar
a política em termos dicotômicos, os petistas têm, em grande parte, dificuldade
para lidar com a diversidade. Para eles,
se o PT é de esquerda e a esquerda é o PT, qualquer coisa que difira disso é
direita. É uma bobagem quando falam que o PSDB é direita, por exemplo. O
PSDB é tão social-democrata quanto o PT. A direita de que falam os petistas é
uma invenção. Nós não temos direita e esquerda no Brasil. A maioria da
população nem sabe o que é isso. Embora Lula seja mais aberto a ideias de fora,
o partido é totalmente intolerante a qualquer ponto de vista que não seja o
dele. Essa é a característica do PT.
O
ex-presidente Lula, porém, é quem mais se vale do discurso do “eles contra
nós”…
Martins: Existem dois Lulas. Existe o Lula de extração popular, que tem uma
compreensão da realidade do país muito maior do que a da maioria dos outros
líderes políticos. E existe o Lula do
poder. Este se utiliza dessa linguagem polarizada e dicotômica que
considera fundamental para a ação política. Aliás, essa é a linguagem instrumental do PT no poder. Para Lula, a
política é uma performance, um teatro. O discurso dicotômico é parte de sua
forma de fazer política.
Os
petistas dividiram o país?
Martins: Lula e o PT acham que falam
na perspectiva da luta de classes.
Mas, para haver luta de classes, as classes teriam de existir. No mundo
inteiro, elas estão submersas. As
classes sociais não existem mais, de certo modo. No Brasil, a classe operária almeja o consumo, a
educação. Não está lutando por bandeiras de classe social. As próprias
elites, para recorrer a um termo muito usado pelo PT, estão divididas. O
capital financeiro diz uma coisa. O capital industrial diz outra. Eles estão
preocupados com sua existência imediata. Os operários, também. Não há uma estrutura de classes que
sustente o discurso petista.
Qual é a consequência dessa tentativa de dividir a
sociedade?
Martins: Da
política maniqueísta do PT surgem
dois Brasis antagônicos. Os petistas construíram a ideia de que o povo
brasileiro é separado por ricos e poderosos que desde sempre exploram o povo,
de um lado, e por uma massa de pobres e oprimidos, de outro. Os opressores são
todos aqueles que não são petistas. Trata-se de uma visão simplista do país. Prova disso é que muitos integrantes da elite, alguns dos quais estão entre os mais ricos
do Brasil, são visceralmente ligados ao PT, como ficou comprovado nas
investigações de corrupção na Petrobras.
Por que o PT insiste nessa estratégia?
Martins: Existem
no mínimo três PTs, e não me refiro às suas facções organizadas internas.
Existe o PT operário, que é o do
Lula, o PT dos intelectuais, que vem
de uma certa crítica ao Partido Comunista, e o PT popular, ligado às pastorais católicas. Quando Lula se tornou
presidente, os grupos mais populares
dentro do partido e também fora dele viram a sua vitória como um profetismo católico. Dom Tomás
Balduíno, que foi fundador e presidente da Comissão Pastoral da Terra, dizia
que o governo Fernando Henrique Cardoso não fazia a reforma agrária por falta
de vontade política. Mas quando o PT chegou ao poder, em 2003, com a suposta
vontade política, nada aconteceu. O
grande partido dos setores progressistas da Igreja não fez o esperado. A reforma agrária do PT é inferior até à que foi realizada no
governo de José Sarney, em termos de quantidade e intensidade. Quero dizer
com isso que não se trata de vontade política, mas de questões práticas. Embora
a agricultura familiar seja responsável pela produção de grande parte dos
produtos que alimentam o Brasil, como o feijão, quem traz dividendos para o país
é o agronegócio.
Qual foi o erro mais grave de estratégia cometido
pelo PT?
Martins: Antes
de o PT chegar ao Planalto, havia uma
expectativa de que seria o partido do povo no poder. Essa era uma utopia
muito forte nos movimentos de base. Para
ser um partido do povo, porém, o PT jamais deveria ter aspirado ao poder.
Deveria ter se mantido na missão de fiscalizar, investigar e apontar falcatruas
de toda ordem. Antes de conquistar os postos do Executivo, o PT definia que
todo poder era corrupto. Só que ninguém
chega ao poder fazendo de conta que não está no poder. Lula era mestre
nisso. Descia o sarrafo no poder como se não tivesse nada a ver com ele.
Por que, apesar de todos os escândalos, ainda há
quem se iluda com o PT utópico dos anos 1980?
