Francisco pede aos jovens para não serem mercenários do tráfico de drogas

Rocío Lancho García

Exorta-lhes a não se acharem superiores porque usam roupas,
moda, carro ou dinheiro e os convida,
quando tudo parecer pesado, a não soltar a mão de Jesus
PAPA FRANCISCO
Encontra com jovens vindos de todo o México no Estádio "José María Morelos y Pavón" - MORELIA (MÉXICO)
Terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Milhares de jovens de todo o México deram as boas vindas, com uma grande festa, ao santo padre Francisco, com cantos e danças tradicionais, e também com tempo para a oração. O entusiasmo e a alegria próprios da juventude acompanhou todo o evento celebrado no Estádio José María Morelos e Pavón em MORELIA, onde o Papa, depois de escutar os testemunhos de quatro jovens, pronunciou o seu discurso, focado em três ideias:
1ª. a riqueza que Deus lhes deu,
2ª. a esperança que são e
3ª. a dignidade que nunca devem perder.

Os jovens transmitiram com as suas palavras como é:
* “a família que queremos”,
* “a paz que desejamos”,
* “o compromisso que assumimos e
* “a esperança que precisamos”.

Dessa forma destacaram que aos jovens mexicanos sofrem “profundamente tantas realidades que hoje afetam as nossas famílias”. E assim, destacaram que vivem realidades que são verdadeiramente encruzilhadas: má educação sexual, influência negativa da mídia, profunda carência afetiva, medo do compromisso com a outra pessoa. Sobre a tão desejada paz, garantiu que tentam que a sociedade “aproveite o potencial que temos na mente, no coração e nas nossas mãos para criar uma cultura da igualdade e do respeito”. Mas também, advertiram que alguns jovens são tomados “pelo desespero e nos deixamos levar pela avareza, a corrupção e as promessas de uma vida intensa e fácil, mas à margem da legalidade”. E assim, aumentam entre eles as vítimas “do tráfico de drogas, da violência, dos vícios e da exploração das pessoas. Muitas famílias – garantiram – somente conseguiram chorar a perda dos seus filhos, porque a impunidade deu asas para aqueles que sequestram, enganam e matam.

A cada dia – explicaram os jovens – cresce a sensação de desconforto pelo momento que estamos vivendo no México, mas, também, é urgente que entendamos que grande parte da solução está em nossas mãos. E, por isso, se comprometeram:
* a vencer a tibieza [falta de entusiasmo] e
* os conformismos,
* a vencer os medos que acovardam e impedem enfrentar a vida, e
* a pensar além das circunstâncias individuais.

Finalmente, estes jovens disseram que sabem que “são esperança para um futuro melhor” e sabem que podem encontrar a esperança em Cristo Jesus.

O Papa destacou, como já fez no seu primeiro discurso no México, que um dos maiores tesouros desta terra mexicana são os seus jovens. E não falou só de esperança, mas de “riqueza”. No entanto, explicou que não é possível viver a esperança, sentir o amanhã, “se, primeiro, não se consegue valorizar-se, se não se consegue sentir que a sua vida, suas mãos, sua história valem a pena”. A principal ameaça à esperança – advertiu – são os discursos que desvalorizam, que fazem sentir-se de segunda. E continuou o Papa: “a principal ameaça à esperança é quando se sente que ninguém se importa ou que se foi deixado de lado. A principal ameaça à esperança é quando se sente que dá no mesmo que se esteja ou não se esteja. Isso mata, isso nos aniquila e é porta de entrada de muita dor”. 
PAPA FRANCISCO
Acolhe uma jovem durante o encontro pleno de entusiasmo por parte dos jovens e do Papa!

O Pontífice acrescentou: “A principal ameaça à esperança é fazer você acreditar que a pessoa começa a ser valiosa quando se disfarça com roupas, marcas do último grito da moda, ou quando se tem prestígio, ou que se é importante por ter dinheiro, mas, no fundo, o coração não crê que seja digno de carinho, digno de amor. A principal ameaça é quando se sente que precisa ter grana para comprar tudo, até o carinho dos demais. A principal ameaça é crer que por ter um grande carro se é feliz”.

O Papa disse que entende que é difícil sentir a riqueza “quando nos vemos expostos constantemente à perda de amigos ou de familiares pelas mãos do tráfico, das drogas, das organizações criminosas que semeiam o terror”. Quando “não se têm oportunidades de trabalho digno, possibilidades de estudo e capacitação”, quando “não se sentem reconhecidos nos direitos e terminam empurrando-os a situações extremas” quando “são usados ​​para fins egoístas, seduzindo-os com promessas que, no fim das contas não são tais.

O Papa está convencido de que eles são a riqueza, porque, como eles, ele acredita em Jesus Cristo. E “é Ele que continuamente renova a esperança em mim, é Ele que renova constantemente o meu olhar”, disse.

Francisco exclamou aos jovens: “É mentira que a única maneira de viver, de poder ser jovem é deixando a vida nas mãos do tráfico ou de todos aqueles que o único que estão fazendo é semear destruição e morte”. Porque é Jesus Cristo – garantiu – quem desmente todas as tentativas de fazê-los inúteis, ou meros mercenários de ambições alheias.

Por isso o Papa lhes deu um conselho: “Quando tudo parecer pesado, quando parecer que o mundo nos cai em cima, abracem a sua cruz, abracem-No e, por favor, nunca se larguem a sua mão, por favor, nunca se afastem Dele”. E pediu-lhes que não se deixem desvalorizar, não se deixem tratar como mercadoria.

Com amor e com clareza recordou-lhes: “Jesus nunca nos convidaria a ser assassinos, mas nos chama a ser discípulos”. E concluiu: “Ele nunca nos enviaria à morte, mas tudo Nele é convite à vida”.

Em seguida, os jovens presentearam o Santo Padre com uma canção que “sabemos que ele gosta”. E assim, o Papa Francisco e um vibrante Estádio entoaram “Vive Jesus o Senhor”.

Leia a íntegra do discurso de Papa Francisco aos jovens,
clicando aqui.

Fonte: ZENIT.ORG – Quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 – Internet: clique aqui.

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