Martins: Os
protestos a favor do governo, ou contra quem o crítica, expressam o fato de que
nenhuma outra legenda se organizou em
padrões tão corporativos quanto o PT. A mentalidade corporativa dos
petistas dá ao partido muita força de mobilização. Trata-se de uma lealdade quase religiosa. Está
ruim, mas é o PT. Está ruim, mas sou corintiano. Está ruim, mas sou católico.
Como o senhor observou o mergulho do PT no lamaçal
da corrupção?
Martins: Muita
gente dentro dos movimentos sociais e do PT cultivava a ideia de que era possível associar-se ao capitalismo
para expropriá-lo. A intenção era unir-se
a ele [ao capitalismo] para comê-lo por dentro. Deu tudo errado.
Acreditava-se na possibilidade de uma corrupção altruísta, a ideia de que
práticas arraigadas como a propina dos 10% para ganhar uma concorrência estavam
liberadas desde que o dinheiro voltasse para o partido. Mas era corrupção do mesmo jeito, e, como já comprovou a Justiça,
os desvios foram muito além do pretenso altruísmo.
Alguns dos principais dirigentes do partido foram
presos por corrupção. Como Lula passou incólume pelo escândalo do mensalão?
Martins: Lula,
por ser muito inteligente e hábil,
sempre agiu de maneira a não parecer o responsável por aquilo que corria
paralelamente ao gabinete presidencial. Certamente é o que acontece, em
níveis distintos, em todos os governos. O presidente da República não tem
controle total sobre o que fazem seus ministros [costuma-se pensar]. Essa estratégia ficou clara no caso do
mensalão. Lula manteve-se à margem do escândalo. Observei algo semelhante nas
pesquisas que realizei sobre a ocupação da Amazônia nos anos 1970. Havia uma escala do mal. As pessoas
achavam que o primeiro responsável pela violência era o pistoleiro. Em segundo, vinha o administrador
da fazenda, depois o dono. O
governo era o último a ser responsabilizado. Lula foi beneficiado por essa mentalidade. Os brasileiros
acreditavam que os outros políticos estavam abusando da confiança do
presidente.
Como ex-presidente Lula terá a mesma capacidade de
manter-se imune aos casos de corrupção que estão sendo descobertos em sua
órbita?
Martins: Longe
do poder, ele perdeu essas barreiras de proteção. Mas ainda se beneficia de seu
imenso carisma junto à população.
Qual sua opinião sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Martins: Também
existiu a possibilidade objetiva do impedimento de Lula em 2005. Ficou bastante
claro que ele tinha medo de que isso ocorresse. Lula chegou a ficar
politicamente paralisado durante vários dias. Ele estava convencido de que seu
mandato havia terminado. Agora, estamos novamente discutindo a possibilidade de
impedimento da presidente. O que vou dizer não significa que sou contra ou a
favor do impeachment. Penso nas
consequências históricas do processo. Se levarmos em conta que o sucessor de
Dilma seria o Michel Temer, que
também tem problemas, e que a sucessão de ambos passa por Eduardo Cunha, cujas pendengas com a Justiça são ainda maiores do
que as dos outros dois, não vejo urna saída saudável para o Brasil. Se todos
tiverem de ser removidos até a convocação de um novo pleito, levaria tanto
tempo que seria melhor esperar pelas eleições de 2018. A sociedade e os políticos lúcidos têm de mostrar que são capazes de
administrar o país até a próxima eleição. Não devem pairar dúvidas em um
processo tão sério como esse.
A oposição defende a cassação do registro do PT.
Qual será o futuro do partido?
Martins: O Brasil não sairá ganhando se conseguirem
destruir o PT. Mas o país também não será beneficiado com a
permanência deste PT aparelhável e instrumentalizável no poder. O PT tem de amadurecer e virar um partido
moderno, o que não conseguiu ser até hoje. Não adianta dizer que o que
aconteceu com o PT nos últimos anos é culpa da direita. É tudo culpa do próprio PT. Isso é o mais surpreendente. Não há
inimigos atuando nos bastidores. Quem
está destruindo o PT são os amigos do PT.
Fonte: Revista VEJA – Edição
2463 – Ano 49 – Nº 5 – 3 de fevereiro de 2016 – Entrevista: páginas amarelas – Págs. 13, 16-17 –
Internet: clique aqui.
Um bispo na base da criação do PT:
Dom Jorge Marques de Oliveira
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DOM JORGE MARCOS DE OLIVEIRA (1915-1989) Primeiro bispo de Santo André (SP) e inspirador e promotor da organização operária |
Dom
Jorge Marcos de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 10 de novembro
de 1915, falecendo em Santo André, Estado de São Paulo aos 28 de maio de 1989.
Foi, em 1954, o primeiro bispo da
Diocese de Santo André, SP.
Filho
de Carlos José de Oliveira e Angelina Rufo, uma família de boas condições
econômicas do Rio de Janeiro. Foi cunhado do general Eurico Gaspar Dutra,
presidente da República após a queda de Getúlio Vargas, em 1945. Dom Jorge
ingressou no Seminário Menor em
1929, aos 14 anos, no Rio de Janeiro.
Ao
atingir a etapa do Seminário Maior,
veio vivenciá-la em São Paulo, no antigo Seminário Central do Ipiranga. Tendo
recebido as ordens menores no decorrer de 1940, aos 8 de dezembro do mesmo ano – portanto, com 25 anos de idade – Dom Jorge é ordenado presbítero para a
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Em
seguida, exerce os encargos de Professor
no Seminário arquidiocesano e Capelão
em ambientes de recuperação moral; além disso, desempenha também a função
de Assistente da Juventude Católica
Independente e Universitária do
Rio de Janeiro.
Em maio de 1946, o Papa Pio XII nomeia-o
para o episcopado, para o qual é sagrado em outubro do mesmo ano, fazendo-o o bispo mais jovem do mundo à época, com 31
anos. Nos oito anos seguintes, exerceu o pastoreio como Auxiliar da
Arquidiocese, junto com Dom Helder Câmara, mais tarde arcebispo de Olinda e Recife.
Era arcebispo do Rio de Janeiro Dom Jaime de Barros Câmara.
Com
a criação da Diocese de Santo André (SP),
através da bula Archidiocoesis Sancti
Pauli, que desmembrava seu território da Arquidiocese paulistana, Dom Jorge
foi eleito seu primeiro bispo, chegando ao bispado em 22 de julho de 1954 e tomando posse aos 12 de setembro de 1954,
na presença do Cardeal Giovanni Adeodato Piazza, legado papal para a ocasião.
Visando
à assistência social dos mais
necessitados, funda dois anos após sua chegada a Associação Lar Menino Jesus, inicialmente em regime de internato,
adaptada em 1969 para semi-internato.
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Dom Jorge Marcos e operários. Visita a fábrica Dario Luiz Setti |
Sensibilizou-se com a
questão do trabalho, numa região industrial em que os operários sofriam com as difíceis
condições de trabalho. Acompanhou
paralisações e procurou assistir os trabalhadores da região. Em maio de
1960 foi um dos fundadores da Frente
Nacional do Trabalho (FNT), organização parassindical orientada pelos
princípios da Doutrina Social da Igreja.
Dom Jorge Marcos foi um dos
sete bispos brasileiros que assinaram o documento de 40 padres conciliares, em Roma, poucos dias antes
do encerramento do Concílio Vaticano II, em 1965, conhecido como Pacto das Catacumbas, um manifesto que
proclama a opção preferencial pelos pobres, origem da Teologia da Libertação.
Seu
episcopado durou 21 anos, nos quais erigiu 58 paróquias, até a renúncia por
motivo de saúde, em 1975. Foi sucedido por seu bispo auxiliar, Dom Cláudio
Hummes, OFM, mais tarde arcebispo de Fortaleza e, elevado a cardeal, arcebispo
de São Paulo.
Faleceu aos 28 de maio de
1989, após
ter celebrado pela última vez a Santa Missa na Capela São José (atual Paróquia
São José de Mauá, onde se preserva o local da primitiva capela em honra a Dom
Jorge).
Seu
jazigo encontra-se na Catedral diocesana
de Nossa Senhora do Carmo, junto ao altar lateral de São José (Santo André,
SP).
Como
curiosidade, pode-se destacar que Dom
Jorge foi um dos co-sagrantes de D. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), no dia
20 de abril de 1952, sendo sagrante principal Dom Jaime de Barros Cardeal
Câmara (1894-1971), auxiliado por Dom Rosalvo Costa Rego, bispo auxiliar do Rio
de Janeiro.
Eis alguns pensamentos de Dom Jorge Marques de Oliveira
que ajudam a melhor compreender sua atuação como
bispo em uma região operária:
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DOM JORGE MARQUES DE OLIVEIRA (primeiro à esquerda, em destaque): participando de uma das sessões do Concílio Vaticano II |
“Impressionou-me vivamente a massa dos
operários à hora da saída das fábricas. Para eles é que porei o maior empenho
de meu trabalho de bispo. Creio, firmemente, que a ação mais urgente no seio
das classes operárias, é aquela que mostra o Cristo Salvador e aponta o Céu. É
aquela que lembra ao homem, sejam quais forem as suas condições sociais ou
econômicas, a responsabilidade e a dignidade da pessoa humana.” (sobre a
criação da Diocese: 1º de setembro de 1954).
“O macacão que agora envolve as minhas
vestes de bispo não traz nada de novo ao meu coração. Como um símbolo magnífico
de operário que se gasta no recinto da fábrica, frente à maquina, ele já mora
dentro de mim. Já vive no meu coração!” (em agradecimento ao macacão que
recebeu dos operários da Tecelagem Ipiranguinha: 10 de agosto de 1958).
“Queremos que ao homem que trabalha não se
aplique a lei da oferta e da procura, na sua mais detestável expressão tal como
acontece hoje em cada dia quando se despedem adultos, chefes de família, para
dar emprego aos menores que ganham a metade do salário de seus pais.” (10 de
agosto de 1958).
“Vamos fazer uma greve cristã que seja tão
sedutora para os operários quanto a mensagem dos comunistas. A greve tem que
ser feita pelo respeito à dignidade humana, tão diferente da greve-revolta, da
greve-ódio. A consciência é a coisa mais intocável que há. Não pode haver paz
quando há compra de consciência.” (30 de novembro de 1960).
“Não compete ao padre mirar um lugar na
política, na defesa dos interesses de classe e dos interesses do povo aos
homens que devem representá-los. Cabe ao padre ser pregador da Palavra de Deus,
e ao pregador da Palavra de Deus só há uma recompensa, uma recompensa
condicionada a deixar tudo neste mundo: é a recompensa do céu! Costumo
responder então que, humildemente, de fato, eu sou candidato, mas sou candidato
a este céu que depressa se avizinha de nós!
Sou candidato a um mundo melhor aqui na
terra!
Sou candidato a um Estado de São Paulo mais
pacificado!
Sou candidato a uma ordem social em que os
homens não morram de fome na sarjeta de nossas ruas!
Sou candidato a ver um mundo melhor, um
mundo dos homens que se amam e se respeitam no fundo dos olhos!
Sou candidato ao mundo onde o trabalho
represente a atividade normal e construtiva dos homens para o bem comum!” (26
de junho de 1961).
“Não sou comunista, não sou esquerdista,
não tenho política partidária. Sou católico apostólico romano. E tenho
compromissos com Deus e com a minha Igreja de pregar a verdade, pois, como
dizia Jesus Cristo, só a verdade salvará os homens.” (1966).
“O que desejamos, porém é que o padre, o
estudante de seminário, o religioso imponham respeito não pelo hábito ou pela
sotaina, mas por sua maneira de viver, por seus hábitos de vida.” (Sobre a
batina e o clegyman, 1970).
“A Igreja não tem assim um regime
[político] especial: ela quer um regime de justiça.” (28 de outubro de 1979).
“Qual a minha maior vitória? Se é que se
pode falar assim, minha maior vitória foi ver engrandecido esse ideal de
defender os pobres, os assalariados, os operários, todos aqueles que precisam.”
(19 de setembro de 1981).
“A vida do operário para mim é uma vida de
amor, eu acho que o operário, por mais humilde que seja, tem direito a amar.”
(Maio de 1984).
“Eu acho que a Igreja não pode liderar nada
a não ser no campo religioso, dentro das limitações evangélicas. Então eu nunca
aceitei ser líder de nada. Eu aceitava ser um explicitador, uma pessoa que
transmitisse a notícia, eu podia ir a uma reunião do sindicato, mas eu não dava
orientação para o sindicato, eu não orientava os operários, mas alimentava tudo
aquilo que havia de bom nos operários.” (11 de julho de 1984).
“Como eu era visto pelos operários? Muitos
viam em mim um amigo, amigo deles e outros ligados a determinados partidos e a
determinados grupos dominantes que viam em mim uma ameaça para a permanência
dos grupos políticos. E isso era terrível!”. (11 de julho de 1984).
“O plano cristão e da Igreja, de opção
preferencial pelos pobres, não o é para nosso proveito, para nosso benefício,
das classes melhor aquinhoadas. Sua finalidade é restaurar o ideal do Senhor
Jesus, o Reino de Deus, que é o da Justiça, Amor e Paz.” (23 de abril de 1989).
“É necessário insistir em que o papa, os
bispos, padres e ministros não são a Igreja, nem sua parte principal. Eles
integram a Igreja como seus servidores, mas Igreja mesmo é o povo que Cristo
reuniu e que, hoje, por ele, continua a ser reunido.” (maio de 1989).
“A Igreja não tem tropas armadas, mas tem a
palavra iluminada pelo Espírito da Verdade, que pede prestação de contas da
verdade em toda a sua amplidão, máxima na amplidão da Justiça.” (27 de maio de
1989).
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